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VEJA Recomenda CINEMA
Doze Homens e Outro Segredo (Ocean's
Twelve, Estados Unidos, 2004. Estréia dia
25 em circuito nacional) George Clooney e o diretor Steven Soderbergh,
sócios na produtora Section Eight, têm uma espécie de acordo
de cavalheiros com a Warner: o estúdio usa de benevolência para bancar
os projetos menos comerciais dos dois e, em troca, eles vez por outra realizam
filmes voltados para a bilheteria. A continuação de Onze Homens
e Um Segredo é produto da segunda parte desse trato e quisera
todos os filmes feitos com objetivos mercantilistas fossem assim tão espirituosos.
Doze Homens reencontra a gangue de Danny Ocean (Clooney e todos os atores
do original, entre eles Brad Pitt e Matt Damon) três anos depois de seu
assalto a um cassino de Las Vegas e em dificuldades para cobrir uma dívida
de quase 100 milhões de dólares. É preciso bolar outro golpe,
então, e rápido. Soderbergh compensa a inevitável perda de
frescor da seqüência com locações em Amsterdã
e Roma, reviravoltas ainda mais surpreendentes que as do primeiro filme e, principalmente,
com ótimas tiradas à custa de seu elenco, como aquela que coloca
Julia Roberts numa saia justíssima. Veja
cenas. Crimes em Wonderland (Wonderland,
Estados Unidos/Canadá, 2003. Em cartaz a partir do dia 24) Se o
recente Spartan e esse filme forem indícios de uma nova fase na
carreira de Val Kilmer, eles são dos mais auspiciosos. Esforçado
ao ponto da casmurrice na juventude, Kilmer agora parece tirar mais prazer de
seus papéis e sua ótima atuação é o
que faz Crimes em Wonderland valer a pena. O filme acompanha a vida do
astro pornô John Holmes durante as semanas em que ele se viu envolvido de
forma até hoje obscura no massacre de quatro pessoas em Hollywood, em 1981.
Conhecido por, digamos, seus atributos naturais, Holmes (que morreria de aids
sete anos depois) é visto aqui na mais sórdida decadência,
mergulhado até o pescoço em drogas e transações escusas
e assombrado pelo fantasma de sua notoriedade passada.
Divulgação
 | | Bob
Esponja: a mesma graça em longa-metragem |
Bob
Esponja O Filme (Estados Unidos, 2004. Estréia dia 24 em
circuito nacional) Com suas aventuras cheias de nonsense e de um otimismo
a toda prova, Bob Esponja tornou-se o personagem de desenho animado mais popular
da TV. A estréia dele no cinema não decepciona. Seu criador, o americano
Stephen Hillenburg, foi bem-sucedido ao passar do formato de programas com pouco
mais de dez minutos para um longa-metragem de uma hora e meia. Um dos expedientes
para movimentar a trama foi recheá-la de referências ao pop, como
a cena em que Bob cantarola I Wanna Rock, sucesso do grupo metaleiro Twisted
Sister nos anos 80. O universo amalucado do desenho, exibido pelo canal pago Nickelodeon
e pela Rede Globo, está todo lá. O pedaço do fundo do mar
que Bob divide com figuras como uma lula rabugenta e uma estrela-do-mar palerma
é agitado por um roubo e ele é o principal suspeito. Veja
cenas.
Divulgação
 | | The
Edukators: ideais perdidos |
The
Edukators (Die Fetten Jahre Sind Vorbei, Alemanha, 2004. Em cartaz a partir
do dia 24) Os amigos Jan e Peter combatem a "ditadura capitalista" de maneira
peculiar: invadem as mansões de Berlim, rearranjam os móveis e objetos
e deixam um bilhete para os donos, dizendo que eles têm dinheiro demais,
ou que seus dias de fartura logo vão acabar. O objetivo, explica Jan (Daniel
Brühl, de Adeus, Lênin!) para Jule, a namorada de Peter, é
criar medo e insegurança nos excessivamente ricos. Quando uma dessas invasões
resulta acidentalmente em seqüestro, Jan, Jule e Peter sentem ter dado um
passo adiante em sua causa. Exceto pelo fato de que a convivência com o
seqüestrado (o notável Burghart Klaussner), num chalé nas montanhas,
vai catalizar o relacionamento entre os três jovens de formas inesperadas.
No excelente filme do diretor Hans Weingartner, achar ideais que valham a pena
é um trabalho árduo mas perdê-los é fácil
até demais. DISCOS Antonio
Milena
 |  | | Meneses:
Bach por um mestre do violoncelo |
Bach:
as 6 Suítes para Violoncelo, Antonio Meneses (Avie Records)
O violoncelista Antonio Meneses está entre os músicos brasileiros
mais respeitados no meio erudito internacional. Suas interpretações
combinam a técnica de um fiel seguidor do espanhol Pablo Casals à
emoção. Não há prova de fogo melhor para uma fera
como ele do que as suítes do alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750).
