Edição 1885 . 22 de dezembro de 2004

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Além dos limites

Os pessimistas, que previam fome no
planeta com o crescimento da população,
estavam enganados. Mas os recursos
naturais continuam ameaçados pelos
6,5 bilhões de habitantes da Terra

 
AP
O efeito das marés negras
Muitos petroleiros não têm cascos suficientemente protegidos. Na esteira de grandes desastres, a União Européia e outros governos começaram a tomar medidas como a obrigatoriedade de cascos reforçados. Mas enquanto esses cuidados não se tornam universais, desastres como o do Prestige, que em novembro de 2002 inundou as praias francesas e espanholas (foto) com 75 milhões de litros de resíduos de óleo combustível, continuam a prejudicar a fauna e a economia de grandes regiões.

No Ensaio sobre o Princípio da População, de 1798, o economista inglês Thomas Malthus previa que, como o número de habitantes da Terra crescia em escala superior à da produção de alimentos, fome e guerras por comida seriam inevitáveis. O engenho humano impediu que se confirmasse o catastrofismo malthusiano. Os avanços tecnológicos aplicados à agricultura multiplicaram as safras e, se a fome persiste em muitas partes do globo, isso se deve menos à falta de alimentos do que à desigualdade na distribuição. O mesmo equívoco de Malthus – não considerar a criatividade do homem – pode estar sendo cometido quando se fala do meio ambiente. Mas ainda não há manifestação de engenhosidade que dê solução à pressão sobre os recursos naturais decorrente do crescimento populacional. E o planeta dá sinais claros de que já se passou da medida.

A geração de energia e a busca de matérias-primas aniquilaram alguns ecossistemas. Metais pesados foram despejados nos rios e áreas de florestas, e montanhas se transformaram em crateras após décadas de mineração. Esse desequilíbrio resulta de várias atividades humanas – queimadas, poluição e pesca excessiva são algumas apresentadas nas próximas páginas. Nada disso começou ontem, como se vê por exemplos que remontam a 30 000 anos. Paleontologistas creditam a extinção de três espécies de mamutes e do bisão gigante aos primeiros homens que chegaram às Américas. Se na pré-história o homem extinguiu meia dúzia de espécies animais, hoje mais de 15 000 estão ameaçadas em todo o planeta. Somente em 2004, 3 000 foram acrescentadas a essa lista. "Pode-se dizer que estamos vivendo um novo processo de extinção em massa", afirma o biólogo Adriano Paglia, da organização não-governamental Conservação Internacional, referindo-se a ciclos anteriores de desaparecimento de espécies, como o que acabou com os dinossauros. "Só que este é o primeiro causado pelo homem."

 
NESTA EDIÇÃO
O clima está mudando rapidamente
As transformações em todo o planeta
Os limites da exploração de recursos naturais
O paradoxo da abundância
Cada um destes incêndios tem 15 km²
O mar está perdendo fôlego
1 000 toneladas de lixo por segundo
Artigo: O que o El Niño pode nos ensinar
Entrevista: David King
Até onde o homem contribui para a degradação
O que os cientistas dizem sobre o futuro
Como podemos melhorar esse cenário
A solução chamada transgênicos

 
 
 
 
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