Edição 1825 . 22 de outubro de 2003

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Cartas

 

"Nossos negociadores na Alca não se deram conta de que, por incompetência ou estupidez, estão adotando uma posição isolacionista."
Vladimir Duarte Dias
Porto Alegre, RS

Alca

Espero que o governo atue com mais coragem na negociação e com menos estupidez ideológica. De nada adianta reclamar da posição de força de nossos parceiros, o que devemos fazer é explorar e defender nossos pontos fortes na mesa de negociação ("7 perigos de dar uma banana para a Alca", 15 de outubro).
Pedro Gärtner
Rio de Janeiro, RJ

Que nos moldes atuais a Alca apresenta desvantagens para o nosso país, isso é inquestionável. No entanto, somente bater martelo e não apresentar proposta alguma de nada adianta. Para os americanos, a Alca seria uma forma de tentar aumentar o superávit da balança comercial na única região do mundo onde os Estados Unidos ainda apresentam ampla lucratividade comercial, que é a América Latina. Com muito bom destaque, a reportagem coloca bem o perigo de o Brasil se isolar continentalmente, e a última coisa que somos e podemos conceber em um mundo globalizado é a auto-suficiência econômica.
Mauricio de Novaes Franco Neto
Rio de Janeiro, RJ

Estava angustiado, havia meses, com a falta de profundidade e de conhecimentos técnicos e econômicos com que o governo vem discutindo e negociando a Alca. Só para exemplificar um setor da economia: o setor coureiro calçadista, em que o mercado consumidor das Américas é de 3,3 bilhões de pares e a produção, 1,2 bilhão de pares. Ou seja, 2,1 bilhões são fornecidos por países de fora da região. Com o livre-comércio, a indústria calçadista brasileira poderia duplicar a produção de 650 milhões de pares por ano.
Antonio Olmiro Alves de Souza
Diretor da Associação dos Fiscais de Tributos Estaduais do Rio Grande do Sul
Porto Alegre, RS

Magnífica a reportagem sobre a condução das negociações da Alca. Os americanos são quem mais investe aqui. São os que mais compram aqui. A Continental comprou da Embraer mais de 225 jatos regionais, a American Eagle outros 200 e tantos, a Jet Blue adquiriu 100 da novíssima família 170, a US Airways levou 85 das duas famílias, a United Express opera mais de oitenta EMB 120. Digam-me em qual mercado nós vamos vender tais quantidades para um único cliente.
Luiz Sérgio de la Orden Wanderley
Florianópolis, SC

A despeito de todos os erros que podem estar sendo cometidos por essa administração, nunca antes o Brasil foi visto com tanto respeito em função de suas posturas nas relações comerciais como neste instante. Tenho participado de fóruns, debates e conferências com importantes sociólogos, cientistas políticos e economistas, em que uma maioria significativa vem apoiando a política internacional do governo Lula, mesmo que tenham críticas isoladas, específicas, o que é muito natural.
Raimundo Barreto
Princeton, New Jersey, EUA

Parabéns pela ilustração da capa (edição 1 824). Retrata de maneira cômica e inteligente a real situação do Brasil diante de interesses dos EUA.
Gustavo Hertel
Vitória, ES

De mau gosto a capa de VEJA, mostrando submissão de nosso país aos EUA. Neste momento, os americanos devem estar fazendo comentários e dando gargalhadas.
Ivan Flávio Nascimento
Belém, PA

 

Jon Krakauer

Quem conhece os membros fiéis e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias deve ter ficado muito entristecido com tantas besteiras escritas por Jon Krakauer no livro Pela Bandeira do Paraíso. Os mórmons não são extremistas, seguem os ensinamentos de Jesus Cristo, são monogâmicos, buscam ser honestos e são cidadãos de bem ("Um ingresso para o inferno", 15 de outubro).
Osvaldo Peressute Junior
Curitiba, PR

 

