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Arte
Testados e aprovados Confirmada
a autenticidade de obras perdidas de Fra Angelico e Caravaggio  Anna
Carolina Mello
AP
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novo Caravaggio da rainha Elizabeth: achavam que fosse uma cópia |
Nas
últimas décadas, um novo tipo de pesquisador despontou no mundo
das artes. Munido de equipamentos de raios X e laudos de laboratório, e
envolvido em buscas detetivescas, ele às vezes faz pensar no seriado policial
CSI. O personagem existe porque a história da arte é uma
disciplina muito mais contenciosa e sujeita a surpresas do que se poderia imaginar:
há centenas de obras-primas que estão desaparecidas, e outras cuja
autoria é duvidosa e só pode ser estabelecida por meio de estudos
detalhados. Duas notícias põem isso em evidência. No último
dia 10, um quadro do pintor barroco italiano Caravaggio (1571-1610) foi autenticado,
depois de ser considerado uma cópia durante décadas. Ele apanhava
poeira nos depósitos da coleção de arte da rainha Elizabeth
II e foi submetido a seis anos de análise técnica antes de ser dado
como original. Na terça-feira, anunciou-se a descoberta de dois painéis
do renascentista italiano Fra Angelico (1387-1455), perdidos há mais de
200 anos. Eles foram encontrados numa casa modesta de Oxford, também na
Inglaterra. Recém-lançado
pela editora Intrinseca, o livro O Quadro Perdido, do americano Jonathan
Harr, dá uma idéia do tipo de aventura em que pode se transformar
a busca por uma pintura. Ele fala de um outro Caravaggio, A Traição
de Judas, atualmente na Galeria Nacional de Dublin. A tela foi encontrada
no começo dos anos 90. Os franciscanos que a possuíam não
tinham idéia do tesouro que estava pendurado sobre sua lareira. A comprovação
da autoria foi um processo delicado, que só se tornou possível graças
a documentos levantados em arquivos antigos e, em última análise,
ao exame químico das tintas do quadro. "Cada época usou matérias-primas
diferentes para obter seus pigmentos. Detalhes como esses podem decidir se um
quadro é ou não de um pintor", diz o professor de história
da arte Renato Brolezzi. A autenticação do novo Caravaggio, O
Chamado dos Santos Pedro e André, e dos painéis de Fra Angelico
requereu o mesmo tipo de estudo em laboratório.
O "caso Fra Angelico" é um exemplo de como a história conturbada
da Europa dispersou obras de arte. Originalmente, os painéis faziam parte
de um retábulo do mosteiro de São Marco, em Florença. Durante
as guerras napoleônicas, a obra foi dividida. Seis partes haviam sido recuperadas.
Faltavam as duas que ressurgiram na Inglaterra. Propriedade dos herdeiros de uma
arquivista, que os comprou de boa-fé num antiquário americano por
6 dólares, nos anos 60, elas serão leiloadas com o lance mínimo
de 1,8 milhão de dólares. Estima-se que o Caravaggio da rainha Elizabeth
valha mais de 90 milhões de dólares. Mas ele não pode ser
vendido, pois pertence a ela em nome da nação inglesa. |