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Perigo domésticoTeoria conspiratória gera Isabela Boscov Os vilões de Hollywood variam de acordo com a época. Russos, vietcongues, muçulmanos de matizes variados, todos já desempenharam esse papel. Mas, depois de tragédias como a de Oklahoma City, onde uma bomba da ultradireita fez 168 mortos em 1995, uma nova paranóia entrou na roda: a do inimigo interno. Exemplo disso é O Suspeito da Rua Arlington (Arlington Road, Estados Unidos, 1999), que estréia nesta sexta-feira em São Paulo. A diferença é que, desta vez, a história não é ridícula como a de Inimigo do Estado, que apenas serve de pretexto para cenas de perseguição e efeitos especiais. Tanto que atraiu atores do talento de Jeff Bridges, Tim Robbins e Joan Cusack. Bridges vive um professor cuja disciplina é "terrorismo doméstico". Ou seja, é um sujeito que vê uma ameaça em cada canto. Até de seus novos vizinhos, mais certinhos do que pão de fôrma, ele desconfia. O resultado é um suspense em que a tensão aumenta a cada reviravolta. Curiosamente, o filme provou do próprio veneno: sua estréia foi adiada de maio para julho nos Estados Unidos, até que se dissipasse o choque causado pelo massacre de Littleton, Colorado, em que dois adolescentes mataram treze pessoas. O estúdio achou que seria de mau gosto lançar uma fita sobre paranóia na mesma época. |
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