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Especial Para
onde vamos Os cientistas
dizem que não
há como parar o aquecimento global.
Seu ritmo de expansão, porém, pode ser reduzido Ninguém
é capaz de dizer exatamente como será o planeta dentro de cinqüenta
ou 100 anos. Mas centenas de pesquisas permitem afirmar com segurança que
o futuro será mais quente. Todas elas, das mais otimistas às mais
pessimistas, indicam que a vida sobre a Terra terá de se adaptar a novas
condições. É provável que dentro de um século
alguns pontos do planeta estejam 6 graus mais quentes do que hoje. O nível
do mar pode subir até 80 centímetros. Essas mudanças serão
sentidas por centenas de milhões de pessoas. Segundo uma das previsões,
Bangladesh, pequena nação asiática com 140 milhões
de habitantes, perderá 16% de seu território para o mar. Isso obrigaria
20 milhões de pessoas a se transferir para terras mais altas. Problemas
semelhantes podem se verificar um pouco em toda parte, de Nova York ao Recife.
Os mais poderosos supercomputadores de hoje
ainda precisam de meses de cálculo para prever cenários futuros,
ainda assim com muita incerteza. Resultados já
divulgados indicam que secas, tornados e furacões deverão ficar
mais fortes e constantes. O cálculo é complexo, mas a explicação
é simples. A elevação da temperatura provoca mais evaporação
e mais umidade na atmosfera, o que favorece a formação de tempestades.
Quatro furacões em seis semanas no Caribe, como aconteceu neste ano, é
algo que nunca tinha sido visto. "Não dá para dizer que sejam resultado
do efeito estufa, mas são um exemplo perfeito de como poderá ser
o futuro", explica o meteorologista Carlos Nobre, coordenador-geral de previsão
do tempo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Veja outras previsões:
A Organização Mundial de Saúde estima que em duas décadas
o saldo de mortes provocadas pelo efeito estufa deverá ser de mais de 300
000 por ano.
Economistas da Universidade Yale afirmam que os prejuízos provocados pelos
fenômenos climáticos deverão chegar a 794 bilhões de
dólares por década, a partir de 2010.
Segundo estudo do Conselho Ártico entidade que reúne os países
vizinhos do Pólo Norte, como Noruega, Canadá e Rússia ,
até o fim do século o Círculo Polar Ártico ficará
sem gelo durante o verão e o princípio do outono.
A Universidade de Leeds, na Inglaterra, estima que 1 milhão de espécies
são vulneráveis ao aquecimento e que 15% a 35% poderão estar
extintas em 2050.
Pesquisa do cientista israelense Roni Avissar, da universidade americana
Duke, relacionou o desmatamento na Amazônia à redução
das chuvas no Meio Oeste dos Estados Unidos, onde se concentra o grosso da produção
agrícola americana.
No Brasil, cientistas do Inpe e da Universidade de São Paulo prevêem
que em cinqüenta anos o clima no país será desfavorável
ao plantio de café em São Paulo e de algodão no Centro-Oeste.
Pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados
Unidos, afirmaram recentemente na revista Science que todas as alterações
climáticas registradas nos últimos 400 milênios têm
relação direta com a quantidade de CO2 na
atmosfera. Sempre que houve elevação da temperatura e derretimento
de calotas polares, os índices de CO2 eram próximos
dos de hoje. Assim como no passado, o derretimento das calotas polares afeta as
correntes marítimas determinadas pela temperatura das águas
e estas afetam o clima global como no norte da Europa, onde amenizam
o frio. Cenas como as mostradas no filme O
Dia Depois de Amanhã, do diretor Roland Emmerich em que o clima
da Terra mudou em apenas uma semana, provocando uma era glacial , são
impossíveis na vida real, porém. Os pesquisadores descartam qualquer
mudança abrupta, o que permitirá à humanidade se antecipar.
"O que não podemos é ignorar as evidências", diz o físico
americano James Hansen, da Nasa. Para o cientista, por meio de ações
práticas pode-se não só desacelerar o aquecimento como também,
a longo prazo, neutralizá-lo, impedindo que as catástrofes venham
a ocorrer. Essas previsões, dizem os cientistas da corrente otimista, não
levam em conta as evoluções tecnológicas dos próximos
cinqüenta ou 100 anos. Vários cenários catastróficos
elaborados no passado não levaram em consideração essas mudanças
importantes.
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