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"É
no mínimo vergonhoso um governo que se afirma democrático
utilizar-se do expediente de infiltrar uma espiã na
cama de um procurador."
Wendell Beetoven Ribeiro Agra
Natal, RN |
Abin
Só temos a lamentar que um serviço criado para dar
suporte à Presidência tenha se tornado um arquivo
de fofocas. Até o nome da tal agência, que deveria
ser Agência de Informações, se transformou
no macaqueado Agência de Inteligência ("Espionagem
no Planalto", 15 de novembro).
Ocimar Santiago Ramires
osantiago@bol.com.br
Há,
sim, a necessidade de um órgão como a Abin. Há,
no entanto, a necessidade de maior autoridade e controle por parte
da Presidência da República, que ditará os
limites de trabalho da organização.
Edson F. Nascimento
Ribeirão
Preto, SP
O
governo federal, em vez de investigar os corruptos, vasculha pelos
meios mais sujos a vida do procurador Luiz Francisco, sobre quem
a única acusação que pesa é o combate
à corrupção.
Hugo Goes
Recife,
PE
É
lastimável a ação dessa Agência Brasileira
de Inteligência (Abin), que, de acordo com a excelente reportagem,
tem no mínimo a anuência do presidente FHC, um ex-cassado
político. Em lugar de exercer seu trabalho no interesse
nacional, a agência se dedica a bisbilhotar a vida de homens
íntegros, como o procurador Luiz Francisco e o governador
e ex-presidente Itamar Franco.
José Afonso Dutra Macedo
Juiz de Fora, MG
Stephen Kanitz
No passado, brasileiros foram induzidos a entrar para os montepios,
em troca de um futuro brilhante. Perderam tudo. Ainda hoje, são
induzidos a comprar títulos de capitalização
e muitas empresas fecham as portas. Só seus donos ganham.
Não achamos que a Previdência Social pública
esteja no melhor dos mundos. Não está por causa
de governos que dela se aproveitaram e sumiram com suas reservas.
Os benefícios são baixos em razão de desajustes
estruturais. Mas poderiam ser mais altos (Ponto de vista, 8 de
novembro).
Paulo César de Souza
Presidente
da Associação Nacional dos Servidores da Previdência
Social
Brasília, DF
Ordem dos Advogados do Brasil
É
de preocupar quando uma revista da tradição de VEJA
faz eco ao coro dos insatisfeitos com o desempenho da Ordem (Radar,
8 de novembro) e de sua participação nos grandes
temas nacionais. Afinal, a que corporativismo e assuntos previdenciários
se refere a nota "A OAB não é mais aquela"? A quais
candidaturas o autor está se referindo, se até o
momento não há nenhuma chapa registrada para concorrer
à presidência do Conselho Federal?
Reginaldo de Castro
Presidente
do Conselho Federal da OAB
Brasília, DF
VEJA
ignora as propostas que tive a oportunidade de apresentar, quando
do lançamento de minha candidatura à presidência
da OAB, cuja eleição se dará em janeiro,
e não em dezembro.
Urbano Vitalino de Melo Filho
Brasília,
DF
Concorremos
com muita honra à presidência nacional de uma das
entidades mais respeitadas deste país: a OAB. Ao lado dos
outros dois ilustres candidatos, expusemos nosso programa, cuja
síntese foi democraticamente publicada no jornal oficial
da OAB. Ali enfatizávamos: "As autoridades maiores deste
país transformaram a nossa república numa mangueira
podre. Ao se consertar com um esparadrapo de um lado, ela explode,
velha e podre, de outro".
Nereu
Lima
Porto
Alegre, RS
Arqueologia
É
a notoriedade intrínseca ao estudo dos vestígios
materiais do passado humano que faz saltar à vista a longa
lista de fraudes cometidas por arqueólogos interessados
em ver seus nomes elevados à categoria de heróis.
Nem mais nem menos que nas outras áreas da atividade, como
a arte, o esporte, a religião ou a administração
pública, na arqueologia convivem megalomaníacos,
lunáticos e aéticos com profissionais sérios
e competentes ("Japonês marandrôn", 15 de novembro).
Guilherme
Albagli
Universidade
Estadual de Santa Cruz
Ilhéus,
BA
Eleição
Até minhas crianças estão impressionadas
e discutiram o impasse das eleições americanas e
seu sistema arcaico. Meu garoto, Daniel, de 10 anos, perguntou-me:
como pode o Brasil votar com computador e os Estados Unidos, que
são um país cheio de tecnologia, ficarem votando
com papelzinho? Apesar da forma arcaica de eleição,
eles estão melhores que nós e à frente muitos
anos-luz em vários aspectos. E de quebra ainda admitem
recontagem de votos ("Quem ganhou?", 15 de novembro).
