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As novas teorias do
"pai do DNA"

O cientista que descobriu a espiral da vida diz
que o banho de sol é a chave da sexualidade

De gênio e de louco todo mundo tem um pouco. O geneticista americano James Watson, de 72 anos, tem bastante de ambos. É genial porque descobriu a configuração da molécula de DNA com apenas 25 anos, ganhou o Prêmio Nobel de Medicina aos 34 e vislumbra como poucos os rumos da ciência. E é controverso porque, em seu ímpeto de desbravar novas fronteiras, se apega a teorias pouco comprovadas e as defende como se fossem verdades científicas incontestáveis. Foi o que fez recentemente durante uma palestra no campus de Berkeley da Universidade da Califórnia. Diante de uma platéia de 200 professores e estudantes de biologia, Watson sustentou que os gordos são pessoas felizes, mas pouco ambiciosas (e que por isso é melhor não tê-los como empregados). Também afirmou que os indivíduos de pele morena têm muito, mas muito mais desejo sexual que os branquelos. O resultado foi um tumulto. Não é tanto pelo que foi dito, mas onde foi dito. O campus de Berkeley é reduto intransigente dos defensores do pensamento politicamente correto, a corrente americana que leva ao nível do absurdo a crença de que as atitudes e as palavras devem ser expurgadas de todo tipo de preconceito.

As feministas entraram em surto porque o velho cientista exibiu slides com mulheres de biquíni para ilustrar a teoria do desejo sexual. As especulações sobre comportamento sexual e a cor da pele foram encaradas como estereótipos racistas. A reação exacerbada é uma tolice. Teorias científicas não devem ser contestadas apenas por razões políticas, mas por experiências igualmente científicas. Nem tudo que Watson diz passaria pelo crivo da prova acadêmica. Mas nem por isso deixa de ter bases no laboratório. O "pai do DNA" acredita que uma proteína, conhecida como pro-opiomelanocortina, ou POMC, seja a fonte do bem-estar e do prazer do ser humano. Sabe-se que essa proteína está envolvida na produção de melanina, a substância responsável pela cor da pele. Ele aproveitou uma experiência estranha conduzida na Universidade do Arizona (depois de receber uma injeção de melanina, um sujeito teve uma ereção de oito horas) para concluir que os morenos (e todos aqueles que têm a melanina estimulada pela luz solar) são sexualmente mais fogosos. "É por isso que temos o amante latino e não um amante inglês", diz Watson.

Ele chegou à conclusão sobre os gordos também por via indireta. As pessoas obesas têm maior quantidade de betaendorfina, um hormônio ligado à sensação de bem-estar. Watson concluiu que, por isso, eles estão satisfeitos a ponto de não ser ambiciosos. Em contrapartida, os magros, privados de betaendorfina, são eternos infelizes. Isso os torna mais ambiciosos e produtivos. A platéia urrou quando o geneticista confessou, com ar maroto, que jamais dá emprego a pessoas rechonchudas. "As coisas não são tão simples como ele as expõe", discorda o geneticista brasileiro Salmo Raskin. "Muitas de suas idéias até têm alguma base científica, mas não se fundamentam em nenhum experimento mais aprofundado." Watson realmente especula numa área do conhecimento bastante pantanosa. Até hoje, apesar dos espetaculares avanços da genética, não se encontrou nos genes, nas proteínas ou nos hormônios uma explicação convincente para o comportamento humano.

 

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