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Carta ao leitor
Sincronia constitucional
Ricardo Stuckert
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| Lula condena sem rodeios todas as formas de
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Por pouco não passou sem a devida ênfase
uma das mais inequívocas declarações de princípios
feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao discursar
em São Paulo na solenidade que comemorou os 25 anos de fundação
da Associação Nacional de Jornais, na terça-feira
passada, Lula praticamente enterrou a malfadada idéia de
implantar no país um mecanismo com o objetivo de "orientar,
disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão
de jornalista". Projeto de lei com esse teor foi mandado ao Congresso
Nacional pelo Executivo há cerca de um mês. Sem o apoio
do presidente, o destino do projeto é definhar. Pelo que
afirmou na terça-feira, Lula reconhece que o papel da imprensa
é o de fiscalizar o exercício do poder e não
o contrário. Disse Lula: "A sociedade precisa do jornalismo
para fiscalizar seus governantes e suas autoridades".
Em outro trecho do discurso, o presidente
Lula reafirmou sua crença em um princípio que parecia
tisnado por recentes ações e declarações
de seus íntimos colaboradores. A crença em questão
é um dos pilares das sociedades abertas, justamente aquele
que assegura o livre fluxo de informações. "Só
com a plena liberdade de imprensa o direito à informação
pode ser atendido", disse o presidente. Contemplando outras perplexidades
suscitadas pelo projeto que, como se viu, chegou ao Congresso
sem que todas as suas implicações fossem analisadas
pelo governo , Lula dissipou no discurso da semana passada
a idéia atemorizante de que se planejava a instalação
de alguma modalidade de censura no país. "Isso não
voltará a acontecer no Brasil, e muito menos voltará
a acontecer de forma dissimulada." A Constituição
brasileira estabelece que "é livre a expressão da
atividade intelectual, artística, científica e de
comunicação, independentemente de censura ou licença".
Estabelece também que "a manifestação do pensamento,
a criação, a expressão e a informação,
sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão
qualquer restrição". A sincronização
do discurso governamental com as garantias constitucionais é
motivo, se não de comemoração, pelo menos de
tranqüilidade muito mais, talvez, para o próprio
governo do que para a sociedade.
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