Caleb
Castellani
São
Paulo, SP
Ao
afirmar que "os americanos vêem a Flórida como uma
espécie de Alagoas, uma terra de políticos mais
espertos do que honestos", o redator cometeu múltiplos
pecados. Nossa terra é muito mais bela do que a Flórida
e as espertezas de outras épocas não servem mais
de paradigmas para o exercício do poder em nosso meio.
Joaldo
Cavalcante
Secretário
de Estado de Comunicação Social
Maceió,
AL
Os
americanos devem varrer esse anacronismo absurdo da Constituição
e evoluir para uma verdadeira e plena democracia, em que a vontade
do eleitor seja respeitada.
Marcílio Jorge Breckenfeld
Lopes
Afonso
Recife,
PE
Ninguém
é totalmente perfeito nem totalmente imperfeito. Observando
dois exemplos de processo eleitoral democrático realizados
recentemente, para prefeito e vereadores no Brasil e para presidente
nos Estados Unidos, cheguei à seguinte conclusão:
nós poderíamos ensiná-los no processo de
votação e apuração e eles poderiam
nos ensinar a evitar o voto de cabresto e a comercialização
de votos.
Renato
Luis Fernandes Haas
Indaiatuba,
SP
Roberto Pompeu de Toledo
Em
mais uma oportunidade Roberto Pompeu de Toledo nos propicia uma
lição acerca do "pensar" a natureza humana diante
de situações e valores, aos quais todos nós,
seres humanos, somos suscetíveis. Pompeu de Toledo é
conciso, brilhante e transcendente. Acho que, tanto quanto a morte,
está nas entrelinhas a vida. É oportuno lembrar
uma frase atribuída a Heitor Villa-Lobos: "... cada uma
das minhas obras é uma carta que escrevo para a posteridade".
O Dmitry escreveu mais que um bilhete ou uma carta. Ele, naqueles
críticos momentos, "registrou globalmente" quanto a comunicação
é um valor humano essencial, uma atitude heróica
(Ensaio, 15 de novembro).
Manoel Venceslau Neto
Itanhaém,
SP
O
homem que sai do Rio antigo, mais precisamente da Chácara
de Catumbi, passa pelos naufrágios da Rússia para
cair nos porões do DOI-Codi, onde conecta justiça
e sentimentos de perda ou dúvida, revela um intenso conhecimento
da intrincada teia anímica e merece toda a nossa admiração.
Eu, particularmente, adoro os escritos de Roberto Pompeu de Toledo.
Graça
Lessa
Recife,
PE
Claudio de Moura Castro
Escolher o aluno mais bem preparado não é injusto,
e acredito que essa concorrência contribui bastante para
o bom desempenho das universidades públicas brasileiras.
Se há alguma injustiça, está na má
qualidade do ensino público fundamental e no médio.
Devemos lutar pela melhoria destes, para que os vestibulandos
tenham as mesmas oportunidades (Ponto de vista, 15 de novembro).
Fábio
Marcelo Souza Brogna
Americana,
SP
O
uso das notas obtidas durante o 2º grau pode ser injusto
com aqueles alunos que tiveram dificuldades nos primeiros anos
escolares mas se recuperaram, da mesma forma que prejudica os
que lutaram para chegar à universidade através de
cursos supletivos. Quando as notas do 2º grau ou do Enem
forem decisivas para ingresso em universidades de primeira linha,
pode-se apostar que surgirão casos de fraude, pois é
impossível fiscalizar e garantir a lisura do processo em
todos os pontos do país onde o exame é realizado.
O sistema de cotas de ingresso em universidades gratuitas para
alunos de escolas públicas, como está sendo proposto
por alguns setores, pode nivelar por baixo o nível de ensino,
ou vai-se incorrer nos mesmos casos citados da Argentina e França,
onde esses alunos não passam dos primeiros anos. Acredito
que se deve pensar seriamente em uma solução justa,
de modo a permitir que alunos de escolas públicas que apresentem
desempenho ou potencial acima da média sejam preparados
para competir com seus colegas de escolas privadas pelas vagas
nas melhores universidades. Uma vez que a premissa de existirem
vagas suficientes para todos os interessados em estudar em escolas
públicas seja verdadeira, seria possível criar escolas
gratuitas de 1º e 2º grau diferenciadas, com exames
seletivos para ingresso, destinadas a alunos com bom potencial
e desempenho e que comprovadamente não possam pagar uma
escola privada.
