Edição 1885 . 22 de dezembro de 2004

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Cada um destes incêndios
tem 15 km²

Provocadas pelo homem, queimadas como
estas na África ameaçam a biodiversidade,
alteram o clima e geram bilhões em prejuízos.
Mesmo assim, seu número não pára de crescer

 

A África em chamas
A cada ano, no início de maio, a África fica coberta de nuvens de fumaça. A imagem desta página, que abrange o oeste da República Democrática do Congo e o norte de Angola, mostra 4000 incêndios florestais simultâneos, provocados pelo homem para abrir caminho para pastagens e plantações. O impacto dessa antiga prática é muito maior do que o simples dano ao solo. Somados, tantos focos de chamas afetam o clima em uma vasta parte do continente. Prova disso é a imagem da direita, obtida por satélite um mês depois da foto maior. As áreas amarelas e vermelhas representam uma densa nuvem de monóxido de carbono espraiando-se muito além da zona original dos incêndios (indicada no retângulo abaixo).

O homem é culpado por mais de 95% dos incêndios em florestas. Segundo a Nasa, que monitora por satélite as ocorrências em todo o mundo, já se chegaram a queimar em apenas um ano 820 milhões de hectares. É como se um Brasil inteiro tivesse sido incendiado. É somente uma comparação, mas o Brasil também é um dos líderes nesse ranking negativo. Em 2004, os satélites identificaram cerca de 226 000 focos de incêndio em todo o Brasil. Há quatro anos, o número era menos que a metade desse total. A fumaça gerada pelas queimadas lança na atmosfera quase três vezes o total de poluentes gerado no Brasil pela indústria, pelos transportes e pela agricultura, segundo um inventário divulgado em dezembro pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. A Amazônia responde por 77% das emissões, produzindo 776 milhões de toneladas de partículas de CO2 por ano. O custo não é apenas ambiental. O prejuízo com cercas e pastos queimados é de 100 milhões de dólares por ano.

Na África, assim como na Amazônia, o fogo é usado para limpar a roça, na preparação para o plantio e na abertura de pastagens. Freqüentemente as chamas fogem ao controle. Na Europa, os países do Mediterrâneo enfrentam todo ano uma média de 50 000 incêndios florestais. Muitos deles começam como pequenos focos provocados pelo homem. A recorrência das queimadas está empobrecendo a vegetação e alguns cientistas falam em desertificação de parte de Portugal, Espanha, Grécia e sul da França. Nos Estados Unidos, em 2003, o fogo florestal na Califórnia atingiu cerca de 2 400 casas, matou vinte pessoas e causou prejuízos de mais de 2 bilhões de dólares. Os 63 000 focos de incêndio registrados neste ano em matas americanas destruíram 3 milhões de hectares.

 
NESTA EDIÇÃO
O clima está mudando rapidamente
As transformações em todo o planeta
Os limites da exploração de recursos naturais
O paradoxo da abundância
Cada um destes incêndios tem 15 km²
O mar está perdendo fôlego
1 000 toneladas de lixo por segundo
Artigo: O que o El Niño pode nos ensinar
Entrevista: David King
Até onde o homem contribui para a degradação
O que os cientistas dizem sobre o futuro
Como podemos melhorar esse cenário
A solução chamada transgênicos

 
 
 
 
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