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| Medicina Coleta
de esperança
O Ministério da Saúde cria uma rede nacionalde bancos de células-tronco de
cordãoumbilical para o tratamento de leucemia  Paula
Neiva
Claudio
Rossi
 | | O
geneticista Moreira-Filho, do Hospital Albert Einstein: 10 000 cordões, no mínimo,
em cinco anos |
Todos
os anos 7.500 brasileiros recebem o diagnóstico de leucemia, um tipo de
câncer que compromete a produção das células de sangue
na medula óssea. Para 3.000 deles, a única esperança é
um transplante. Ou seja, substituir as células doentes por células
sadias. Menos da metade desses pacientes, no entanto, encontra um doador entre
seus parentes. As outras vítimas do câncer têm de enfrentar
uma longa e angustiante busca por doadores não aparentados. Neste momento,
no Brasil, há 800 pessoas à procura de um doador. Como o tempo médio
de espera é de seis meses, algumas chegam a morrer na fila. Na tentativa
de reverter esse quadro, até o fim deste mês o Ministério
da Saúde inaugura uma rede nacional de bancos públicos de células-tronco
de cordão umbilical, a BrasilCord.
O sangue encontrado no cordão umbilical é rico em células-tronco
aquelas células que, por não terem sofrido diferenciação,
têm a capacidade de se transformar em células de vários tecidos
do corpo humano. Anunciadas como a grande promessa da medicina, essas células
vêm sendo utilizadas com sucesso extraordinário no tratamento de
leucemia. Nesse caso, o transplante de células-tronco de cordão
umbilical é mais simples e mais fácil do que o transplante de células
da medula óssea o tipo de tratamento do qual depende a imensa maioria
dos doentes brasileiros.
A retirada de células da medula óssea para transplante exige que
o doador se submeta a uma cirurgia, com anestesia geral. É difícil
encontrar pessoas que se disponham a essa operação. Tanto que a
lista de doadores brasileiros de medula conta com apenas 72.000 nomes. O ideal
seria que ela tivesse 2 milhões. A doação das células-tronco
de cordão requer somente a autorização da mãe para
que, no momento do parto, seja coletado o sangue do cordão umbilical de
seu bebê. Retirado o sangue, ele passa por uma série de exames para
afastar a possibilidade de que esteja de alguma forma contaminado. Uma centrífuga,
então, separa as células-tronco e, na seqüência, elas
são estocadas em tanques de nitrogênio líquido, a menos 180
graus Celsius. Ficam ali à disposição de futuros receptores.
Os transplantes de células de cordão têm ainda outra vantagem
sobre os de células da medula. Como as células-tronco de
cordão têm mais capacidade de adaptação, as chances
de encontrar o doador são maiores.
Calcula-se que, para suprir a variedade genética da população
brasileira, a BrasilCord tenha de trabalhar com um estoque mínimo de 20.000
cordões umbilicais. A idéia é criar centros de coleta e estoque
de células-tronco de cordão em várias regiões do país.
O primeiro a integrar a rede será o banco do Instituto Nacional de Câncer,
no Rio de Janeiro, que já conta com 700 cordões guardados. Outro
núcleo de coleta e armazenamento de células-tronco é o de
São Paulo, criado a partir de uma parceria entre o Hospital Albert Einstein,
a Universidade de São Paulo (campus de Ribeirão Preto) e a Universidade
Estadual de Campinas. "A previsão é que em cinco anos nós
já tenhamos estocado ao menos 10.000 cordões", diz o geneticista
Carlos Alberto Moreira-Filho, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital
Albert Einstein.
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