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22 de agosto de 2007
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Televisão
Funilaria radical

Os programas de transformação de carros
são um cantinho dos marmanjos na TV


Marcelo Marthe

Divulgação/TV Globo

Luciano (à dir.) e seu Opala no Caldeirão: recauchutagem e mico

O cardápio do Caldeirão do Huck do sábado 18 acenava com uma bomba musical: a presença do sertanejo Luciano para interpretar um hit de Elvis Presley – num inglês de Mazzaropi. O gancho é sua participação no Lata Velha, quadro em que automóveis caindo aos pedaços (caso do Opala 73 de Luciano) passam por uma recauchutagem radical. Em exibição há dois anos, o Lata Velha firmou-se como um dos trunfos do programa de Luciano Huck. E é o representante na TV aberta de uma vertente de peso nos canais pagos: os programas de transformação de veículos. Suas matrizes vêm dos Estados Unidos. No Rides (Discovery), diferentes equipes têm a missão de fazer essas cirurgias nos automóveis. Lançado pouco depois, o Overhaulin' (também do Discovery) segue o mesmo espírito – só que apenas um entendido, o americano Chip Foose, monopoliza os holofotes. Protagonizado por um veterano construtor de motos e seus dois filhos (o clã deverá visitar o Brasil em breve), o American Chopper (People & Arts) também se enquadra nesse filão, que foi engrossado na semana passada por uma produção nacional. O Pimp My Ride Brasil, da MTV, é a versão de um reality show americano que já vem fazendo sucesso na emissora.

Aqui ou nos Estados Unidos, está-se diante de um universo de marmanjos: homens na faixa dos 18 aos 49 anos compõem o grosso da audiência desses programas. Não se pode dissociá-los da onda do tuning – a criação de carros personalizados e vistosos, que virou moda nos anos 90 e hoje movimenta feiras especializadas e todo um circuito de oficinas. Daí vem a premissa básica dessas atrações: lançar a um time de funileiros o desafio de reinventar ou conceber um veículo num prazo apertado.

Há, contudo, diferenças de estilo marcantes entre os programas. O Overhaulin' tem uma linha purista. Os carrões são "envenenados", mas respeitam-se suas características originais. É apreciado pelos nerds que gostam de debater minúcias sobre aerodinâmica e carburadores. Esse pessoal detesta, por outro lado, a irreverência do Lata Velha e do Pimp My Ride. "Isso é coisa para a massa, não para conhecedores", critica o mecânico brasileiro Batistinha (que já gravou duas participações no Rides). De fato, o quadro do Caldeirão abdica dos vôos técnicos. "O carro é só pretexto para falarmos da vida de seu dono", diz Luciano Huck. Boa parte do quadro é gasta com as situações engraçadinhas armadas para "seqüestrar" o automóvel. E a transformação inclui dotar o veículo de traquitanas – o que já resultou num galinheiro dentro de uma Belina. Em matéria de heterodoxia, contudo, o Pimp My Ride é imbatível. Apresentado pelo rapper Xzibit, o original americano já teve de tudo – até mesmo uma picape que saiu da oficina com uma piscina na traseira. Num dos episódios da versão brasileira, uma Parati ganhou frigobar e mesa de carteado.

O American Chopper é a prova de que esse tipo de programa pode ter algum drama. Ele contém muito papo-cabeça sobre design, mas não só. Também é capaz de mexer com o patriotismo americano – o clã ficou famoso por fazer uma moto em homenagem aos bombeiros que morreram nos atentados de 11 de Setembro. Além disso, o opulento Paul é um ex-viciado arrependido por ter dado pouca atenção aos filhos, ao mesmo tempo em que vive às turras com o rebento mais velho. Coisas da mecânica afetiva.

 

Variações mecânicas

As diferenças de estilo entre os programas de tuning

O PURISTA

Divulgação

Overhaulin' (Discovery)
As reformas do americano Chip Foose são vistosas, mas tradicionalistas. Por isso, ele é cultuado pela turma que leva o tema a sério e adora minúcias técnicas


O CONCEITUAL

Divulgação

American Chopper (People & Arts)
No programa estrelado por um clã da pesada, mostra-se a construção de uma moto maluca a partir do zero – como um projeto inspirado na Estátua da Liberdade

Kelly Fuzaro/MTV


O ALOPRADO

Pimp My Ride (MTV)
Vale tudo – menos entregar um carro normal. Entre os "toques" de irreverência, já se equiparam veículos com mesa de pôquer, pipoqueira e até uma piscina

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