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Edição 1983 . 22 de novembro de 2006

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Brasil
O adeus do "China"

Gushiken é o último dos companheiros
de viagem de Lula a sair do governo


Diego Escosteguy

 

Sergio Dutti/AE e José Cruz/ABR
Gushiken (à esq), o companheiro Pizzolato e a cartilha oficial: sem explicações até agora

Amigo do presidente Lula há mais de duas décadas, o ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken pediu demissão na semana passada. É a queda do último integrante do chamado núcleo duro do primeiro governo Lula – tripé que, além de Gushiken, incluía os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci. Desde julho do ano passado, quando foi atropelado pelo mensalão, Gushiken perdeu o posto de ministro e virou assessor especial do presidente, exercendo uma função menor. Por isso mesmo, sua demissão tem mais relevância no plano simbólico do que no terreno da influência e do poder. Em uma longa carta de despedida, enviada ao presidente Lula, Gushiken mostra-se amargurado com sua experiência no governo. Sem citar ninguém diretamente, critica parte da imprensa e as CPIs que investigaram as roubalheiras do governo. "Na voragem das denúncias, abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa", escreveu. Afirmação tão pomposa requer uma análise.

A primeira "mera acusação" contra Gushiken partiu de um de seus companheiros mais íntimos, o ex-sindicalista Henrique Pizzolato, alçado ao posto de diretor de marketing e comunicação do Banco do Brasil no início do governo Lula. Durante o escândalo do mensalão, Pizzolato (326 000 reais do valerioduto) foi convidado a explicar por que repassou, antecipadamente, 9 milhões de reais a uma empresa de Marcos Valério, que desviou o dinheiro. Pizzolato contou que a ordem partira de Gushiken. Outra "mera acusação" saiu da lavra do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, cuja denúncia narra, em oito páginas, as razões que o levaram a incluir Gushiken na lista dos acusados.

A última "mera acusação" contra Gushiken saiu do Tribunal de Contas da União. Sob o comando de Gushiken, foram confeccionados 5 milhões de cartilhas sobre programas oficiais. O TCU já constatou que houve superfaturamento de até 360% na impressão do material, mas não conseguiu identificar até agora o destino de 960.000 cartilhas – o que levou o tribunal a aplicar uma multa de 3,7 milhões de reais contra Gushiken. Para cancelar a multa, o TCU quer uma explicação com pé e cabeça sobre as 960.000 cartilhas. Deu um prazo de quinze dias, mas Gushiken não apresentou uma explicação e pediu mais trinta dias. O tribunal concedeu. Se Gushiken não quiser mais tempo para explicar a "mera acusação", o prazo se esgotará na semana que vem.

 
 
 
 
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