Edição 1885 . 22 de dezembro de 2004

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A solução chamada transgênicos

Alimentos geneticamente modificados
são mais antigos do que se imagina
– e mais benéficos ao ambiente também

Os transgênicos existem há mais tempo do que a maioria das pessoas imagina. "Há 80 anos a humanidade consome produtos com algum tipo de alteração genética", diz a geneticista Maria Helena Zanettini, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Desde o início do século passado cientistas fazem experiências com espécies vegetais. Muitas estão há décadas nas prateleiras dos supermercados. Segundo levantamento da FAO, órgão das Nações Unidas para a alimentação, e da Agência Internacional de Energia Atômica, existem na praça 2 300 produtos cujo DNA original foi alterado por métodos rudimentares, como exposição intencional a radiação ou a agentes químicos. É o caso, por exemplo, do tomate que se compra em qualquer supermercado.

Teoricamente, os efeitos dessas experiências são até menos conhecidos que os dos transgênicos modernos, obtidos por manipulação direta do DNA, exaustivamente testados antes de ser liberados para o plantio. E esse é apenas um dos argumentos a favor dos novos transgênicos. Em média 8% mais produtivos, grãos modificados, como o de uma das variedades de soja cultivadas no Brasil, podem desempenhar papel importante até na preservação de florestas: em tese, consegue-se maior produção em área menor, preservando florestas, por exemplo. Como exigem 80% menos inseticida do que as variedades convencionais e são resistentes aos herbicidas, os transgênicos reduzem a contaminação do solo, dos rios e dos próprios alimentos.

Em oito anos, o número de países que autorizaram a pesquisa e o cultivo de sementes transgênicas subiu de seis para dezesseis. De 1996 até agora, a área mundial cultivada com essas sementes saltou de 1,7 milhão de hectares para mais de 60 milhões de hectares. Gigantes da agricultura, como Brasil e México, caminham em direção à legalização do cultivo. A China, a maior consumidora da soja brasileira, dá sinais de que vai abrir seu mercado para os geneticamente modificados. Além da soja, há mais de setenta espécies com importantes variedades transgênicas: milho, arroz, hortaliças, frutas, árvores, plantas ornamentais e até pastagens.

Os transgênicos também estão presentes nas indústrias farmacêutica e química e na engenharia de novos materiais. Mais de 400 produtos de uso médico têm em sua fórmula organismos geneticamente modificados. Insulina e anticoagulantes de última geração são alguns exemplos. Plásticos biodegradáveis, que não agridem a natureza, estão surgindo dessas pesquisas.

Possíveis efeitos nocivos ainda são objeto de estudo, mas nada se achou até agora que condene as experiências atuais. Isso não eliminou as dúvidas dos ambientalistas quanto a possíveis danos a longo prazo ao organismo humano e ao equilíbrio ambiental das regiões onde são cultivados. Um relatório divulgado em novembro pela Comissão para Cooperação Ambiental da América do Norte – entidade que reúne especialistas de Estados Unidos, Canadá e México – recomendou às autoridades dos três países maior cuidado com o cultivo de milho transgênico no México. O documento é categórico quanto à ausência de risco à saúde de quem come esse tipo de milho, questão exaustivamente pesquisada ao longo de duas décadas. O que a comissão teme é a "contaminação" de lavouras tradicionais, afetando a cadeia alimentar.

 

A China está pronta

Reuters

Maior produtora mundial de arroz, a nação mais populosa da Terra ainda emprega métodos de cultivo tradicionais, como nesta plantação na província de Yunnan (acima). Mas os cientistas chineses já estão testando variedades transgênicas, resistentes a pesticidas. Seu uso em grande escala ainda está sujeito à aprovação do comitê chinês de biossegurança. Em outros países, modificações genéticas são comuns. A foto menor mostra a comparação entre duas variedades de milho mexicanas – a maior é a transgênica

 

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O clima está mudando rapidamente
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O mar está perdendo fôlego
1 000 toneladas de lixo por segundo
Artigo: O que o El Niño pode nos ensinar
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Até onde o homem contribui para a degradação
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A solução chamada transgênicos
 
 
 
 
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