Edição 1872 . 22 de setembro de 2004

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Imprensando

Vinte anos depois, veja o senhor a falta que faz o inglês, li e guardei a decisão do juiz Black, da Suprema Corte Americana, julgando a causa do governador Connaly (aquele mesmo que estava junto de Kennedy quando o abateram) contra o New York Times. Black foi curto e grosso absolvendo o NYT:

FhC, ninguém ignora, acha que sabe tudo. Lula acha que não sabe inglês. Pobre presidente!, não percebe a falta que isso lhe faz. Senão, poderia, como eu, aos 20 anos de idade, ter aberto uma Enciclopédia Britânica e lido a Constituição Americana, belo exemplo de Carta Social. Não, quéquéisso, Lula?, não queria que você lesse a Constituição toda. Os pais da Pátria (como eles chamam lá seus mentores, aqui nós os chamamos de filhos da Mátria) não ficaram satisfeitos com a primeira edição. Levaram pra casa e emendaram.

Na primeira! emenda, que vale até hoje, está escrito: "Congress shall make no law abridging the freedom of speech, or of the press". Há 215 anos, presidente Lula! Quando Paris era uma festa; o pau estava comendo na Revolução Francesa. Que acontecia porque o povo francês do semi-úmido, em plena fome zero de lá, se juntava nas ruas exigindo brioche.

P.S. – Ah, Lula, esqueci de traduzir. Abridging significa limitar, definir, reduzir, subtrair, e por aí vai. Em suma: "Não se legislará sobre liberdade de imprensa".

O resto da frase, presidente, pede ao lingüista Aldo Rebelo pra traduzir.

"O debate público deve ser sem inibições, robusto, amplo, e pode e deve incluir observações veementes, algumas vezes cáusticas, e mesmo desagradáveis, com respeito às pessoas dos homens públicos ou seus atos. (...) O espírito do jornalismo está em que, na pressa, ânsia ou necessidade de sua profissão, o jornalista, se fosse se deter em busca de provas definitivas, jamais escreveria coisa alguma. A sanção contra o jornalista deve ser a da própria opinião pública, e através da lei, quando ficar provada de maneira irrefutável a intenção dolosa. Segundo todos os juízes e o mais liminar bom senso, os críticos devem possuir total imunidade, principalmente porque os homens públicos têm sempre igual, se não maior, acesso às tribunas populares, podendo neutralizar imediatamente qualquer mal que lhes atinja a reputação".

É por isso que eu repito: não há nada no mundo como um coração de mãe.


Olha bem em volta, Zé Dirceu,
e vai concordar comigo:

DEPOIS DOS 40 TODO HOMEM TEM
A CARA DO SEU CARÁTER.

(Bem, óculos escuros sempre escondem um pouco.)

 
 
 
 
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