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Edição 1983 . 22 de novembro de 2006

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DVDs

Divulgação
Over There: realismo extremo, numa série sobre a guerra no Iraque


Over There – A Série Completa
(Estados Unidos, 2005. Fox) – Desde o fim da II Guerra os americanos não se arriscavam a fazer um filme ou um programa de televisão sobre um conflito armado em que ainda estivessem envolvidos. Os treze capítulos de Over There, que acompanham um destacamento americano em combate no Iraque, quebraram esse jejum – e confirmaram os riscos de uma empreitada do gênero. Os produtores Steven Bochco (de Nova York contra o Crime) e Chris Gerolmo (de Mississippi em Chamas) tomaram precauções para não fazer de sua criação uma peça de propaganda, de esquerda ou de direita, e cuidaram de que os oito personagens principais refletissem de alguma forma a miríade de opiniões a respeito da guerra. Eles incluem desde um universitário que os colegas chamam de Bronco (porque, apesar de ter um diploma, ele fez a besteira de se alistar) até um rapaz de Detroit que rejeita sua origem iraquiana – além de duas mulheres. Over There, entretanto, foi vitimada por seu próprio realismo, que em diversos momentos supera o das imagens liberadas para os noticiários: acabou cancelada ao fim dessa primeira temporada.

Napoleão Dynamite (Napoleon Dynamite, Estados Unidos, 2004. Fox) – Interpretado pelo então desconhecido Jon Heder, que virou sensação cômica entre o público americano, o personagem-título é um fracassado: é feioso, não tem amigos – exceto Pedro (Efren Ramirez), único latino de sua escola –, mora com a avó e o irmão quase imbecil e anda com um tio que ficou preso em algum ponto dos anos 80 e é ainda mais aparvalhado do que ele. Há, é claro, um bocado de maldade no filme do diretor Jared Hess (que voltou ao tema dos "perdedores" no recente Nacho Libre, ainda inédito aqui). Pode-se mesmo dizer que ele anda no fio da navalha, entre a solidariedade e o ridículo para com seus protagonistas. Mas não há dúvida de que esse é um dos exemplares mais bem-acabados dessa tradição recente do cinema americano.

 

LIVROS

Uma Nova República, de John Lukacs (tradução de Vera Galante; Jorge Zahar; 488 páginas; 69 reais) – O subtítulo desse livro – versão atualizada e ampliada de uma obra publicada nos anos 80 – é História dos Estados Unidos no Século XX. A primeira parte centra-se na trajetória histórica do país no século passado, reconstituindo fatos e datas. A obra cresce, porém, na segunda parte, um ambicioso ensaio de interpretação histórica. Nascido na Hungria, o historiador John Lukacs – conhecido por seus livros sobre a II Guerra, como Cinco Dias em Londres – analisa mudanças essenciais na democracia americana, como o crescimento do conservadorismo, a expansão da burocracia e a importância crescente da publicidade nas eleições. Leia trecho.

 
Hulton Archive/Getty Images
Kafka: mitologia do século XX  

K., de Roberto Calasso (tradução de Samuel Titan Jr.; Companhia das Letras; 280 páginas; 46 reais) – Em As Núpcias de Cadmo e Harmonia, um best-seller em seu país natal, o escritor italiano Roberto Calasso revisitou a mitologia grega com uma prosa que transitava entre o romance e o ensaio. Em outro livro, Ka, o tema foi a ancestral mitologia indiana. Embora o título pareça o mesmo, esse novo K. trata de um escritor mais próximo do leitor moderno: o checo Franz Kafka (1883-1924). Com um conhecimento seguro da obra do autor, Calasso passeia de seus escritos privados – cartas e diários – a obras-primas como O Castelo e A Metamorfose, para desvendar o que talvez seja a mitologia do século XX. Uma mitologia desencantada, muito distante dos luminosos deuses gregos ou indianos. Leia trecho.

 

EXPOSIÇÃO

Divulgação
Rio de Janeiro, século XIX: achados australianos


O Rio de Janeiro na Rota dos Mares do Sul
(a partir do dia 22, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro) – De meados do século XVIII à abertura do Canal de Suez, em 1869, os regimes de ventos e correntes tornavam o Rio de Janeiro escala quase obrigatória para as embarcações que iam da Europa para a Oceania. O encantamento dos artistas que acompanhavam essas expedições com a paisagem carioca resultou na produção de uma pouco conhecida iconografia. Esses belos trabalhos foram redescobertos pelo diplomata brasileiro Pedro da Cunha e Menezes, que serviu em Sidney como cônsul adjunto entre 2001 e 2004. A mostra reúne setenta aquarelas, litografias, grafites, manuscritos e diários de bordo trazidos da Austrália e cinqüenta obras pertencentes a instituições brasileiras sobre o Rio do século XIX.

 

DISCOS

Pieces of the People We Love, The Rapture (Universal) – Esse disco é uma espécie de redenção para o quarteto nova-iorquino. Em 2003, quando lançou seu álbum de estréia, o Rapture soava como um pastiche de bandas inglesas da década de 80 – principalmente The Cure. Pieces of the People We Love traz uma sonoridade contemporânea, graças à produção do DJ Danger Mouse (conhecido pelo trabalho ao lado do Gorillaz). O Rapture aumentou o volume das guitarras e criou faixas mais dançantes, como House of Jealous Lover. Se você estuda inglês, vale a pena decifrar a letra da canção Wooh! Alright Yeah... Uh huh, que enumera os artistas que serviram de influência ao Rapture.

Ray Sings, Basie Swings, Ray Charles and Count Basie Orchestra (Universal) – Em 1991, a cantora Natalie Cole ressuscitou digitalmente o pai, Nat King Cole, para fazer um dueto na canção Unforgettable. Desde então, são comuns os "duetos do além". Esse reúne o cantor Ray Charles e a banda do jazzista Count Basie. É obra do produtor John Buck, que, ao explorar velhos arquivos, encontrou um concerto de Ray Charles realizado em 1973. Como o som dos instrumentos estava deteriorado, ele recrutou a orquestra do maestro Count Basie para refazer as bases. Nenhum dos integrantes atuais estava presente à gravação original, mas o disco soa perfeito. A releitura de The Long and Winding Road, dos Beatles, está entre os muitos pontos altos do CD.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Campo Grande: Leitura; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Natal: Sodiler; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.
 
 
 
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