|
|
Especial Além
dos limites Os pessimistas, que previam fome no
planeta com o crescimento da população, estavam enganados. Mas
os recursos naturais continuam ameaçados pelos 6,5 bilhões
de habitantes da Terra
AP
 | O
efeito das marés negras Muitos
petroleiros não têm cascos suficientemente protegidos. Na esteira
de grandes desastres, a União Européia e outros governos começaram
a tomar medidas como a obrigatoriedade de cascos reforçados. Mas enquanto
esses cuidados não se tornam universais, desastres como o do Prestige,
que em novembro de 2002 inundou as praias francesas e espanholas (foto)
com 75 milhões de litros de resíduos de óleo combustível,
continuam a prejudicar a fauna e a economia de grandes regiões. |
| No Ensaio sobre o Princípio
da População, de 1798, o economista inglês Thomas Malthus
previa que, como o número de habitantes da Terra crescia em escala superior
à da produção de alimentos, fome e guerras por comida seriam
inevitáveis. O engenho humano impediu que se confirmasse o catastrofismo
malthusiano. Os avanços tecnológicos aplicados à agricultura
multiplicaram as safras e, se a fome persiste em muitas partes do globo, isso
se deve menos à falta de alimentos do que à desigualdade na distribuição.
O mesmo equívoco de Malthus não considerar a criatividade
do homem pode estar sendo cometido quando se fala do meio ambiente. Mas
ainda não há manifestação de engenhosidade que dê
solução à pressão sobre os recursos naturais decorrente
do crescimento populacional. E o planeta dá sinais claros de que já
se passou da medida. A geração de
energia e a busca de matérias-primas aniquilaram alguns ecossistemas. Metais
pesados foram despejados nos rios e áreas de florestas, e montanhas se
transformaram em crateras após décadas de mineração.
Esse desequilíbrio resulta de várias atividades humanas queimadas,
poluição e pesca excessiva são algumas apresentadas nas próximas
páginas. Nada disso começou ontem, como se vê por exemplos
que remontam a 30 000 anos. Paleontologistas creditam a extinção
de três espécies de mamutes e do bisão gigante aos primeiros
homens que chegaram às Américas. Se na pré-história
o homem extinguiu meia dúzia de espécies animais, hoje mais de 15
000 estão ameaçadas em todo o planeta. Somente em 2004, 3 000 foram
acrescentadas a essa lista. "Pode-se dizer que estamos vivendo um novo processo
de extinção em massa", afirma o biólogo Adriano Paglia, da
organização não-governamental Conservação Internacional,
referindo-se a ciclos anteriores de desaparecimento de espécies, como o
que acabou com os dinossauros. "Só que este é o primeiro causado
pelo homem." |