Milton Kahan
milton.kahan@bra.xerox.com
Justiça
Dinheiro nenhum do mundo paga a dor da perda de alguém
amado, mas a punição é devida e justa a quem
a provoca. Perdi meu pai num acidente causado por um irresponsável
comprovadamente incapacitado para dirigir e a Justiça deu-lhe
"perdão judicial". O desgaste sofrido e a revolta pela
ação incompetente da Justiça também
não podem ser pagos com dinheiro algum ("Quanto vale a
vida?", 15 de novembro).
Inez
Murari Pereira Gentil
Campo
Grande, MS
A
vida não tem preço. Não há cálculos
nem tabelas que irão dar o valor exato de uma pessoa querida
que foi brutalmente assassinada. Ter o direito à indenização
é uma questão pessoal de cada caso, mas com certeza
a vinda desse maldito dinheiro nada aliviará, só
trará mais dor e tristeza a quem realmente perdeu alguém
que ama.
Luciana
Avelino
Cabo
Frio, RJ
Raul
Jungmann
É
um absurdo que o ministro de Assuntos Fundiários, senhor
Raul Jungmann (Amarelas, 15 de novembro), defenda ainda os fracassados
assentamentos de reforma agrária, produtores não
de alimentos mas de favelas rurais. Em 1996, a TFP publicou livro
com reportagem documentadíssima com o título Reforma
Agrária Semeia Assentamentos Assentados Colhem Miséria
e Desolação. Foram visitados 44 assentamentos
por todo o Brasil, em especial os tidos como "modelo". Constatou-se
o completo fracasso! De lá para cá, a situação
só piorou. Se quiserem um testemunho totalmente insuspeito
sobre a reforma agrária do governo, vejam as declarações
que têm sido feitas pelo ex-presidente do Incra e atual
deputado federal Francisco Graziano. Ele é do partido do
governo e agrorreformista.
Plinio
V. Xavier da Silveira
São
Paulo, SP
Tecnologia
A notícia da má qualidade do aparelho 8860, da Nokia,
não me surpreendeu. Em julho, entrei em uma loja em Greenville,
na Carolina do Sul, e perguntei sobre a venda de acessórios
para o meu modelo, um Nokia 8860. O vendedor se desculpou e disse
que todos os 8860 haviam sido retirados do mercado americano,
por apresentar defeitos com muita freqüência, e que
a Nokia só distribuía esses aparelhos pela América
do Sul e pela África ("Vai sair do mercado", 15 de novembro).
Guilherme
Kalil
Belo
Horizonte, MG
Pantanal
Em relação à nota sobre reservas da biosfera
("Que o Pantanal tenha sorte", 15 de novembro), certamente a luta
pela conservação da Mata Atlântica ainda não
foi vencida. Continuaram os desmatamentos e a degradação
onde deveria ocorrer o uso sustentável e a recuperação.
O reconhecimento pela Unesco de grande parte da Mata Atlântica
como reserva da biosfera não basta, mas é indiscutivelmente
um importante instrumento de parceria entre setores governamentais
e a sociedade civil, visando reverter esse quadro. São
inúmeras as iniciativas e os projetos concretos de conservação,
recuperação, pesquisa e desenvolvimento sustentável
na Mata Atlântica que têm sido exitosos. E, tanto
quanto VEJA, desejamos sorte ao Pantanal, ao cerrado e aos demais
biomas brasileiros.
Clayton
Ferreira Lino
Presidente
do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
São Paulo, SP
Gente
Com respeito à nota "Tudo zen: velas, incenso, shiatsu"
(1º de novembro), dando conta de que Fernando Henrique Cardoso
teria contratado uma especialista de shiatsu, gostaria de deixar
registrado que o senhor presidente da República não
tem nenhum contrato, nem mesmo consultas regulares, com a referida
especialista, tendo havido apenas atendimento ocasional. Por essa
razão, Fernando Henrique, ao contrário do que relata
a nota, não interrompeu suas seções regulares
de fisioterapia, tampouco seus exercícios de natação.
Alexandre
Guido Lopes Parola
Porta-voz
adjunto da Presidência da República
Brasília, DF
Arc
Arc, na legislação que regula o sistema de telefonia
fixa adotado no Brasil está determinado que, das 14 horas
do sábado às 6 horas da segunda-feira e, nos feriados,
de zero hora às 6 horas do dia seguinte, o consumidor que
possui linha telefônica paga apenas pulso por ligação,
independentemente do tempo de sua duração. Por que,
então, a medida não é extensiva aos telefones
públicos, se o serviço e o horário são
os mesmos e os usuários ou consumidores têm menos
recursos que aqueles? Dá para entender?
Gil
Barbosa
gilbarbosajr@
uol.com.br
CORREÇÃO:
Diferentemente do que foi publicado na reportagem "Elas venceram"
(8 de novembro), a executiva Ana Carolina Aidar não pertence
mais ao quadro de funcionários do Chase Capital Partners.