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Sociedade
Vive
la polémique!
Agora é a calcinha fio-dental que
agita debates na França: tecido
de menos, exposição de mais

Flávia
Varella, de Paris
Divulgação
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| A
propaganda recolhida: apelação e controle nas
escolas |
Os
franceses pensam que calcinha e biquíni fio-dental são
coisa de brasileira. Mas tente se lembrar da última vez em
que viu um, fora do Carnaval. Saiu de moda há anos e mesmo
assim nunca foi muito além do Posto 9 de Ipanema. Na França,
ao contrário, ele está por toda parte. É mais
fácil ver os minúsculos triângulos das calcinhas
fio-dental saindo por cima das calças cintura baixa das madames
do que lenços no pescoço. Além de usar as incômodas
calcinhas, as francesas alimentam uma indústria ansiosa por
expandir o mercado. E é justamente por isso que o fio-dental
string, para os franceses ganhou o status de
polêmica nacional do momento. Para coibir seu uso na faixa
etária infanto-juvenil, origem das discussões mais
acaloradas, escolas introduziram em seus regulamentos a necessidade
de "uma vestimenta correta". Uma delas acrescentou a obrigatoriedade
de roupas que "respeitem a decência e a segurança".
Mas foi quando o fio-dental apareceu em grande formato nos cartazes
publicitários da marca de lingerie suíça Sloggi
que a indignação explodiu, com os argumentos habituais:
apelação publicitária, exploração
do corpo feminino e ofensa aos mais pudicos. Até o governo
teve de tomar posição. Os cartazes com modelos com
a lingerie minimalista agarradas a barras de boate de strip-tease
ou com luvas de boxe diante de um homem e de costas para o público
tiveram de ser retirados pelo anunciante.
Sempre afeita ao debate das grandes questões da humanidade,
a França discute o fio-dental com desvelo. O sociólogo
Jean-Paul Amadieu analisa o uso da microcalcinha como "o atual rito
de passagem para a idade adulta". A deputada socialista e ex-ministra
Ségolène Royal acha a proibição do fio-dental
nas escolas uma boa coisa: "Aos olhos dos meninos, o fio-dental
reduz as jovens ao seu traseiro. Depois nos surpreendemos que garotas
sejam vítimas de violência sexual". O ministro do Ensino
Escolar, Xavier Darcos, questionado sobre a interdição
nas escolas, disse considerar "normal que se peça às
jovens, assim que elas começam a ser desejáveis, que
se portem de maneira a não provocar ninguém". À
porta de uma das escolas envolvidas, as meninas desdenham da polêmica.
"Está na moda, e daí?", diz uma. "É um acessório
de moda como uma pulseira, uma bolsa" ou "a gente vê muito
bem o fio-dental da professora de matemática", provocam outras.
Enquanto a nação discute suas implicações
sociais, os fabricantes vendem fio-dental a rodo. A marca Dim, que
detém 60% do mercado, informa que as compras de fio-dental
mais que dobraram entre 2002 e 2003. "Nunca vi um modelo de lingerie
fazer tanto sucesso", disse a VEJA a diretora Véronique Carn.
Só a rede C&A vende 12.000 por semana. Um estudo do Instituto
Francês de Moda estima que o fio-dental seja o responsável
pelo crescimento recente das vendas de lingerie acima das médias
do mercado de vestuário.
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