Igreja e sexo

Com relação à reportagem "Cruzada da insensatez" (15 de outubro), gostaria de dizer que não deixa de ser bastante equivocada e infeliz a afirmação de que o vírus da Aids atravessa a membrana da camisinha. A posição defendida pelo cardeal López Trujillo e até por outros religiosos está longe de ser compartilhada pelo conjunto da Igreja Católica. Com mais de 1 bilhão de fiéis espalhados pelo mundo, a Igreja comporta uma grande pluralidade e complexidade. As questões de moral não se reduzem ao que um cardeal do Vaticano diz. Além da Cúria Romana e do papa, há conferências de bispos em diversos países, reflexões de teólogos, trabalhos pastorais de muitas entidades e a consciência dos fiéis, última instância das decisões morais.
Luís Corrêa Lima
Padre jesuíta e historiador
Brasília, DF

 

Arnold Schwarzenegger

Na campanha para governador da Califórnia, Schwarzenegger foi tão imbatível quanto o andróide T-800 da série Exterminador do Futuro. Podemos notar como a admiração mundial por um superastro pode influenciar muito numa decisão política. Se essa onda pegar, será necessária, assim como na série que consagrou o ator austríaco, a criação de uma resistência capaz de impedir a expansão do domínio dos governators ("E com vocês, o governator", 15 de outubro).
Kazuaki Ishizaki
Hikari, Japão

 

Reforma do Judiciário

Maus-tratos a delinqüentes juvenis, chacinas e execuções de testemunhas são fatos deprimentes, sem dúvida. Mas é preciso esclarecer que essas questões, num primeiro momento, estão afetas às autoridades policiais, que, como é sabido, pertencem ao Executivo (da União e dos Estados). A polícia deve indiciar os culpados e encaminhar o inquérito ao Ministério Público. Só com o recebimento da denúncia de um promotor de justiça o fato criminoso passa para a responsabilidade do juiz, iniciando-se a ação penal correspondente. Não é necessário inspeção da ONU para constatar o óbvio, isto é, que os juízes e tribunais se encontram asfixiados pelo excesso de processos para julgar. Essa sobrecarga decorre da falta de juízes, de estrutura deficiente e de uma legislação processual inadequada (área de competência do Congresso Nacional), que permite recursos e manobras protelatórias para todo tipo de causa ("O Brasil afogado em processos", 15 de outubro).
Osvaldo Nallim Duarte
Juiz de direito
Curitiba, PR

 

PTB

A propósito da reportagem "Acidente e sucessão" (15 de outubro), quero esclarecer que minha postura foi expressa na seguinte frase: "Eu sou caipira do interior de São Paulo. Na minha terra, só se discute sucessão depois da missa de sétimo dia". Quando me manifestei sobre a sucessão no PTB, me limitei a explicitar que, de acordo com o estatuto do partido, teríamos trinta dias para a realização de nova eleição e que neste período a presidência seria exercida provisoriamente pelo vice-presidente mais velho, deputado Nabi Abi Chedid. Disse ao deputado Roberto Jefferson que o apoiaria à presidência do partido, mas que não havia necessidade de decidir naquele momento, o que acabou ocorrendo em razão de pedido formulado pela família Martinez.
Luiz Antonio Fleury Filho
Deputado federal (PTB-SP)
Brasília, DF

 

Genética

O uso de vitaminas e minerais no desenvolvimento fetal começou a fazer parte da medicina durante a II Guerra Mundial. Nessa época, a escassez de alimentos no continente europeu impedia o aporte adequado de nutrientes para todos os habitantes, em especial às gestantes. Para amenizar esses problemas, iniciou-se a indicação de suplementação vitamínica e mineral durante toda a gestação. Atualmente, especial atenção refere-se à utilização do ácido fólico (4 mg/dia), pois as pesquisas evidenciaram uma expressiva diminuição das malformações do tubo neural (medula espinhal), da prematuridade e do baixo peso. Mulheres que utilizam anticoncepcionais orais devem ser alertadas de que apresentam níveis de ácido fólico diminuídos e por esse motivo é proposto que iniciem a suplementação desse folato três meses antes do planejamento da gravidez. É muito animador sabermos agora que uma dosagem extra de ácido fólico, vitamina B12, colina e betaína, em laboratório, poderá diminuir ou prevenir a predisposição ao aparecimento do diabetes, do câncer e da obesidade nos descendentes ("Diferente da mamãe", 15 de outubro)!
Doutor Celso Engelberto Ayres
Mestre em ginecologia e obstetrícia da USP de Ribeirão Preto
Mogi Mirim, SP

