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Rússia
Putin acena com a mão
de ferro
Presidente
russo reage ao massacre de Beslan
com uma reforma para adquirir mais poderes
Reuters
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| Putin: o temor é que a centralizaçãoatinja
a economia |
Um chefe
de Estado que usa grave atentado terrorista praticado em seu país
para consolidar um projeto pessoal de poder. Já vimos esse
filme? As atitudes do presidente russo Vladimir Putin fazem George
W. Bush parecer um exemplo de equilíbrio. Tomar medidas de
força, por excessivas que fossem, seria previsível
depois que separatistas da Chechênia levaram as táticas
terroristas ao pavoroso extremo que redundou no assalto a uma escola
em Beslan, no sul da Rússia, ao suplício e à
morte de adultos e crianças, num total de 339 vítimas
fatais. Agora, Putin começou a abusar. Na semana passada,
anunciou uma reforma no sistema eleitoral que distancia a Rússia
do caminho democrático, por instável que seja, iniciado
em 1991, após a autodissolução da União
Soviética. Se as novas medidas forem aprovadas pelo Congresso,
os 89 governadores das repúblicas e regiões que formam
a Federação Russa serão indicados pelo chefe
de Estado Putin, é claro. O voto direto deixará
de valer também para a Câmara de Deputados. Putin quer
que, no futuro, todos os 450 parlamentares sejam escolhidos com
base em listas de partidos, o que exterminaria qualquer oposição.
As medidas
de Putin causam apreensão por dois motivos. Primeiro, porque
elas podem sinalizar um enfraquecimento das já precárias
instituições na Rússia. Segundo, pelo temor
de que ele estenda essa concentração de poder ao terreno
da economia. Nos dois casos, perde não só a Rússia,
mas o resto do mundo. Desde que sepultou o comunismo, há
pouco mais de dez anos, a Rússia iniciou uma inserção
no mercado global. Hoje, é o segundo maior produtor de petróleo
do planeta riqueza estratégica que Putin tem manobrado
para colocar de novo, em alguma medida, sob controle estatal. Iniciativas
assim, somadas ao retrocesso nas regras democráticas, teriam
conseqüências nada boas sobre a economia mundial
e, obviamente, efeito zero sobre o terrorismo.
Fotos AP
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| Volta às
aulas em Beslan: Basayev (à dir.) assumiu o atentado
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A facilidade
com que os chechenos explodem aviões e massacram crianças
tem mais a ver com a corrupção endêmica do país
do que com a insubordinação de um ou outro governador.
Na semana passada, descobriu-se que as duas terroristas suicidas
que explodiram dois aviões de passageiros há um mês
chegaram a ser detidas antes do embarque, mas a soma de corrupção
com incompetência abriu caminho à tragédia.
No aeroporto, elas foram abordadas por policiais, que confiscaram
seus passaportes. O comandante local as liberou. Além disso,
uma das terroristas subornou um funcionário da companhia
aérea para poder pegar o vôo naquele dia a passagem
dela estava marcada para o dia seguinte. Pagou o equivalente a 100
reais e matou 45 pessoas.
"Os governos
que combatem os inimigos da democracia têm de sustentar os
princípios da democracia", disse Bush, numa rara, porém
merecida, crítica ao presidente russo, com quem tem boas
relações, políticas e pessoais. Putin respondeu
que o governo americano deve cuidar dos próprios problemas.
No fim, acabou recebendo uma ajudazinha, involuntária, de
seu inimigo número 1, o líder checheno Shamil Basayev.
Ao assumir a responsabilidade pelo atentado de Beslan, Basayev disse
que Putin é o único culpado pela morte das crianças.
A afirmação é de um cinismo monstruoso, já
que foi feita pelo homem que mandou comandos suicidas seqüestrar
os alunos e planejou a instalação de explosivos na
escola. O que a eleição indireta de governadores tem
a ver com o combate a um inimigo assim?
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