|
|
Cinema
Ele sabe a que veio
O assassino amnésico Jason Bourne
volta ainda mais empolgante em
sua nova aventura

Isabela Boscov
Divulgação
 |
| Damon, com Julia Stiles: a missão é permanecer
vivo |
É provável que quem não
tenha visto o thriller A Identidade Bourne demore a tomar
pé de sua continuação, A Supremacia Bourne
(The Bourne Supremacy, Estados Unidos/Alemanha, 2004), que
estréia nesta sexta-feira mas o fato é que
esse espectador não vai estar em situação muito
diferente daquela vivida pelo protagonista. Jason Bourne (Matt Damon)
sofre de amnésia. Só sabe ser um assassino profissional
que operava sob ordens da CIA, e que há pessoas na própria
agência que farão de tudo para matá-lo. Escondido
na Índia, Bourne teve dois anos para meditar sobre qual seria
sua verdadeira identidade. Mas esse tempo acabou. Nesse novo filme,
toda a sua capacidade de processamento está concentrada na
tarefa de chegar vivo ao minuto seguinte. E, se esse risco parece
real, o mérito é não só da atuação
habilidosamente cifrada de Damon, como também do brilhantismo
com que o inglês Paul Greengrass dirige essas duas horas de
caçada ininterrupta, que tem lugar nos meandros menos turísticos
de cidades como Berlim, Washington e Moscou esta, cenário
de uma perseguição que já pode ser considerada
antológica.
Adaptados da série de livros do americano
Robert Ludlum, os dois filmes protagonizados por Jason Bourne são
absolutamente distintos entre si. Identidade era uma confecção
pop, enquanto Supremacia tira sua inspiração
do cinema-verdade: aqui, o momento é tudo. O que eles têm
em comum é a originalidade de seus diretores Doug
Liman, de Vamos Nessa, fez o primeiro filme, enquanto Greengrass,
do formidável Domingo Sangrento, comanda este segundo
episódio, aplicando a ele muitas das técnicas que
usou para recriar o massacre ocorrido na Irlanda do Norte em 1972.
Greengrass é um mestre em filmar cenários urbanos,
e sabe como extrair urgência e perigo deles. Também
está sempre de olho em oportunidades de arredondar seus personagens,
ainda que eles mal tenham diálogos e é exemplar
seu trabalho com o assassino russo que tira Bourne de sua toca,
interpretado pelo neozelandês Karl Urban. A Supremacia
Bourne se junta, assim, ao rol restrito das continuações
que não envergonham o filme original. Não só
é uma trama de espionagem de primeira, como algo bem mais
real e assustador do que isso: um panorama de um mundo pós-Guerra
Fria em que assassinos treinados por seus governos circulam por
aí como mercenários, a serviço de causas ainda
mais escusas do que as que originaram sua existência.
|