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Perfil
De
ator global
a ator total
Objetivo,
perseverante e muito
talentoso, Selton Mello brilha no
cinema. E no teatro, e na TV...

Marcelo Marthe
Fotos Oscar Cabral/álbum
de família/divulgação
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bral
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| Selton,
em sua casa (à esq.), como calouro mirim (no alto,
à dir.) e em Lisbela e o Prisioneiro: rolos,
casos ficantes, quase-casamentos... |
Selton
Mello lembra de sua adolescência como um período de
inferno profissional. Depois de ganhar alguma notoriedade aos 11
anos, na novela Corpo a Corpo, exibida em 1984, ele caiu
no esquecimento. Apesar de investir alto na carreira seus
pais mudaram-se de São Paulo para o Rio de Janeiro apenas
para viabilizar seu sonho , Selton passou os sete anos seguintes
sem conseguir nada além de pontas na televisão. O
jeito foi se virar num emprego de dublador, emprestando sua voz
a filmes como Karatê Kid. "Eu achava que nunca mais
seria ator. Virei um poço de desânimo, perdi a auto-estima
e engordei muito", recorda-se. Como sabe qualquer um que não
tenha passado os últimos tempos fora de órbita, sua
sorte estava destinada a mudar e como. Aos 30 anos, Selton
é hoje um dos atores mais populares do país e pode
se dar ao luxo de recusar papéis na TV para apostar naquilo
que considera prioritário: o cinema. Nenhum ator brasileiro
da nova geração vem colecionando tantos êxitos
nessa área. Com sua veia humorística afiada, Selton
virou um talismã para o diretor Guel Arraes, com quem fez
o sucesso O Auto da Compadecida e Caramuru A Invenção
do Brasil. Lisbela e o Prisioneiro é o mais novo
fenômeno de bilheteria da dupla Selton-Arraes. Em cartaz há
dois meses, já acumula um público de 2,6 milhões
de espectadores e até a semana passada permanecia em 219
salas. Esses números fazem do filme o sétimo mais
visto de 2003, à frente de pesos-pesados como Exterminador
do Futuro 3 e 007 Um Novo Dia para Morrer.
A
performance de Selton em Lisbela é uma amostra de
suas habilidades. No papel de Leléu, um malandro cujo coração
é fisgado pela donzela do título, ele demonstra timing
perfeito: em segundos, é capaz de mudar da comédia
para o melodrama e desse para a farsa, sem parecer artificial. "Além
de ser um ator completo, Selton raciocina como diretor: ele interage
com a câmera já pensando como a cena será editada
e sabe crescer e baixar de tom apenas com um olhar ou uma mudança
sutil na voz", diz Arraes. Com Leléu, o ator acrescenta mais
um tipo nordestino engraçado a seu currículo
mas não involuntariamente engraçado, frise-se. "Minha
primeira preocupação, sempre, é não
fazer aquele sotaque caricato dos nordestinos de novela, que é
constrangedor de tão ruim", diz Selton. Embora tenha se tornado
um especialista em compor personagens leves como Leléu ou
o Chicó de Compadecida, ele também funciona
bem nos registros dramáticos por exemplo, como o atormentado
protagonista de Lavoura Arcaica, adaptado do romance de Raduan
Nassar. Para fazer o filme, Selton teve de emagrecer 20 quilos.
"Fiz uma dieta radical à base de líquidos. Mas, como
a intenção era parecer mesmo um esqueleto, tive ainda
de tomar um remédio para a tireóide que atrofiou meus
músculos. Tudo sob acompanhamento médico, é
claro", conta ele.
Selton,
em suas próprias palavras, tem alma de administrador de empresas.
Ele é seu próprio empresário, assessor de imprensa
e também produtor teatral. Depois que foi redescoberto pela
Globo, no início dos anos 90, passou a fazer novelas aos
montes. Mas, com o sucesso de Compadecida, isso mudou.
Já faz quase quatro anos que ele não se anima a participar
de um folhetim. Contratado da Globo até 2002, Selton hoje
não mantém vínculo com a emissora: negocia
seus cachês trabalho a trabalho, como ocorreu em sua recente
participação no programa Os Normais. "Os diretores
da Globo me vêem ali desde criança, sabem discernir
um cara bonitinho que vai durar três novelas de alguém
que tem um trabalho consistente como o meu", diz. O tempo que economiza
na TV é revertido para três atividades: o cinema (tem
dois longas para estrear e iniciará as filmagens de um terceiro
em novembro), o teatro (está excursionando pelo país
com dois espetáculos, alternadamente) e o ócio. "Preciso
de um tempo para curtir minhas coisas", diz o ator.
Selton
foi batizado com uma fusão dos nomes de seus pais, a dona-de-casa
Selva e o bancário Dalton que hoje cuida das finanças
do filhão. Ele nasceu em Passos, no interior mineiro, mudou-se
para São Paulo ainda pequeno e vive no Rio desde que foi
chamado para fazer novela na Globo. Antes mesmo de ser ator mirim,
já atacava em outra área: a música. Aos 7 anos,
ia a todos os shows de calouros que se possa imaginar, como os extintos
programas do Bolinha e de Dárcio Campos, para cantar músicas
de Roberto Carlos. Até recentemente, era guitarrista de uma
banda grunge. Com 85 quilos declarados, distribuídos por
1,81 metro de altura, Selton tem um físico fofinho. "Sou
o efeito sanfona em pessoa", brinca ele. Não é um
porte de galã, mas isso não tem lhe causado problemas
no mercado da azaração. O ator, cujo namoro mais notório
foi com a exuberante Danielle Winits, hoje leva uma vida de solteirão
desencanado em sua casa de quatro andares num condomínio
fechado carioca. "Estou sozinho há uns três anos, mas
é claro que sempre pintam rolos, casos ficantes, possíveis
namoros, quase-casamentos. Procuro aproveitar a vida de um jeito
maneiro", explica. Selton é mesmo maneiro, cara.
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