Fiscais da
Amazônia
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| Capas
de VEJA: denúncias contra a destruição do tesouro ecológico
brasileiro |
Entre
outros mistérios, a Amazônia motiva uma pergunta
comparável às suas dimensões. Como preservá-la
e ao mesmo tempo garantir condições de sobrevivência
e progresso pessoal para os quase 20 milhões de brasileiros
que lá moram? Desde sua criação, há
32 anos, VEJA tem mostrado esse dilema em suas freqüentes
reportagens sobre a região mais exuberante do planeta.
Os repórteres da revista têm sido atentos vigilantes
do destino da floresta. A primeira reportagem de capa de VEJA
sobre a Amazônia chegou às bancas há trinta
anos. Ao todo foram catorze reportagens de capa e uma edição
especial lançada em 1997. De muitas das denúncias
publicadas por VEJA sobre a devastação da floresta
resultaram medidas práticas que diminuíram o ritmo
da agressão à maior reserva de vida vegetal e animal
do planeta.
O problema ambiental, infelizmente, persiste. Na apuração
da reportagem que começa na página 66 desta edição,
o repórter Christian Schwartz, correspondente de VEJA em
Belém, volta ao tema da improvável convivência
pacífica das populações com o frágil
ecossistema amazônico. Schwartz conversou com estudiosos
que medem o impacto sobre a floresta de obras de infra-estrutura,
em especial as estradas. Descobriu que os danos causados pela
presença humana estão potencializando aqueles provocados
pelo fenômeno climático conhecido como El Niño,
que vem causando secas severas e prolongadas na região.
A reportagem mostra que é imperativo pensar em formas de
levar o progresso econômico às populações
da Amazônia. Por outro lado, toda cautela é pouca
quando se trata de mexer com uma floresta cujo equilíbrio
ecológico é muito delicado. O Brasil não
pode correr o risco de experimentar a ocupação do
oceano verde sem um projeto muito consistente de manutenção
da floresta no longo prazo. Mais uma vez VEJA dá voz aos
cientistas que lançam um novo e contundente alerta: a resistência
da Amazônia tem um limite. Ele pode estar sendo atingido
mais cedo do que se imaginava.