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Internacional Nos debates, McCain pipoca
como quem aposta
Como no Brasil, os debates presidenciais nos Estados Unidos não ajudam a esclarecer como será o governo do eleito. Os candidatos abusam da demagogia, evitam respostas impopulares, ignoram perguntas incômodas e jogam cascas de banana no caminho do adversário. Mas, ao contrário do Brasil, os debates americanos têm regras maleáveis no que se refere a tempo e a réplicas. Isso resulta num ambiente mais livre para o candidato se exibir. Dessa forma, o eleitor não aprende nada sobre as idéias do candidato mas aprende tudo sobre seu estilo. Na semana passada, no terceiro e último debate presidencial, a tônica foi a mesma. O republicano John McCain projeta a imagem de um homem agitado, sanguíneo, impaciente, como se estivesse apostando numa corrida de cavalos, com seu alazão a um pescoço da vitória. O democrata Barack Obama é sereno, monocórdio, o reverso da empolgação que produz quando arenga às massas nos comícios. Em debates, Obama fala com a verve de um palestrante em reunião de síndico.
Nos Estados Unidos, os debates presidenciais são organizados por uma entidade formada para esse fim, sem ligação com os partidos. É como um negócio, têm até patrocinador. No debate da semana passada, realizado numa universidade em Hempstead, a cerca de uma hora de Nova York, todo mundo podia ver a tenda de 700 metros quadrados da Budweiser, que oferecia comida e cerveja, claro de graça. Há meses, a Budweiser foi comprada pela InBev, que tem capital brasileiro. Pode-se dizer, portanto, que, quando McCain e Obama se sentaram para falar a milhões de americanos, o evento era um oferecimento... do Brasil.
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