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Edição 1983 . 22 de novembro de 2006

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Beleza
Compridas para sempre

Sabe as unhas enormes e coloridas
que as americanas adoram? Pois estão
disponíveis nos salões do Brasil


Laura Ming

Mirian Fichtner
Paula, ex-roedora: camadas de gel de silicone
NESTA REPORTAGEM
Quadro: Simples e indolor


Qualquer pessoa que tenha passado por uma loja, um balcão de aeroporto, uma recepção de hotel ou outra situação que envolva uma atendente e um teclado de computador nos Estados Unidos certamente notou as unhas imensas da moça ressoando (tec, tec, tec) nas teclas. São postiças, feitas de resina e fixadas com um gel de silicone; ao contrário das unhas artificiais comuns, porém, não desgrudam de jeito nenhum e podem permanecer a postos, cintilantes e barulhentas, por um tempo assustadoramente longo. Mania nos Estados Unidos, onde são usadas por mulheres de todas as idades, responsáveis por alçar as manicures (rebatizadas de nail technicians) a um novo patamar no setor de serviços, as unhas de silicone também estão cavando seu espaço nos salões do Brasil. Felizmente, com adaptações ao gosto local. "A brasileira não gosta de unhas muito compridas, decoradas com flor, estrela e coração. Aqui se usam unhas mais curtas, pintadas em tons claros", registra Roberta Vieira, representante no Rio de Janeiro de uma marca de unhas americana que aumentou suas vendas em 60% desde 2005. "Atualmente, 30% das minhas clientes têm unhas de silicone", diz Mara Gomes, manicure de um salão da rede Jacques Janine em Salvador.

As candidatas em potencial ao dispositivo se enquadram em três categorias: mulheres que não conseguem deixar crescer as unhas naturais, que as têm muito pequenas ou malformadas e as que não conseguem se livrar da obsessão de roê-las. A decoradora carioca Paula Lizzi, roedora inveterada, adotou o método há um ano e meio. "Antes, tentei de porcelana e de acrílico, mas achei essa mais natural", diz. Teve de superar dificuldades: "Eu batia na porta da geladeira, do elevador, do armário" – sem falar na falta de sensibilidade das unhas postiças, o que dificulta ações corriqueiras, como se coçar, rasgar embalagem de plástico e abrir pote de iogurte. A colocação de um conjunto (veja o quadro) demora cerca de uma hora e meia e custa, em média, 150 reais. A cada quinze dias, faz-se uma reaplicação do gel para preencher o pedaço de unha natural que cresceu e reforçar a fixação, ao custo de 70 reais. Ao fim de mais ou menos três meses de pontas aparadas, a unha postiça propriamente dita acabou – resta apenas a unha natural, irreconhecível (e inquebrável) sob camadas e camadas de gel. "Se a manutenção for bem-feita e as unhas naturais bem lixadas, para remover impurezas, pode-se continuar aplicando o gel indefinidamente, sem problema", afirma a dermatologista Karla Assed, do Rio de Janeiro, ela própria usuária há três anos. "Quando decidir tirar o silicone, porém, prepare-se: as unhas estarão fracas e quebradiças."

 
 
 
 
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