Para executá-las, o violoncelista tem de exercitar seus dotes à
perfeição. O pernambucano já se havia debruçado sobre
o trabalho de Bach anos atrás, num disco lançado apenas no Japão,
e volta a ele agora. As suítes do compositor representaram uma inovação
no repertório barroco, na medida em que Bach as incrementou com ritmos
incomuns nesse tipo de obra. Meneses capta as nuances desses movimentos com maestria.
Dark
Matter Moving at the Speed of Light, Afrika Bambaataa and the Millenium
of the Gods (ST2) O DJ nova-iorquino Kevin Donovan é uma instituição
das pistas de dança. Sob o codinome de Afrika Bambaataa, ele ajudou a inventar
o rap, nos anos 70. Mais tarde, suas batidas eletrônicas dariam origem a
outras vertentes musicais em voga na atualidade, como o electro. Neste novo disco,
Bambaataa, aos 44 anos, experimenta colagens que se valem de todo tipo de som
dos gritos do cantor James Brown a refrões do pop indiano. A mistura
atinge momentos apoteóticos em Soul Makossa, versão acelerada
do principal sucesso do compositor africano Manu Dibango. Em Metal, Bambaataa
põe um rapper para cantar ao lado do autor da música, o inglês
Gary Numan, uma das figuras mais esquisitas do pop dos anos 80. J.
Miranda
 |  | | Roberto
Carlos nos anos 60: fase inspirada |
Pra
Sempre, Roberto Carlos (Sony Music) Os primórdios da carreira
de Roberto Carlos, nos anos 60, foram uma de suas fases mais inspiradas. Ao lado
de figuras como Erasmo Carlos e Wanderléa os quais ele revelou como
apresentador do programa Jovem Guarda, na então TV Record ,
o cantor formatou o pop nacional como se conhece hoje. Os discos da época
compõem a primeira fornada do relançamento de toda a sua discografia
em caixas especiais, com versões das músicas remasterizadas sob
a supervisão do artista. O pacote vai de Splish Splash, de 1963,
até Roberto Carlos, de 1969 disco que traz As Flores do
Jardim da Nossa Casa. Boa parte de seu repertório ainda era formada
por versões de rocks internacionais, como O Calhambeque (no original,
Road Hog). Mas a parceria com Erasmo já começava a render
bons frutos basta citar os hits Quero que Vá Tudo pro Inferno,
Parei na Contramão e É Proibido Fumar. Há ainda
três álbuns da fase soul, tida por muita gente como o ápice
de sua criatividade. Ela é representada por faixas como Não Vou
Ficar, de autoria de Tim Maia. DVDs
Sony
 | | Seinfeld:
depois de seis anos, a série chega ao DVD |
Seinfeld
1ª e 2ª Temporadas e Seinfeld
3ª Temporada (Estados Unidos, 1989/1991 e 1991/1992. Columbia)
Produzido entre 1990 e 1998, Seinfeld é até hoje um
dos seriados mais cultuados da televisão americana sucesso que se
repete no canal pago brasileiro Sony. Depois de uma espera de seis anos, os fãs
do programa podem, enfim, se deliciar com sua versão em DVD. A autodefinida
"série sobre o nada" assenta-se sobre um fiapo de enredo: as trapalhadas
e a conversa fiada de quatro nova-iorquinos além do comediante Jerry
Seinfeld, na pele de si próprio, há os divertidos Kramer (Michael
Richards), George Costanza (Jason Alexander) e Elaine (Julia Louis-Dreyfus). Seu
humor cáustico, que explora situações triviais, tornou-se
um marco. As duas caixas de DVDs permitem comparar o programa do início,
ainda pegando ritmo, às tramas cada vez mais cínicas e bizarras
que Seinfeld e o co-criador Larry David passaram a conceber com o tempo. Nos extras,
há um documentário sobre o surgimento do seriado e comentários
dos atores e produtores sobre vários episódios que são uma
atração humorística à parte.
Coleção Apostando Tudo (Multimedia Group) Os
volumes I e II dessa coleção trazem uma autêntica raridade:
oito episódios (quatro em cada disco) do popularíssimo programa
You Bet Your Life, que o comediante Groucho Marx comandou primeiro no rádio
e em seguida na televisão americana, entre 1950 e 1961, depois de encerrar
sua bem-sucedida carreira cinematográfica em companhia dos irmãos
Harpo e Chico. Combinando os formatos de talk-show e game-show, a atração
(que até aqui permanecia inédita no Brasil) era na verdade um pretexto
para Groucho exercitar seu humor absurdista e atrevido, além de incrivelmente
resistente ao tempo. Entre os herdeiros do grouchismo-marxismo conta-se, por exemplo,
o apresentador americano David Letterman e não é difícil
perceber quanto ele tomou emprestado do mestre em seu próprio programa.
