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Especial
O
peso da China
A China
é um enorme canteiro de obras. Com o milionário déficit
de moradias e recursos externos e internos de sobra para diminuí-lo,
a construção civil tornou-se o ramo mais aquecido
da economia. Os reflexos nos mercados do mundo são fortes.
Os chineses consomem atualmente 25% do total de aço produzido
no planeta. Eles compram um quarto de todo o minério de ferro.
A China produz 200 milhões de toneladas de aço e consome
230 milhões. A diferença parece pequena, mas equivale
a toda a produção brasileira de aço. O consumo
de cimento é ainda maior e supera 40% de toda a produção
mundial. Quando a indústria chinesa tem condições
de suprir o mercado interno, o resto do mundo fica apenas observando.
Quando em conseqüência de uma catástrofe natural
ou outro evento inesperado os chineses entram no mercado como compradores,
o efeito no comércio internacional é imediato. No
ano passado, 70% de todas as máquinas têxteis exportadas
no mundo tiveram a China como destino.
Um
exemplo concreto das ondas de choque que a China provoca no mercado
mundial de matérias-primas: no fim de 2002, um congestionamento
nos portos forçou a China a reduzir temporariamente suas
compras de aço. Imediatamente, o preço da tonelada
no mercado mundial despencou 20%. Para o empresariado brasileiro,
a China tem uma face sorridente e outra nem tanto. Ela pode ser
uma oportunidade de negócios para os exportadores brasileiros,
mas também se tornar um concorrente poderoso. A China já
domina 30% do mercado mundial de confecção e têxteis
e pode conquistar a metade desse mercado em 2011. "Com números
como esses, é de esperar que qualquer movimento abrupto na
economia chinesa tenha forte influência sobre todos os outros
países", diz Paulo Skaf, presidente da Associação
Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).
No
setor de celulose, o consumo chinês também é
predominante na definição dos preços. "Quando
a China entra no mercado, os preços sobem imediatamente",
diz Boris Tabacof, presidente da Companhia Suzano de Papel e Celulose.
"Desde o fim do ano passado, a demanda chinesa foi decisiva para
elevar o preço da tonelada de aço em quase 10%, de
480 para 520 dólares." As vendas de celulose para a China
triplicaram nos últimos três anos e representam agora
30% de toda a celulose que o Brasil vende ao exterior. A Companhia
Vale do Rio Doce, a terceira maior empresa exportadora do Brasil,
também tem aproveitado o ritmo de crescimento da China. Só
neste ano, o preço do minério de ferro subiu 9% em
função do aumento da demanda chinesa. "A China hoje
representa para a Vale o que o Japão representou na década
de 60, só que em uma dimensão muito maior", diz Roberto
Castelo Branco, diretor de relações com investidores
da companhia. A empresa só não está vendendo
ainda mais à China porque atingiu seu pico de produção.
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