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Leitor
Nascemos
e crescemos sob a premissa de que quando os Estados Unidos
pegam resfriado o resto do mundo pega pneumonia. Só
que ninguém nos contou o que acontece quando os Estados
Unidos pegam pneumonia. Pois é, pegaram ("A hora
de Meirelles", 15 de outubro).
O Brasil não perdeu a sua condição de
"país emergente", continuando como um dos
líderes do chamado G-20. Os outros, sim, perderam status
no cenário econômico mundial. Os países
do G-8 passam agora para o que se poderia chamar de grupo
dos "países submergentes".
O pacotão internacional de ajuda aos bancos pode até
melhorar o cenário do mercado financeiro, mas não
resolverá o problema se não houver medidas regulatórias
sérias, que impeçam o cassino de funcionar ao
bel-prazer dos predadores que atuam no mercado, estimulados
por bônus que ofendem os próprios aplicadores
e poupadores.
Robert Shiller
O economista americano Robert Shiller ("Deixemos de lado
as mitologias de esquerda e direita", 15 de outubro)
está certíssimo ao afirmar que é necessário
disseminar informação. Como ele diz, "a
maioria das pessoas que adquiriram hipotecas subprime não
sabia que as taxas eram reajustáveis". Quem oferece
essas transações está vendendo um produto
perigoso uma potente bomba de efeito retardado
e deveria fornecer instruções bem claras, no
lugar de simplesmente "lavar as mãos" ao
coletar a assinatura num contrato.
Carlos Gutierrez
Na entrevista de páginas amarelas (15 de outubro),
o senhor Carlos Gutierrez afirmou que no comércio bilateral
Brasil-Estados Unidos o céu é o limite. Entretanto,
a cada dia vejo esse "céu" um pouco mais
distante. Basta observar a intransigência com que eles
defendem os subsídios oferecidos aos seus produtores
rurais, a repulsa pelo nosso etanol e a boa vontade demonstrada
na Rodada de Doha. Ao que parece, sendo da forma como querem,
eles aceitam qualquer acordo.
Eleição dos "fichas-sujas"
Sobre a reportagem "De volta para o futuro" (15
de outubro), pergunto: quando foi que tudo se perdeu? Em que
parte da estrada deixamos de lado a ética, a moral,
os valores humanos? Quando acompanhamos os discursos de candidatos
às prefeituras, percebemos que o Brasil há muito
deixou de acreditar que caráter deve ser o cerne de
qualquer ser humano que pretenda governar uma cidade, uma
nação ou um estado. Não se vendem apenas
votos, compram-se consciências. Corrompem-se sonhos.
Destroem-se esperanças. Aniquilam-se futuros.
Estamos presos a uma armadilha: o STF determinou que os políticos
fichas-sujas tenham os seus direitos assegurados até
que haja decisão em última instância dos
processos a que respondem. O problema é que o trâmite
dessas ações pelas várias instâncias
da Justiça pode levar décadas. Deixar a necessária
profilaxia do meio político a cargo dos eleitores pode
ser uma atitude temerária, como se viu nas últimas
eleições.
O STF não pode, de maneira alguma, jogar toda a responsabilidade
aos eleitores por elegerem candidatos "fichas-sujas".
O STF não fez a sua parte, ao permitir que esses maus
elementos fossem candidatos. Nós eleitores precisamos
muito do Poder Judiciário para proibir a participação
desses sujeitos nas eleições, já que
a maioria dos brasileiros não tem acesso às
informações sobre a vida deles. São milhões
de brasileiros analfabetos que não sabem o que é
um jornal ou uma revista.
Carta ao Leitor
Realmente, o eleitor não é bobo. A eleição
em Curitiba comprova isso. O prefeito reeleito não
foi apoiado pelo governo federal nem pelo estadual e obteve
uma votação muito expressiva. Acompanhei toda
a eleição e percebi que o voto é conquistado
por meio de uma campanha limpa e sem agressões aos
demais candidatos. O povo não se deixa enganar, confia
em quem já fez um bom mandato e tem popularidade, não
troca o certo pelo duvidoso ("O povo não é
bobo", 15 de outubro).
Curiosa a revista desta semana. Na Carta ao Leitor, ela diz
que "o povo não é bobo". Felizmente,
apenas afirma aquilo que, em sua opinião, o povo não
é. Sim, porque, algumas páginas adiante, lemos
uma reportagem que revela que a voz das urnas ou desse
mesmo povo que não é bobo consagrara
pelo sufrágio a vitória de alguns picaretas
como prefeitos e vereadores. Uma candidata eleita (pasmem!)
cumpre pena em presídio de segurança máxima
e recebeu do povo mais de 20.000 votos.
Diogo Mainardi
A já não tão espantosa bolha de popularidade
de Lula, ao contrário da dos prefeitos, é sustentada
em bases extremamente frágeis, pois até hoje
se alimenta da colheita do que foi plantado no governo que
o antecedeu, da distribuição de migalhas aos
miseráveis em troca de votos e da exuberância
econômica irracional, cuja bolha agora se desfaz. E,
como toda bolha... ("Linha de crédito", 15
de outubro).
Lya Luft
Parabéns à escritora pelo artigo "Legado
aos nossos filhos" (15 de outubro). Lya é uma
das raras pessoas que conseguem escrever de forma clara sobre
os "dramas secretos" vividos por muitas famílias.
