Edição 1885 . 22 de dezembro de 2004

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Vilões ambientais

O homem polui para gerar energia,
mas alternativas limpas começam
a se tornar viáveis

 

Ivan Sekretarev/AP

Usinas de problemas
Cerca de 11% da eletricidade que abastece a Rússia é produzida pelos 29 reatores nucleares em operação. Desde os anos 80, quando a economia soviética entrou em colapso, a segurança dessas usinas e o destino do lixo nuclear russo são motivo de preocupação internacional

A maior parte da energia consumida no planeta vem das chamadas fontes sujas – principalmente petróleo e carvão mineral. Elas são a principal causa da elevação dos níveis de CO2 na atmosfera e criam outros riscos ao ambiente. Petroleiros realizam viagens transoceânicas transportando milhões de toneladas de óleo cru. Estão sempre sujeitos a vazamentos catastróficos, como os do Exxon Valdez, em 1989, na costa do Alasca, e do Prestige, em 2002, que tingiu de negro as costas da Espanha e da França. Tubulações que transportam gás e petróleo também são um risco constante para o meio ambiente.

Na lista dos combustíveis sujos enquadram-se igualmente as fontes da eletricidade que abastece empresas e residências. A mais polêmica é a energia nuclear, que, embora não lance poluentes na atmosfera, gera rejeitos que se transformam em um problemão ambiental praticamente eterno. Ainda não foram bem resolvidas as questões de o que fazer com essas sobras e como tornar as usinas à prova de vazamentos. Acredita-se que o lixo atômico tenha poder de contaminação por mais de 30 000 anos. A solução atual é, literalmente, enterrar o problema. Acondicionado em caixas blindadas, o lixo é jogado em minas subterrâneas ou em estruturas de concreto construídas no subsolo. Na Alemanha, diante da questão dos rejeitos radioativos, o governo anunciou que pretende fechar todas as usinas nucleares em um prazo de trinta anos. Em quatro décadas de pesquisas, os cientistas do país não entraram em um acordo sobre as melhores áreas para os depósitos.

Na lista de grandes geradores de energia – e de problemas ambientais – também estão as hidrelétricas. Elas são, teoricamente, uma fonte limpa. Mas, além de alagarem e desestruturarem complexos ambientais, são emissoras de metano, um gás com poder de retenção de calor 21 vezes maior que o do dióxido de carbono. Isso porque guardam em seus reservatórios bilhões de toneladas de matéria orgânica que, ao se decompor, se tornam fontes poluentes. Segundo cálculos do ecólogo Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, somente as quatro maiores represas da Amazônia (Tucuruí, Balbina, Samuel e Curuá-Una) emitiram juntas, em 1990, quatro vezes mais gases causadores do efeito estufa do que se produziria gerando a mesma quantidade de energia com combustíveis fósseis.

As alternativas são as chamadas fontes limpas – energias solar, eólica e das marés, por exemplo. Produzidas para poluir menos ou, em alguns casos, nada, elas ainda são caras demais para se tornar um substituto viável às fontes atuais, mas deixaram de ser vistas como projetos de cientistas malucos e vêm sendo levadas a sério por governos e empresas de grande porte (leia texto sobre alternativas limpas).

 
NESTA EDIÇÃO
O clima está mudando rapidamente
As transformações em todo o planeta
Os limites da exploração de recursos naturais
O paradoxo da abundância
Cada um destes incêndios tem 15 km²
O mar está perdendo fôlego
1 000 toneladas de lixo por segundo
Artigo: O que o El Niño pode nos ensinar
Entrevista: David King
Até onde o homem contribui para a degradação
O que os cientistas dizem sobre o futuro
Como podemos melhorar esse cenário
A solução chamada transgênicos

 
 
 
 
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