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Ponto
de vista: Stephen Kanitz Generosidade
masculina
"Se você pretende se casar
com um homem inteligente, competente e generoso
e que não vai controlar eternamente os
seus gastos, procure os homens sob a ótica antiga"
É tão generalizada a visão
de que os homens na maior parte são egoístas, gananciosos e só
pensam em si que fico até constrangido em tentar mostrar alguns fatos e
dados que colocam essas generalizações ofensivas em xeque. Antigamente,
um dos critérios que as mulheres usavam para escolher seus pares era justamente
a generosidade masculina. Elas ficavam muito atentas para detectar homens generosos,
aqueles que pagavam a conta num jantar (dele e dela). Aqueles que as levavam a
lugares caros, um teatro ou concerto, os que davam flores todos os dias, jóias
e presentes caríssimos. Elas sabidamente procuravam um par que estivesse
ganhando muito mais do que precisava para viver sozinho. Que tivesse excedentes
quando solteiro e, por conseguinte, dinheiro de sobra para cuidar de mais pessoas
no futuro. Portanto, casavam-se com homens que não iriam se sentir mais
pobres depois da lua-de-mel e que não reclamariam todos os dias dos gastos
da mulher. Casavam-se com homens acostumados a gastar mais com os outros do que
consigo. Não
é coincidência que "generosidade" advenha do próprio termo
"gênero". Pode-se argumentar que a generosidade masculina é uma conseqüência
da ação feminina, que não é mérito dos homens.
Mas afirmar que os homens são todos canalhas e egoístas como encontramos
em alguns textos acadêmicos não confere com os fatos. Infelizmente,
esse método de seleção passou a ser considerado politicamente
incorreto. A generosidade masculina passou a ser considerada mais uma forma de
opressão machista ou uma forma de suborno para obter algo em troca. Ativistas
defenderam o direito de igualdade na hora de pagar as contas, em vez de defender
a generosidade recíproca, ou o altruísmo recíproco, que seria
a causa mais correta. Hoje, a maioria das mulheres trabalha, e o critério
agora vale para os homens também. Certamente, eles estão atentos
àquelas que gastam bem menos do que ganham, que dão presentes caríssimos
ao namorado, que pagam o jantar para ambos, em vez de simplesmente dividir a conta.
As mulheres de hoje foram induzidas a se casar
com homens menos generosos, egoístas de fato, e o resultado está
aí. O número de casamentos fracassados e divórcios não
parou de subir nos últimos trinta anos. A briga de casal por causa de dinheiro
é uma das três principais razões para a separação.
Mas há uma segunda conseqüência ainda mais nefasta. Os homens
passaram a gastar não mais com as mulheres por quem se apaixonam, mas consigo.
Passaram a comprar canetas Montblanc, sapatos e roupas de grife, em vez de rosas
e presentes caros para elas. Continuaram tentando mostrar às mulheres que
eles ganham muito mais do que precisam para viver, razão pela qual as mulheres
os adoram mesmo assim. Continuam usando o mesmo critério de seleção,
mas de uma forma equivocada. Em nome de uma ideologia,
transformaram o homem generoso de antigamente no homem narcisista de hoje. Toda
essa ostentação e esse consumo supérfluo não são
fruto do "capitalismo neoliberal" nem do "mercado de consumo", mas de uma visão
equivocada do que é "politicamente correto" nas relações
de gênero. A generosidade masculina deixou de ser o critério de seleção
que era. Em suma, deu-se um tiro no pé. A nova geração de
mulheres saiu perdendo, pois, uma vez casadas, descobrem que terão enormes
dificuldades em convencer seus mauricinhos a trocar aquele Audi A4 por um carrinho
de bebê quando a paternidade chegar. Se você pretende se casar com
um homem inteligente, competente e generoso e que não vai controlar eternamente
os seus gastos, procure os homens sob a ótica antiga. Aqueles que ganham
mais do que precisam para viver, os que são extremamente generosos com
relação ao dinheiro. Hoje, o mesmo critério se aplica a uma
mulher. Você terá um marido ou esposa inteligente, um pai carinhoso
e uma mãe precavida, uma vida financeira sem sustos e, o mais importante,
sem dívidas para infernizá-los.
Stephen Kanitz é formado pela Harvard Business School (www.kanitz.com.br)
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