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22 de agosto de 2007
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CINEMA

Divulgação
A Ponte: o desespero que leva os suicidas à Golden Gate, em São Francisco


A Ponte
(The Bridge,
Estados Unidos/Inglaterra, 2006. Estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro) – Calcula-se que 1.300 pessoas já tenham se matado saltando da Golden Gate para a Baía de São Francisco desde a abertura da ponte, em 1937. Vinte e quatro delas se suicidaram durante o ano em que o cineasta nova-iorquino Eric Steel passou estacionado sob a ponte, com duas pequenas equipes de filmagem. Nesse seu documentário, vêem-se seis dessas pessoas em seus últimos quatro segundos de vida – o tempo que levam desde que dão o passo no vazio até atingir a corrente gelada e profunda 67 metros abaixo. Trata-se de um material chocante e polêmico, tanto que festivais como Sundance e Cannes se recusaram a exibir A Ponte em sua programação. Mas, embora Steel caminhe sobre o fio de uma navalha, é difícil acusá-lo de sensacionalismo: depois de presenciar os suicídios (e de sempre alertar as autoridades para o comportamento peculiar de pessoas que pareciam predispostas a cometer tal ato), o diretor entrevistou parentes e amigos das vítimas, buscando compreender, junto com eles, o que as levara a esse momento extremo. São histórias desoladoras de solidão, desespero e luta contra transtornos mentais. No único depoimento de um sobrevivente (só 2% das pessoas que se jogam da Golden Gate não morrem), confirma-se uma suspeita devastadora: a de que, como aconteceu com esse rapaz, muitos dos suicidas se arrependem da decisão quando provavelmente já é tarde demais. Veja cenas.

 

DISCOS

Zamazu, Roberto Fonseca (Biscoito Fino) – O pianista cubano trabalhou com dois importantes artistas do Buena Vista Social Club. Foi diretor musical do cantor Ibrahim Ferrer (1927-2005) e atua na banda de Omara Portuondo. Mas seu trabalho-solo é mais abrangente. Zamazu é um diálogo amigável entre Cuba, Estados Unidos e Brasil. O piano de Fonseca traz influências de americanos como McCoy Tyner – que tocou no grupo do saxofonista John Coltrane –, enquanto suas composições mostram a marca do afro-jazz cubano e da música brasileira. É o que se percebe na canção Zamazamazu, em que seu dedilhado jazzístico se mistura a uma batida nordestina, e na faixa Dime que No, uma típica guajira cubana. Outro destaque é Congo Arabe, que tem um forte acento oriental.

Caprice, Alison Balsom (EMI) – Atração do Festival de Inverno de Campos de Jordão, realizado no mês passado, essa trompetista inglesa de 27 anos é uma das maiores promessas do mundo erudito. Primeiro porque, nesse meio, é raro encontrar trompetistas do sexo feminino – em geral, elas dominam instrumentos como violino, violoncelo e piano. Alison, além disso, é uma intérprete primorosa, que possui um timbre agradável e não cai na armadilha do excesso de virtuosimo (seus solos são sempre na medida certa). Caprice é uma coleção de composições de vários períodos da música erudita. Entre os melhores momentos estão as leituras de Alison para Libertango e Milone, duas músicas do argentino Astor Piazzolla.

 

LIVRO

Cosmos, de Witold Gombrowicz (tradução de Tomasz Barcinski e Carlos Alexandre Sá; Companhia das Letras; 192 páginas; 38,50 reais) – Logo nas primeiras páginas de Cosmos, o protagonista, caminhando pelo meio de um matagal, descobre a cena de um crime, que será investigado ao longo do romance, no arranjo clássico dos romances detetivescos. Mas o polonês Witold Gombrowicz (1904-1969), mestre em sátiras do mais desbragado nonsense, nunca foi de seguir as fórmulas literárias. O enredo policial de Cosmos não foge a esse figurino iconoclasta. A vítima do crime é apenas um pardal – e o "assassino" usa um método bem pouco usual para matar o passarinho: o enforcamento. A literatura de Gombrowicz é muito divertida – mas também esquisita. Leia trecho.

 

DVD

Divulgação
Noivas: amor sob encomenda


Noivas
(Nyfes, Grécia, 2004. Europa) – Em 1922, um navio segue de Istambul para Nova York com uma "carga" curiosa: 700 noivas de origens diversas, encomendadas por imigrantes que, radicados nos Estados Unidos, desejam casar-se com conterrâneas, as quais nunca viram nem mesmo em retratos. Uma delas é Niki (Victoria Haralabidou), que tem a missão ingrata de salvar a honra da família casando-se com o homem do qual sua irmã fugiu. Duplamente ingrata, aliás, já que durante a viagem Niki e um fotógrafo americano (Damian Lewis) se apaixonam. Uma intriga sobre a exploração de escravas brancas completa a trama. Mas o forte é mesmo o romance, sublinhado por imagens belas como a das centenas de moças, em seus vestidos brancos e véus, à espera de serem fotografadas.

 

OS MAIS VENDIDOS
CRÍTICA


D. Pedro II: monarca tímido, que preferia a arte ao poder

A julgar pelo desempenho em livrarias, dom Pedro II é mais popular do que seu pai. D. Pedro II (Companhia das Letras; 276 páginas; 37 reais), do historiador José Murilo de Carvalho, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, já freqüenta os mais vendidos há catorze semanas. D. Pedro I, de Isabel Lustosa, publicado na mesma coleção de biografias breves – Perfis Brasileiros –, apareceu apenas uma vez na lista. Governante mais duradouro da história brasileira – foi imperador por quase meio século, de 1840 a 1889 –, dom Pedro II é de fato um personagem fascinante, por causa de sua ambivalência fundamental: criado por tutores para ser o governante perfeito, nunca desenvolveu o gosto pelo poder. Nas suas viagens, preferia o encontro com cientistas ou artistas como o compositor Richard Wagner aos compromissos de estado. Fisicamente imponente, com sua barba branca precoce e seu 1,90 metro de altura, o imperador era no entanto tímido, quadro psicológico agravado pelos distúrbios de saúde (era epilético) e pela voz fina, pouco impositiva. Abalado por conflitos internos (a Revolução Farroupilha) e externos (a Guerra do Paraguai), o Segundo Império foi ainda assim um período de relativa estabilidade política, no qual a imprensa conheceu uma liberdade quase irrestrita. Mas o país ainda carregava a mancha moral da escravidão, e o imperador de convicções iluministas mostrou-se tímido também no seu apoio ao abolicionismo. D. Pedro II é um retrato generoso de um monarca melancólico. Leia trecho.

Jerônimo Teixeira

 

 

Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino

 

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