Edição 1872 . 22 de setembro de 2004

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cinema
Ele sabe a que veio

O assassino amnésico Jason Bourne
volta ainda mais empolgante em
sua nova aventura


Isabela Boscov

 
Divulgação
Damon, com Julia Stiles: a missão é permanecer vivo

EXCLUSIVO ON-LINE
Galeria de imagens
Trailer

É provável que quem não tenha visto o thriller A Identidade Bourne demore a tomar pé de sua continuação, A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, Estados Unidos/Alemanha, 2004), que estréia nesta sexta-feira – mas o fato é que esse espectador não vai estar em situação muito diferente daquela vivida pelo protagonista. Jason Bourne (Matt Damon) sofre de amnésia. Só sabe ser um assassino profissional que operava sob ordens da CIA, e que há pessoas na própria agência que farão de tudo para matá-lo. Escondido na Índia, Bourne teve dois anos para meditar sobre qual seria sua verdadeira identidade. Mas esse tempo acabou. Nesse novo filme, toda a sua capacidade de processamento está concentrada na tarefa de chegar vivo ao minuto seguinte. E, se esse risco parece real, o mérito é não só da atuação habilidosamente cifrada de Damon, como também do brilhantismo com que o inglês Paul Greengrass dirige essas duas horas de caçada ininterrupta, que tem lugar nos meandros menos turísticos de cidades como Berlim, Washington e Moscou – esta, cenário de uma perseguição que já pode ser considerada antológica.

Adaptados da série de livros do americano Robert Ludlum, os dois filmes protagonizados por Jason Bourne são absolutamente distintos entre si. Identidade era uma confecção pop, enquanto Supremacia tira sua inspiração do cinema-verdade: aqui, o momento é tudo. O que eles têm em comum é a originalidade de seus diretores – Doug Liman, de Vamos Nessa, fez o primeiro filme, enquanto Greengrass, do formidável Domingo Sangrento, comanda este segundo episódio, aplicando a ele muitas das técnicas que usou para recriar o massacre ocorrido na Irlanda do Norte em 1972. Greengrass é um mestre em filmar cenários urbanos, e sabe como extrair urgência e perigo deles. Também está sempre de olho em oportunidades de arredondar seus personagens, ainda que eles mal tenham diálogos – e é exemplar seu trabalho com o assassino russo que tira Bourne de sua toca, interpretado pelo neozelandês Karl Urban. A Supremacia Bourne se junta, assim, ao rol restrito das continuações que não envergonham o filme original. Não só é uma trama de espionagem de primeira, como algo bem mais real e assustador do que isso: um panorama de um mundo pós-Guerra Fria em que assassinos treinados por seus governos circulam por aí como mercenários, a serviço de causas ainda mais escusas do que as que originaram sua existência.

 
 
 
 
topovoltar