Adorei o texto e o achei muito próprio ao momento que
estamos vivendo. Mediante suas reflexões, a pensadora
leva pais e avós a remexer lá no fundo de suas
bases éticas. Senti que ações e palavras
envoltas em tudo de bom que se aprende com a família,
com a escola, com as religiões, com os amigos
têm de caminhar juntas sempre e que não há
ocasiões especiais para vivê-las.
Extraordinário o texto de Lya Luft sobre valores morais
e éticos, temas totalmente esquecidos em nosso dia-a-dia.
"A boa educação é como moeda de
ouro; tem valor em toda parte..."
Terapia para emagrecer
É verdadeiro o quadro "O pensar gordo e o pensar
magro", da reportagem "A dieta do pensamento"
(15 de outubro). Identifiquei-me. Eu era gorda, muito gorda.
Pesava 185 quilos. Há seis anos operei o estômago
e emagreci 103 quilos. Uma vitória! Estou muito bem
agora. Nem parece que eu era tão grande. Realmente
eu pensava gordo. Comia demais, era doente emocional. Isso
é péssimo. Atrapalha a vida. Deixar de pensar
gordo é conscientizar-se e mudar os hábitos
e as escolhas. É agir de forma a se beneficiar, entendendo
que a vida é mais importante do que a comida. É
entender que comer em excesso não resolve os problemas.
Muitos obesos têm transtorno de comportamento alimentar,
e com a vigilância dos parentes e amigos surge em cena
outro personagem: a mentira. O uso do diminutivo torna-se
obrigatório para se referir ao alimento. Termos próprios
às crianças, como frutinha, leitinho, pedacinho,
são determinantes ao contar o que se comeu ou se pretende
comer. Discursar no diminutivo, fingindo que se está
comendo pouco, não alivia os ponteiros da balança.
Se a comida virou uma droga anestésica num dia-a-dia
entediante, ou amargo, ou sem sentido, ou apertado demais,
com prazos curtos e responsabilidades pesadas, entregar-se
a um novo prazer é uma alternativa eficaz.
Não há dúvida de que o tratamento psicológico
é importante, e pode até ser imprescindível
em alguns casos, para que os obesos consigam perder o excesso
de peso. Nesse sentido, a terapia cognitivo-comportamental
(TCC) pode ser uma estratégia eficiente. Difícil
é aceitar a "auto-suficiência" da TCC
para resolver o problema de qualquer obeso apenas com o auxílio
de "qualquer dieta razoável". Talvez por
não ter conhecimentos sobre fisiologia e nutrição
a psicóloga não saiba que a maioria das dietas
utilizadas torna o obeso um pouco menos obeso, mas também
desnutrido devido à falta de vários nutrientes.
Excepcional a reportagem de VEJA sobre a força da TCC.
A revista mostra mais uma vez extremo bom gosto na escolha
dos temas e esclarece ao público leigo assuntos até
há pouco tempo exclusivos de psicólogos e estudantes
de psicologia. A revista foi levada às salas de aula
de todo o curso de psicologia da faculdade para debate. Parabéns!
O problema não é perder peso, mas sim não
reencontrar o peso perdido. Para atingir esse objetivo, a
mudança comportamental é fundamental, e nós,
endocrinologistas, sempre a enfatizamos. O livro Pense
Magro é mais um de centenas que dão uma
roupagem nova a um tema antigo.
Educação
A reportagem "Mestres brilhantes" (15 de outubro)
mostra uma realidade de causar ao mesmo tempo inveja e desânimo.
Parece-me longe o dia em que venceremos a secular problemática
da educação fundamental. Isso acontecerá
quando tivermos universidades de excelência. Para tal,
devemos deixar de lado o atual conceito "universidade
para todos". Esse conceito é errôneo. Educação
fundamental pública de qualidade para todos, sim, mas
universidade pública para os que estão devidamente
preparados e desejam seguir estudos avançados, não
importam sua situação econômica, cor da
pele, raça, idade, gênero, tal como acontece
na maioria dos países do primeiro mundo.
Idéias
Simplesmente fantástico o artigo "O investment
grade político" (15 de outubro), do jornalista
Eduardo Oinegue. Havia muito não se lia um texto sobre
os nossos antepassados presidentes. Na verdade, VEJA deu uma
aula de história política. Aprendi muito.
Bebida, medicamento e direção
Senti um forte desprazer ao ler a reportagem "Assoprou,
dançou" (15 de outubro), que trata de jovens e
adultos que se utilizam do medicamento Metadoxil para enganar
o bafômetro, burlando a recentemente implantada Lei
Seca. Felizmente, o medicamento não apresenta o efeito
imediato, desejado pelos consumidores.
Grazi Massafera
A atriz Grazi Massafera é linda, carismática
e popular. Características mais que suficientes para
segurar um papel secundário em qualquer novela da Globo.
No entanto, ser protagonista requer talento. Acredito que
ela não esteja madura para tal responsabilidade ("Até
parece novela", 15 de outubro).
Correções: na reportagem "Uma casinha pequenina" (8 de outubro), a fotografia em destaque não reproduz o retrato de Maria Antonieta segurando uma rosa, mas de Madame de Pompadour, pintado por Carle Van Loo. No quadro "Rastreadores do universo", da reportagem "Do micro ao macro" (15 de outubro), a frase correta é: "Nambu mostrou que isso não ocorre porque, para cada 10 bilhões de partículas de antimatéria, foram produzidos 10 bilhões e uma partícula suplementar de matéria". Por erro, a revisão substituiu o "e" por "de" e saiu "10 bilhões de uma partícula suplementar de matéria".
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