Antonio
Milena
 | | Paulinho
da Viola: documentário |
Paulinho
da Viola: Meu Tempo É Hoje (Brasil, 2003. Videofilmes) O
cantor e compositor Paulinho da Viola é uma das figuras mais simpáticas
da MPB, mas também um personagem tímido pouco talhado, enfim,
para escancarar a vida num documentário. Por isso, o mínimo que
se pode dizer de Meu Tempo É Hoje é que se trata de uma grata
surpresa. Com simplicidade, a diretora Izabel Jaguaribe oferece um retrato do
artista e de seu samba à moda antiga. A fita adentra a intimidade de Paulinho
e mostra paixões como uma coleção de carros. Há ainda
belas performances musicais, como um dueto do artista com Marisa Monte.
Art
Films
 | | A
Festa de Babette: prato cheio |
A
Festa de Babette (Babettes Gaestebud, Dinamarca, 1987. PlayArte)
Na década de 1870, a francesa Babette (Stéphane Audran) foge dos
tumultos políticos em Paris para se refugiar na gelada costa dinamarquesa
da Jutlândia, onde trabalha como criada na casa de duas irmãs muito
devotas e generosas, mas também muito austeras tanto que a "ensinam"
a cozinhar de forma a tirar todo o sabor da comida. Anos depois, quando Babette
ganha na loteria, ela retribui o abrigo concedido pelas irmãs fazendo para
elas e seus companheiros de igreja um banquete principesco e colocando
os convidados num dilema, de aceitar a delicadeza da criada sem ceder aos pecaminosos
prazeres da carne. É por essas belas cenas, sobretudo, que o filme de Gabriel
Axel, ganhador do Oscar de produção estrangeira, se tornou um favorito
do público.
LIVROS
Michel
Moch
 |  | | Igreja
da Pampulha: arquitetura em debate | |
Arquitetura Moderna Brasileira,
de vários autores (tradução de Vanessa Faleck; Phaidon; 240
páginas; 225 reais) Organizado pelos estudiosos ingleses Elisabetta
Andreoli e Adrian Forty e fartamente ilustrado com fotos e desenhos, esse livro
reúne ensaios de jovens arquitetos e críticos que realizaram uma
ambiciosa revisão da arquitetura moderna no Brasil. Oscar Niemeyer, Lúcio
Costa, Lina Bo Bardi, entre outros nomes consagrados, têm sua obra revista
nos seis capítulos da obra. O mais interessante é a perspectiva
atualizada do livro: um de seus argumentos centrais é o de que a arquitetura
brasileira não parou na construção de Brasília, mas
seguiu renovando o legado modernista e criticando suas insuficiências.
O último capítulo traz uma série de análises detalhadas
de projetos recentes. O
Último Jurado, de John Grisham (tradução de A.B.
Pinheiro de Lemos; Rocco; 396 páginas; 43,50 reais) Ao lado de Scott
Turow, Grisham, com mais de 100 milhões de livros vendidos, é um
dos nomes fundamentais do romance de tribunal gênero que só
poderia ter surgido em meio à cultura litigiosa dos Estados Unidos. O
Último Jurado, porém, trata não apenas do mundo fechado
dos tribunais, mas também do jornalismo. O protagonista é Willie
Traynor, jovem que compra um jornal falido de uma pequena localidade no Mississippi.
Com um pé no sensacionalismo, Traynor aproveita um crime brutal
o estupro e assassinato de uma jovem mãe para vender mais jornais.
O assassino é Danny Padgitt, membro de uma família rica (e criminosa)
do local. Em um julgamento eletrizante (como é de costume em Grisham),
ele é condenado, mas deixa a prisão anos depois para se vingar
dos jurados que o condenaram. Leia
trecho.
A
Vida como Performance, de Kenneth Tynan (tradução de Pedro
Maia Soares; Companhia das Letras; 366 páginas; 48 reais) O inglês
Kenneth Tynan (1927-1980) foi um dos críticos teatrais mais influentes
do século XX. Esse livro reúne 25 de seus melhores perfis. São
retratos acurados de alguns gigantes do palco e do cinema, como os atores Laurence
Olivier e Marlene Dietrich e o dramaturgo Bertolt Brecht. Mas os perfis não
se limitam ao teatro em sentido estrito afinal, ele trata do jazz de Duke
Ellington e Miles Davis e até das touradas de Antonio Ordóñez.
Tynan define cada personagem com pérolas verbais como esta: "O que um homem
vê bêbado nas outras mulheres, vê sóbrio em Greta Garbo".
Leia
trecho.
O
Presente dos Magos, de O. Henry (tradução de Heloisa Seixas;
Cosac & Naify; 24 páginas; 35 reais) O americano William Sidney
Porter (1862-1910), mais conhecido pelo pseudônimo de O. Henry, granjeou
enorme popularidade escrevendo contos de faroeste (criou o bandido Cisco Kid)
e sobre o cotidiano dos habitantes pobres de Nova York. Dentre seus contos urbanos,
O Presente dos Magos é talvez o mais conhecido. Sentimental como
um bom filme de Frank Capra, a história do casal pobre e apaixonado que
faz um esforço desencontrado para se presentear tornou-se um clássico
natalino. Com belas ilustrações de Odilon Moraes, o livro é
uma pedida de presente para as crianças. |