|
Overdose na veiaMédicos descobrem por que a cocaína aumenta Um dos mais intrigantes efeitos da cocaína no organismo humano é sua ligação com ataques cardíacos. Na semana passada, um estudo conduzido por pesquisadores americanos finalmente conseguiu detalhar a reação em cadeia iniciada pela droga a partir da corrente sanguínea e que afeta diretamente o coração. Liderados pelo médico Arthur Siegel, da Universidade Harvard, os pesquisadores analisaram amostras de sangue coletadas de vinte pessoas, antes e depois de ingerirem a droga. Os voluntários, que nunca tinham usado a substância, aspiraram a cocaína e a tomaram injetada nas veias. Os resultados dos exames foram semelhantes e mostraram que a cocaína afeta tanto a composição do sangue quanto os vasos por onde ele circula, aumentando os riscos de formação de coágulos (veja quadro abaixo).
O mecanismo desvendado pelos médicos complementa uma série de pesquisas anteriores sobre os efeitos nefastos da droga no coração. Já se sabia, por exemplo, que o consumo de cocaína provocava o estreitamento de veias e artérias. São comuns também violentas taquicardias causadas pela descarga de adrenalina, um dos efeitos que se seguem a uma cheirada ou a uma picada. O coração acelera e precisa de maiores quantidades de oxigênio, ou seja, de maior irrigação sanguínea. O sangue mais viscoso e com maior índice de coagulantes prejudica a circulação e pode levar o músculo a um colapso. "É o mesmo que praticar uma roleta-russa", compara Siegel. "O estreitamento dos vasos carrega a arma, o espessamento do sangue coloca o gatilho em posição e o fator Willebrand é o disparo", diz. Como resultado dessa combinação, os riscos de uma pessoa sofrer um infarto logo após o consumo de cocaína aumenta em 24 vezes. |
|
|