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Beleza A
lipo sem aspiração Uma
máquina que destrói gordura localizada sem necessidade de cirurgia.
Não, não é sonho  Anna
Paula Buchalla
Roberto
Setton
 | George
Magaraia/Brainpix
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de lipo com a máquina Ultrashape e a atriz Deborah Secco: na fila de espera
para explodir uma "coisinha" |
Apesar dos progressos
obtidos nos últimos anos e eles são muitos , a lipoaspiração
continua a ser uma cirurgia como qualquer outra. Trata-se de um procedimento invasivo,
que comporta riscos, causa dores e requer um período de recuperação.
Milhares de pessoas, no entanto, são induzidas a pensar que fazer uma lipoaspiração
é tão simples como ir ao cabeleireiro. Só caem na real (para
logo depois voltar ao terreno da fantasia) quando sai a notícia de que
um paciente morreu vitimado por uma cânula. A boa-nova é que a ciência
está se movendo para tornar, de fato, a lipoaspiração um
método tão invasivo quanto cortar o cabelo. Um passo nesse sentido
é a máquina Ultrashape. Não há cânulas nem agulhas
no procedimento. Apenas ondas de ultra-som, utilizadas para destruir a gordura
localizada que, depois, é eliminada gradualmente pelo organismo.
"Dá para mudar o manequim em três sessões", diz a dermatologista
paulista Shirlei Borelli. Uma das mais entusiasmadas com o Ultrashape é
a atriz Deborah Secco. Pois é, ela não está satisfeita com
a silhueta. "É para tirar aquelas coisinhas que incomodam e só você
vê", diz. A "coisinha", no caso de Deborah, é uma gordurinha localizada
entre os seios e as axilas. A atriz está na lista de espera do consultório
da dermatologista carioca Karla Assed, que importou a máquina.
Os resultados estão longe de ser os mesmos de uma lipoaspiração
clássica. Enquanto a máquina elimina em média 300 gramas
de gordura por sessão, com a lipo tradicional é possível
subtrair até 4 quilos de uma única vez. Pode-se, evidentemente,
fazer várias sessões de Ultrashape. Mas o tratamento só pode
ser repetido a intervalos de um mês o tempo necessário para
que o organismo se livre da gordura destruída pelas ondas de ultra-som.
Cada sessão dura cerca de uma hora e meia e os preços variam de
1.200 a 2.000 reais. Dói no bolso, mas o corpo não sente nada.
"As pesquisas para encontrar um método não invasivo
de eliminação de gordura estão completando uma década.
Sem dúvida, o Ultrashape representa um bom avanço", diz o cirurgião
plástico João Carlos Sampaio Góes, de São Paulo. A
máquina funciona do seguinte modo: por meio de ondas sonoras de alta potência
e baixa freqüência, como aquelas utilizadas para destruir pedras nos
rins, ela quebra as células de gordura em pequenos pedaços. A seguir,
esses fragmentos são transportados, pelo sistema linfático e pela
corrente sanguínea, até o fígado, onde se transformam em
colesterol e energia para o organismo. Os estudos clínicos realizados até
agora não indicaram um aumento substantivo nos níveis de colesterol
e triglicérides entre os pacientes submetidos ao Ultrashape. Isso porque
a quantidade de gordura retirada pela nova técnica é pequena. "Uma
vez no fígado, não há diferença entre a quantidade
de gordura eliminada pelo tratamento e a que é obtida numa refeição",
afirma Sampaio Góes. "Pode-se dizer que cada sessão libera uma quantidade
de gordura semelhante à de uma feijoada", diz. Ainda assim o fabricante
não recomenda o uso do Ultrashape a vítimas de doenças hepáticas
e metabólicas e portadores de marca-passo ou próteses na área
a ser tratada. O método de
derreter as células de gordura por meio de ondas sonoras começou
a ser desenvolvido por médicos israelenses em 2002. Hoje, a máquina
já está sendo usada em 37 países. Em agosto passado, no Congresso
da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, foi apresentado
um estudo americano com 137 pacientes que utilizaram o Ultrashape. Ele atestou
a sua segurança e concluiu que basta uma aplicação para diminuir
medidas indesejáveis em 2 centímetros, em média. Duas inovações
tecnológicas permitiram a criação dessa lipo sem cortes (ela
é chamada assim comercialmente). A primeira foi o desenvolvimento de um
ultra-som mais preciso, projetado para atingir exclusivamente as células
de gordura, sem queimar pele, músculos, vasos ou nervos. A segunda inovação
foi um programa de computador que mapeia a área a ser trabalhada. Um sensor
óptico guia o médico durante todo o tempo, indicando os alvos a
ser atingidos pelo ultra-som. Não há risco, assim, de um mesmo local
ser bombardeado mais de uma vez, o que poderia levar ao surgimento de irregularidades
na superfície da pele. |