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Brasil O
adeus do "China" Gushiken é
o último dos companheiros de viagem de Lula a sair do governo  Diego
Escosteguy
Sergio
Dutti/AE e José Cruz/ABR
 | | Gushiken
(à esq), o companheiro Pizzolato e a cartilha oficial: sem explicações
até agora |
Amigo
do presidente Lula há mais de duas décadas, o ex-ministro da Secretaria
de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken pediu demissão na semana
passada. É a queda do último integrante do chamado núcleo
duro do primeiro governo Lula tripé que, além de Gushiken,
incluía os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci. Desde julho
do ano passado, quando foi atropelado pelo mensalão, Gushiken perdeu o
posto de ministro e virou assessor especial do presidente, exercendo uma função
menor. Por isso mesmo, sua demissão tem mais relevância no plano
simbólico do que no terreno da influência e do poder. Em uma longa
carta de despedida, enviada ao presidente Lula, Gushiken mostra-se amargurado
com sua experiência no governo. Sem citar ninguém diretamente, critica
parte da imprensa e as CPIs que investigaram as roubalheiras do governo. "Na voragem
das denúncias, abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção
de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada
no equivalente à prova de culpa", escreveu. Afirmação tão
pomposa requer uma análise.
A primeira "mera acusação" contra Gushiken partiu de um de seus
companheiros mais íntimos, o ex-sindicalista Henrique Pizzolato, alçado
ao posto de diretor de marketing e comunicação do Banco do Brasil
no início do governo Lula. Durante o escândalo do mensalão,
Pizzolato (326 000 reais do valerioduto) foi convidado a explicar por que repassou,
antecipadamente, 9 milhões de reais a uma empresa de Marcos Valério,
que desviou o dinheiro. Pizzolato contou que a ordem partira de Gushiken. Outra
"mera acusação" saiu da lavra do procurador-geral da República,
Antonio Fernando de Souza, cuja denúncia narra, em oito páginas,
as razões que o levaram a incluir Gushiken na lista dos acusados.
A última "mera acusação" contra Gushiken saiu do Tribunal
de Contas da União. Sob o comando de Gushiken, foram confeccionados 5 milhões
de cartilhas sobre programas oficiais. O TCU já constatou que houve superfaturamento
de até 360% na impressão do material, mas não conseguiu identificar
até agora o destino de 960.000 cartilhas o que levou o tribunal
a aplicar uma multa de 3,7 milhões de reais contra Gushiken. Para cancelar
a multa, o TCU quer uma explicação com pé e cabeça
sobre as 960.000 cartilhas. Deu um prazo de quinze dias, mas Gushiken não
apresentou uma explicação e pediu mais trinta dias. O tribunal concedeu.
Se Gushiken não quiser mais tempo para explicar a "mera acusação",
o prazo se esgotará na semana que vem. |