Edição 1825 . 22 de outubro de 2003

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O peso da China


NESTA EDIÇÃO
As ambições do planeta China
A grande hipocrisia
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Em Profundidade: China

A China é um enorme canteiro de obras. Com o milionário déficit de moradias e recursos externos e internos de sobra para diminuí-lo, a construção civil tornou-se o ramo mais aquecido da economia. Os reflexos nos mercados do mundo são fortes. Os chineses consomem atualmente 25% do total de aço produzido no planeta. Eles compram um quarto de todo o minério de ferro. A China produz 200 milhões de toneladas de aço e consome 230 milhões. A diferença parece pequena, mas equivale a toda a produção brasileira de aço. O consumo de cimento é ainda maior e supera 40% de toda a produção mundial. Quando a indústria chinesa tem condições de suprir o mercado interno, o resto do mundo fica apenas observando. Quando em conseqüência de uma catástrofe natural ou outro evento inesperado os chineses entram no mercado como compradores, o efeito no comércio internacional é imediato. No ano passado, 70% de todas as máquinas têxteis exportadas no mundo tiveram a China como destino.

Um exemplo concreto das ondas de choque que a China provoca no mercado mundial de matérias-primas: no fim de 2002, um congestionamento nos portos forçou a China a reduzir temporariamente suas compras de aço. Imediatamente, o preço da tonelada no mercado mundial despencou 20%. Para o empresariado brasileiro, a China tem uma face sorridente e outra nem tanto. Ela pode ser uma oportunidade de negócios para os exportadores brasileiros, mas também se tornar um concorrente poderoso. A China já domina 30% do mercado mundial de confecção e têxteis e pode conquistar a metade desse mercado em 2011. "Com números como esses, é de esperar que qualquer movimento abrupto na economia chinesa tenha forte influência sobre todos os outros países", diz Paulo Skaf, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

No setor de celulose, o consumo chinês também é predominante na definição dos preços. "Quando a China entra no mercado, os preços sobem imediatamente", diz Boris Tabacof, presidente da Companhia Suzano de Papel e Celulose. "Desde o fim do ano passado, a demanda chinesa foi decisiva para elevar o preço da tonelada de aço em quase 10%, de 480 para 520 dólares." As vendas de celulose para a China triplicaram nos últimos três anos e representam agora 30% de toda a celulose que o Brasil vende ao exterior. A Companhia Vale do Rio Doce, a terceira maior empresa exportadora do Brasil, também tem aproveitado o ritmo de crescimento da China. Só neste ano, o preço do minério de ferro subiu 9% em função do aumento da demanda chinesa. "A China hoje representa para a Vale o que o Japão representou na década de 60, só que em uma dimensão muito maior", diz Roberto Castelo Branco, diretor de relações com investidores da companhia. A empresa só não está vendendo ainda mais à China porque atingiu seu pico de produção.

 
 
 
 
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