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Beleza Compridas
para sempre Sabe as unhas enormes e coloridas
que as americanas adoram? Pois estão disponíveis nos salões
do Brasil  Laura
Ming
Mirian
Fichtner
 | | Paula,
ex-roedora: camadas de gel de silicone | |
Qualquer
pessoa que tenha passado por uma loja, um balcão de aeroporto, uma recepção
de hotel ou outra situação que envolva uma atendente e um teclado
de computador nos Estados Unidos certamente notou as unhas imensas da moça
ressoando (tec, tec, tec) nas teclas. São postiças, feitas de resina
e fixadas com um gel de silicone; ao contrário das unhas artificiais comuns,
porém, não desgrudam de jeito nenhum e podem permanecer a postos,
cintilantes e barulhentas, por um tempo assustadoramente longo. Mania nos Estados
Unidos, onde são usadas por mulheres de todas as idades, responsáveis
por alçar as manicures (rebatizadas de nail technicians) a um novo
patamar no setor de serviços, as unhas de silicone também estão
cavando seu espaço nos salões do Brasil. Felizmente, com adaptações
ao gosto local. "A brasileira não gosta de unhas muito compridas, decoradas
com flor, estrela e coração. Aqui se usam unhas mais curtas, pintadas
em tons claros", registra Roberta Vieira, representante no Rio de Janeiro de uma
marca de unhas americana que aumentou suas vendas em 60% desde 2005. "Atualmente,
30% das minhas clientes têm unhas de silicone", diz Mara Gomes, manicure
de um salão da rede Jacques Janine em Salvador.
As candidatas em potencial ao dispositivo se enquadram em três categorias:
mulheres que não conseguem deixar crescer as unhas naturais, que as têm
muito pequenas ou malformadas e as que não conseguem se livrar da obsessão
de roê-las. A decoradora carioca Paula Lizzi, roedora inveterada, adotou
o método há um ano e meio. "Antes, tentei de porcelana e de acrílico,
mas achei essa mais natural", diz. Teve de superar dificuldades: "Eu batia na
porta da geladeira, do elevador, do armário" sem falar na falta
de sensibilidade das unhas postiças, o que dificulta ações
corriqueiras, como se coçar, rasgar embalagem de plástico e abrir
pote de iogurte. A colocação de um conjunto (veja
o quadro) demora cerca de uma hora e meia e custa, em média,
150 reais. A cada quinze dias, faz-se uma reaplicação do gel para
preencher o pedaço de unha natural que cresceu e reforçar a fixação,
ao custo de 70 reais. Ao fim de mais ou menos três meses de pontas aparadas,
a unha postiça propriamente dita acabou resta apenas a unha natural,
irreconhecível (e inquebrável) sob camadas e camadas de gel. "Se
a manutenção for bem-feita e as unhas naturais bem lixadas, para
remover impurezas, pode-se continuar aplicando o gel indefinidamente, sem problema",
afirma a dermatologista Karla Assed, do Rio de Janeiro, ela própria usuária
há três anos. "Quando decidir tirar o silicone, porém, prepare-se:
as unhas estarão fracas e quebradiças." |