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Edição 2083

22 de outubro de 2008
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Sociedade
Ela é um terror

O xeque Omar Bakri gostaria que a filha fosse
mulher-bomba. Mas ela preferiu ser dançarina de boate


Thomaz Favaro

VIDAS OPOSTAS
Yasmin Fostok, filha do terrorista Bakri: ela só quer distância do pai

O que se deve esperar de uma jovem inglesa cujo pai é o mais conhecido propagandista do terrorismo islâmico na Inglaterra? Yasmin Fostok, de 27 anos, poderia ter seguido as regras impostas por seu pai, o xeque Omar Bakri, que a imprensa londrina apelidou de "pregador do ódio". Ela se cobriria da cabeça aos pés e educaria os filhos para ser homens-bomba. Aceitaria também as várias esposas do pai, a mais nova delas recém-saída da adolescência. Yasmin escolheu um caminho diferente. Pintou o cabelo de loiro, colocou lentes de contato verdes, trocou de nome (era Youssra) e passou a freqüentar a noite londrina "como se não houvesse amanhã", segundo confidenciou a um amigo. Ela é hoje uma especialista na pole dancing, a dança em torno de uma haste de metal em traje sumaríssimo. O que ela mais deseja é ficar bem distante do fanatismo do pai.

Os tablóides ingleses foram à loucura com as revelações sobre Yasmin. E por bom motivo: a vida escolhida pela filha constrange o pai e seus seguidores. O xeque é um dos religiosos mais detestáveis da história moderna da Inglaterra. Nascido na Síria, Omar Bakri viveu duas décadas em Londres como refugiado político e foi sustentado pela previdência social britânica. Em vez de se mostrar agradecido, ele pregava abertamente a jihad – a campanha terrorista de Osama bin Laden – e a destruição da "depravada" cultura ocidental. A Inglaterra finalmente perdeu a paciência quando o xeque disse que os ingleses fizeram por merecer os atentados terroristas que mataram 52 pessoas no metrô de Londres, em 2005. Ameaçado de deportação, Bakri fugiu para o Líbano, onde se dedica a convencer jovens muçulmanos a se engajar na matança de infiéis.

Yasmin foi criada em uma disciplina muçulmana rígida e teve de usar o véu durante toda a infância e adolescência. Aos 16 anos, seu pai arranjou-lhe um casamento com um turco bem mais velho. Só depois que a união naufragou, ela resolveu escapar da vida entre fanáticos. Ao ser informado da profissão da filha, Bakri respondeu – como era de prever – que tudo não passava de um ataque ao Islã e de uma tentativa de desmoralizá-lo. Curiosamente, o pontapé inicial na vida artística da filha foi dado pelo próprio xeque. Yasmin convenceu o pai a pagar o equivalente a 14.000 reais por um implante de silicone nos seios, alegando que isso a tornaria uma mãe melhor quando fosse amamentar os filhos. Vai entender a cabeça de um xeque terrorista...



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