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Realeza
A
rainha do deserto
Rania da Jordânia é bonita, simpática,
chique e ainda defende as causas certas
Todo mundo comentou na época e a história é
repetida até hoje: ao ser coroada rainha da Jordânia,
em 1999, Rania, a bonita, articulada e elegante mulher do rei Abdullah
II, usou à guisa de coroa a tiara de diamantes da cunhada,
a princesa Haya. "Para que gastar um monte de dinheiro numa coisa
que só vou usar raramente?", disse, toda modesta, na época.
E assim, de tiara emprestada, Rania brilhou ao lado do marido atarracado
e sem glamour. Apesar do coque bufante e da maquiagem pesada, já
era uma visão de beleza e porte imponente, capazes de encantar
os súditos e ajudar na aceitação popular de
um novo e imprevisto soberano. De lá para cá, Rania
só fez refinar seus dotes. Depois de ter a terceira filha,
em setembro de 2000, emagreceu até o padrão de modelo.
O que economizou com a tiara, gastou em roupas de grifes, jóias,
sapatos e uma vastíssima coleção de bolsas
(em Amã, é chamada de "rainha das bolsas"). Aprendeu
a se maquiar, a deixar soltos os cabelos brilhantes ou a prendê-los
em penteados elegantes. No começo do mês, em visitas
seguidas a Paris e a Estocolmo, deslumbrou os anfitriões
com sua vivacidade e sua figura impecável, tanto de dia,
em terninhos e conjuntos justos e salto altíssimo, quanto
nas noites de gala, nos longos de refinada inspiração
oriental que costuma usar. Numa parte do mundo onde até as
mulheres emancipadas estão voltando a usar o véu,
Rania só cobre os cabelos quando vai à mesquita e
projeta uma imagem de independência e segurança quase
sem paralelos.
A plebéia Rania, filha de um médico palestino criada
no Kuwait e formada em administração de empresas pela
Universidade Americana no Cairo, casou-se com Abdullah em 1993.
O príncipe, filho mais velho do rei Hussein da Jordânia,
não era herdeiro do trono antes dele vinha o tio,
Hassan. Duas semanas antes de morrer, de câncer, Hussein virou
o jogo e pôs seu primogênito na frente da fila. E assim
o casal se viu catapultado para o trono da Jordânia, ambos
monarquia e país criações coloniais
dos ingleses num cantinho desértico e altamente problemático
do Oriente Médio. Rania, aos 28 anos, tornou-se a mais jovem
rainha do mundo e uma anomalia por natureza. Para começar,
praticamente não existem rainhas no mundo árabe (até
recentemente, os monarcas remanescentes continuavam a praticar a
poligamia) e, quando existem, não falam nem aparecem em público.
A idéia de uma rainha à moda ocidental foi introduzida
justamente pela última mulher do rei Hussein, a americana
Noor, bonita, ativa e tarimbada em circular nas altas-rodas internacionais.
Diante do precedente (embora as duas não sejam exatamente
grandes amigas), Rania arregaçou as mangas do tailleurzinho
Saint Laurent e seguiu o exemplo. Com uma vantagem enorme sobre
a antecessora, pois como palestina tem a simpatia automática
de 60% da população da Jordânia. Para o marido,
isso é um trunfo extra. Filho de uma inglesa, a segunda mulher
de Hussein, Abdullah até hoje treina para falar árabe
correntemente.
Antes de se casar, Rania trabalhou no Citibank e na Apple. Já
desfilou na rua com o kaffiyeh, o lenço quadriculado palestino
no pescoço, mas em geral defende causas "femininas" e politicamente
corretas, como campanhas contra o abuso infantil ("Quando comecei
a denunciar a violência contra crianças em casa, não
havia sequer um termo para isso na nossa língua", diz) e
a favor do microcrédito. Na abertura da Cúpula das
Mulheres Árabes em Amã, no ano passado onde
fez bonito com um longo azul bordado em dourado, obra do libanês
Elie Saab, seu estilista favorito , conclamou as jordanianas
a se modernizar e aderir à internet, que só é
usada por 4% da população feminina do país.
Esportiva (correu a maratona de Amã junto com todo mundo)
e dedicada aos filhos, ajuda a cultivar a imagem de família
unida, feliz e moderna. Passa férias na Côte d'Azur
e não resiste a uma roupa de grife, mas fazer o quê?
A uma rainha jovem, bonita e cada vez mais elegante, vinda de um
lugar do mundo de onde habitualmente só chegam notícias
trágicas, não só se perdoa como até
se aplaude por proporcionar uma pausa para a fantasia.
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