Edição 1872 . 22 de setembro de 2004

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

VEJA Recomenda

DVDs

Divulgação
Kill Bill: Tarantino destila o seu vasto conhecimento do cinema oriental


Kill Bill – Volume 1
(Estados Unidos, 2003. Imagem) – Ao despertar de um coma de quatro anos, a Noiva (Uma Thurman), ex-assassina profissional, vai atrás dos colegas que invadiram sua festa de casamento, mataram noivo e convidados e deixaram-na largada na igreja, grávida e com uma bala na cabeça. Não é de estranhar, portanto, que a Noiva queira empreender uma vingança exemplar – ainda mais sendo ela uma criação de Quentin Tarantino. A estréia no Brasil do segundo episódio da saga, Kill Bill – Volume 2, prometida para 8 de outubro, é só mais uma razão para apreciar essa ópera pop, em que o diretor destila a sua admiração e o seu vasto conhecimento do cinema oriental. Trailer.

Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, Estados Unidos, 2004. Universal) – A enfermeira Ana (Sarah Polley) vai dormir feliz da vida uma noite – e, quando acorda, quase todos os seres humanos já viraram zumbis famintos, por motivo desconhecido e que essa refilmagem do clássico trash Despertar dos Mortos, de 1978, nem procura investigar. Ana se junta, num shopping center, aos poucos homens e mulheres que ainda não foram contaminados. Mas esse pequeno núcleo social tem pouco de auspicioso: se não sucumbir à barbárie que vem de fora, é provável que não resista àquela que cada um trouxe consigo. Mais bem produzida que o original do diretor George Romero, essa nova versão mantém, entretanto, o clima de pavor e alegoria de uma sociedade desumanizada pelo consumismo.

A História do Rock' n'Roll (Estados Unidos, 1995. Warner) – Essa caixa com cinco DVDs e mais de dez horas de duração explica tudo o que você gostaria de saber sobre rock. Ou melhor, quase tudo, porque os Beatles se recusaram a ceder imagens de arquivo. Isso não desqualifica o documentário, que tem produção do maestro Quincy Jones e roteiro dos principais jornalistas de música dos Estados Unidos. A História do Rock'n'Roll acompanha o gênero desde suas origens no blues até 1995, com a explosão do rock alternativo nos Estados Unidos. Os DVDs trazem depoimentos exclusivos e cenas raríssimas – como uma apresentação do cantor Iggy Pop num show matutino (e brega) de televisão. Os capítulos dedicados aos movimentos disco e punk são deliciosamente hilários.

 

DISCOS

 
Divulgação
Modest Mouse: alternativos  

Good News for People who Love Bad News, Modest Mouse (Sony Music) – O grupo americano tem catorze anos de carreira, mas somente agora está provando o sabor do sucesso. O Modest Mouse venceu uma das principais categorias da última edição do Video Music Awards, da MTV, e os ingressos de sua última turnê estão sendo muito disputados. Musicalmente, o grupo foi bastante influenciado pelo rock alternativo americano dos anos 90 – principalmente nas guitarras distorcidas. Percebe-se ainda o experimentalismo de artistas como Tom Waits e Talking Heads (nada, porém, que deixe a música inaudível). O sucesso do disco é o rock Float On, mas vale a pena ficar atento a letras como a de Bukowski, sobre o célebre escritor americano: "Ele até que escreve bem / Mas quem poderia imaginar que fosse uma pessoa tão desagradável?".

It's De Lovely: the Authentic Cole Porter Collection, vários intérpretes (BMG) – O americano Cole Porter (1891-1964) pertence ao seleto grupo de compositores que elevaram a música popular à categoria de "grande arte". Porter criou temas para musicais da Broadway e de produções de Hollywood, mas não se restringiu aos temas jazzísticos. Suas composições incluíam também influências de música country e oriental. Esta coletânea é uma bela introdução ao trabalho do compositor. Traz alguns dos principais sucessos de Porter na voz de artistas como Frank Sinatra, Fred Astaire e até de Roy Rogers, o caubói do cinema. Um dos momentos mais vibrantes do disco é a versão do clarinetista Artie Shaw para Begin the Beguine. Ouça o disco.

 

LIVRO

O Mercador de Café, de David Liss (tradução de Alexandre Raposo; Record; 392 páginas; 46,90 reais) – O cenário às vezes é tudo. Um dos pontos fortes deste romance é a caracterização da época e do lugar em que ocorre a ação: a Holanda do século XVII, então uma das maiores potências comerciais do mundo. O herói da história é Miguel Lienzo, um judeu português que fugiu da Inquisição em seu país e estabeleceu um negócio de açúcar em Amsterdã. Depois de falir em uma reviravolta do mercado, Lienzo decide investir em um novo produto – o café. Mas sua sociedade com uma holandesa sedutora dará início a uma trama de traição e mistério. Liss é bom em urdir esse tipo de enredo: seu romance anterior, A Conspiração de Papel, ganhou o prêmio Edgar Allan Poe de livro de suspense. Leia trecho.

 
Flaubert: precisão de mestre  

Três Contos, de Gustave Flaubert (tradução de Samuel Titan Jr. e Milton Hatoum; Cosac & Naify; 150 páginas; 39 reais) – Ninguém pode dizer que conhece os clássicos sem ter lido Flaubert (1821-1880). Último livro publicado em vida pelo autor francês, Três Contos reúne histórias de temas muito diversos. Um Coração Simples retrata a existência triste e servil da criada Félicité. A Legenda de São Julião Hospitaleiro é a versão de Flaubert para a vida de Julião, o santo que matou seus próprios pais em uma confusão de identidades. Herodíade revisita a história bíblica em que Salomé pede a cabeça de São João Batista em uma bandeja. Em comum, todas essas histórias trazem a elegância e a precisão que fizeram de Flaubert um mestre da narrativa. Leia trecho.

 

Os mais vendidos

A partir desta semana, a lista dos livros mais vendidos de VEJA passa a incluir o site Submarino entre suas fontes. Ao contrário das demais livrarias consultadas para a elaboração da lista, ele não dispõe de lojas "físicas" – todas as suas operações são realizadas pela internet. De modo geral, a participação da internet no mercado livreiro ainda é tímida. A Associação Nacional de Livrarias calcula que a rede responde atualmente por cerca de 3% das vendas de livros no país. Apesar disso, o Submarino, fundado em 1999, é hoje considerado um concorrente importante no setor. Daí a decisão de computar seus números. Com esse acréscimo, a lista passa a discriminar na rubrica "internet" todas as empresas que possuem sites de venda. Aquelas que mais investem nesse canal são a Saraiva e a Cultura. A primeira realiza 18% de suas vendas por meio de encomendas virtuais, e a segunda, entre 17% e 20%.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Nobel, Saraiva, Sodiler e Submarino.
 
 
 
topovoltar