 

China

A reportagem "O lado sombrio da grande China" (8 de outubro) exagerou alguns aspectos negativos da vida social das mulheres da China e não corresponde à situação atual delas. Durante milhares de anos na sociedade feudal e em pouco mais de 100 anos na sociedade semifeudal e semicolonial, a história das mulheres chinesas foi uma tragédia cheia de opressão, ultraje e humilhação. Na primeira metade do século passado, sob a direção do Partido Comunista da China, as mulheres chinesas sustentaram uma heróica luta pela libertação nacional e pela própria emancipação, que alcançaram com a fundação da República Popular da China. As mulheres chinesas, que representam uma quarta parte das mulheres do mundo, conquistaram, por fim, sua histórica emancipação. A nova China declara que, em todos os aspectos da vida política, econômica, cultural, social e familiar, as mulheres gozam de iguais direitos que os homens.
Shang Deliang
Conselheiro de imprensa Embaixada da China
Brasília, DF

 

CORREÇÃO: Na reportagem "7 perigos de dar uma banana para a Alca" (15 de outubro), o nome correto da Rebrip é Rede Brasileira pela Integração dos Povos, e não dos Povos Indígenas, como foi publicado.

 

Nota pública de esclarecimento

Cumprindo determinação unânime da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, em acórdão proferido na Apelação Cível nº 7000.5597646 que julgou definitivamente seus embargos à execução, a editora esclarece a seus leitores que foi condenada nos autos da Ação de Indenização ajuizada por Maria Beatriz Dreyer Pacheco contra a Editora Abril S/A, processo n. 100598755, por sentença da MM Juíza de Direito da 6ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, Dra. Judith dos Santos Mottecy, a indenizar a autora por danos morais em razão da reportagem denominada "Dormindo com o inimigo", cuja chamada de capa foi redigida como "Peguei AIDS do meu marido", publicada na Revista Veja, Edição 1570, ano 31, n. 43, de 28 de outubro de 1998, sendo que o dispositivo sentencial assim restou redigido: "ISTO POSTO, pelos fundamentos acima declinados, JULGO PROCEDENTE o pedido de indenização por abalo moral deduzido por MARIA BEATRIZ DREYER PACHECO contra EDITORA ABRIL S/A. Condeno a ré a pagar à autora, a título de indenização, o equivalente a 200 salários mínimos. Deverá proceder à publicação, no mesmo veículo, de nota pública de esclarecimento aos leitores, com suficiente destaque, noticiando a presente via judicial em razão da matéria anteriormente veiculada." A sentença foi proferida em 07 de outubro de 1999.

 

Entusiasmo com o vinho nacional

A reportagem "A vitória dos bons e baratos" (24 de setembro), que mostrou como os consumidores brasileiros aprimoram o gosto por vinhos finos, mexeu com o orgulho dos produtores nacionais. "A vitivinicultura brasileira, com pouco mais de 100 anos, é relativamente jovem diante da milenar tradição de vários dos principais produtores. Assim mesmo, a evolução tecnológica instalada nas duas últimas décadas em regiões de produção do Brasil o coloca ao lado de países já tradicionais ou emergentes no mundo do vinho", escreveu Carlos Raimundo Paviani, presidente do Instituto Brasileiro do Vinho, de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. De Flores da Cunha, o presidente da Associação Gaúcha de Vinicultores, Benildo Perini, reafirma o que disse Paviani: "Com os investimentos em qualidade e eficiência, nós temos certeza de que o vinho nacional será muito apreciado pelos brasileiros e pelo resto do mundo", disse. Eduardo Stefani, gerente de operações da Wines from Brazil, destaca o esforço com que "a indústria vitivinícola brasileira vem se desenvolvendo no sentido de se adequar aos padrões internacionais". Jaime Milan, da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos, de Bento Gonçalves, garante que "o mercado brasileiro reconhece a qualidade dos vinhos nacionais e corresponde com forte demanda" e fala do "sucesso que o vinho brasileiro vem obtendo no exterior, como resultado do processo de divulgação e exportação dos melhores rótulos gaúchos para vários países".

 
 
 
 
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