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Especial A
solução chamada transgênicos Alimentos
geneticamente modificados são mais antigos do que se imagina
e mais benéficos ao ambiente também Os transgênicos
existem há mais tempo do que a maioria das pessoas imagina. "Há
80 anos a humanidade consome produtos com algum tipo de alteração
genética", diz a geneticista Maria Helena Zanettini, professora da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. Desde o início do século passado cientistas
fazem experiências com espécies vegetais. Muitas estão há
décadas nas prateleiras dos supermercados. Segundo levantamento da FAO,
órgão das Nações Unidas para a alimentação,
e da Agência Internacional de Energia Atômica, existem na praça
2 300 produtos cujo DNA original foi alterado por métodos rudimentares,
como exposição intencional a radiação ou a agentes
químicos. É o caso, por exemplo, do tomate que se compra em qualquer
supermercado. Teoricamente, os efeitos dessas experiências
são até menos conhecidos que os dos transgênicos modernos,
obtidos por manipulação direta do DNA, exaustivamente testados antes
de ser liberados para o plantio. E esse é apenas um dos argumentos a favor
dos novos transgênicos. Em média 8% mais produtivos, grãos
modificados, como o de uma das variedades de soja cultivadas no Brasil, podem
desempenhar papel importante até na preservação de florestas:
em tese, consegue-se maior produção em área menor, preservando
florestas, por exemplo. Como exigem 80% menos inseticida do que as variedades
convencionais e são resistentes aos herbicidas, os transgênicos reduzem
a contaminação do solo, dos rios e dos próprios alimentos.
Em oito anos, o número de países
que autorizaram a pesquisa e o cultivo de sementes transgênicas subiu de
seis para dezesseis. De 1996 até agora, a área mundial cultivada
com essas sementes saltou de 1,7 milhão de hectares para mais de 60 milhões
de hectares. Gigantes da agricultura, como Brasil e México, caminham em
direção à legalização do cultivo. A China,
a maior consumidora da soja brasileira, dá sinais de que vai abrir seu
mercado para os geneticamente modificados. Além da soja, há mais
de setenta espécies com importantes variedades transgênicas: milho,
arroz, hortaliças, frutas, árvores, plantas ornamentais e até
pastagens. Os transgênicos também
estão presentes nas indústrias farmacêutica e química
e na engenharia de novos materiais. Mais de 400 produtos de uso médico
têm em sua fórmula organismos geneticamente modificados. Insulina
e anticoagulantes de última geração são alguns exemplos.
Plásticos biodegradáveis, que não agridem a natureza, estão
surgindo dessas pesquisas. Possíveis efeitos
nocivos ainda são objeto de estudo, mas nada se achou até agora
que condene as experiências atuais. Isso não eliminou as dúvidas
dos ambientalistas quanto a possíveis danos a longo prazo ao organismo
humano e ao equilíbrio ambiental das regiões onde são cultivados.
Um relatório divulgado em novembro pela Comissão para Cooperação
Ambiental da América do Norte entidade que reúne especialistas
de Estados Unidos, Canadá e México recomendou às autoridades
dos três países maior cuidado com o cultivo de milho transgênico
no México. O documento é categórico quanto à ausência
de risco à saúde de quem come esse tipo de milho, questão
exaustivamente pesquisada ao longo de duas décadas. O que a comissão
teme é a "contaminação" de lavouras tradicionais, afetando
a cadeia alimentar.
A China está pronta Reuters
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Maior produtora mundial de arroz, a nação mais populosa da Terra
ainda emprega métodos de cultivo tradicionais, como nesta plantação
na província de Yunnan (acima). Mas os cientistas chineses já
estão testando variedades transgênicas, resistentes a pesticidas.
Seu uso em grande escala ainda está sujeito à aprovação
do comitê chinês de biossegurança. Em outros países,
modificações genéticas são comuns. A foto menor mostra
a comparação entre duas variedades de milho mexicanas a maior
é a transgênica | | |