Macaco
biônico
Cientista
brasileiro cria braço
mecânico que obedece a ordens
geradas no cérebro de primatas
Divulgação
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| Nicolelis
com uma de suas cobaias e o braço-robô: esperança
para quem sofre de paralisia |
Um dos maiores desafios dos neurologistas é entender como
o cérebro dá as ordens para as outras partes do corpo
executarem tarefas. É uma linguagem complexa que envolve
milhares de neurônios e nervos mesmo em atividades simples,
como levantar um braço ou balançar os dedos. Na semana
passada, um grupo de pesquisadores da Universidade Duke, no Estado
americano da Carolina do Norte, deu um passo excepcional para entender
esse processo. Eles conseguiram decodificar como se dá a
troca de informações entre as células cerebrais
envolvidas no sistema motor de um macaco e ainda usar esses impulsos
para mover um braço mecânico a quase 1.000 quilômetros
de distância. O estudo foi coordenado pelo médico brasileiro
Miguel Nicolelis, que vive há doze anos nos Estados Unidos.
Para realizar a pesquisa, a equipe de Nicolelis abriu o crânio
de dois pequenos macacos-coruja e instalou na superfície
de cada um dos cérebros 96 eletrodos. Durante dois anos,
com a ajuda desses artefatos, monitorou exaustivamente todos os
sinais emitidos pelo cérebro dos animais quando faziam algum
movimento com os membros superiores. Com um cabo ligado à
cabeça dos macacos, os pesquisadores alimentaram um sistema
de computadores, traduzindo os sinais em linguagem eletrônica.
Quando o macaco se movia, o computador era capaz de entender as
ordens enviadas pelo cérebro para o braço e simultaneamente
mandar sinais semelhantes em direção ao braço
mecânico.
O sistema funcionou tão bem que os cientistas conseguiram
fazer com que o movimento do braço mecânico se desse
em tempo real com os movimentos do macaco. Mais: conseguiram enviar
os sinais emitidos pelos primatas via internet e com isso acionar
um segundo braço, instalado no Instituto de Tecnologia de
Massachusetts, em Boston, a 965 quilômetros de distância
da cidade de Durham, onde fica o laboratório. "O sistema
é tão confiável que no futuro poderemos usá-lo
para devolver a capacidade motora a pessoas paralíticas ou
que tiveram membros amputados", diz Nicolelis. Mas entre o braço
mecânico dos macacos e os futuros membros artificiais humanos
ainda existe um grande obstáculo a ser vencido. Os pesquisadores
precisam criar um sistema de informações que funcione
na contramão e faça o cérebro humano reconhecer
que o membro alienígena realizou a tarefa a contento. Só
assim o cérebro poderá dar novas ordens e interagir
com a máquina com a precisão utilizada na interação
com os membros humanos.
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