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Guia
A lição dos bons
alunos
O Ministério
da Educação (MEC) mapeou os hábitos dos
melhores alunos em duas das provas que aplica com regularidade
o Saeb, cujo objetivo é aferir o nível
dos estudantes no ensino básico, e o Enade, que mira
os universitários.

Monica Weinberg
O resultado é
uma nova cartilha que esclarece o que funciona na rotina de
bons alunos de todas as faixas etárias, como Beatriz
Salles, de 11 anos, e Vítor Villar Silva, de 17
a dupla que aparece ao lado. Além de listar os hábitos
que os campeões brasileiros nas duas provas em questão
têm em comum, o atual estudo teve como mérito
o fato de mensurar o impacto desses hábitos no desempenho
escolar. Do levantamento devidamente comentado por
especialistas é possível extrair conclusões
sobre algumas das dúvidas mais freqüentes dos
pais: de quanto tempo uma criança deve reservar para
os estudos em casa a até que ponto, afinal, se recomenda
que ela seja amparada em seus deveres. Eis o que revelam as
duas pesquisas, em cinco tópicos.
ELE QUER SER ENGENHEIRO QUÍMICO
Alexandre Schneider
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Vítor Villar Silva, 17 anos, passa cinco horas
na escola e quatro no cursinho pré-vestibular: ele
compensa o excesso de estudo com a prática de atividades
físicas no pouco tempo livre. "Depois de tantas horas
trancado na sala de aula, só mesmo uma ida à
academia para relaxar a mente." Ele e outros bons estudantes
rendem melhor assim
1. HORAS
DE ESTUDO
O que dizem as pesquisas: o hábito de dedicar-se
aos estudos em casa pelo menos uma hora por dia tem impacto
positivo nas notas: elas são, em média, 30%
mais altas do que as dos estudantes que não fazem o
dever de casa
Comentário:
prestar atenção nas aulas pode ser suficiente
para um bom desempenho nas provas mas seguir com os
estudos em casa é o que faz a diferença a longo
prazo
Práticas
que funcionam, segundo os especialistas:
Orientar os filhos para que evitem estudar à noite.
As pesquisas comprovam que o rendimento é pior
Evitar excessos. Para crianças entre 7 e 10 anos, estudar
mais de duas horas por dia em casa é exagero
sem benefício comprovado ao desempenho escolar. A partir
dos 11 anos, o volume de matéria justifica separar
de duas a três horas para as tarefas em casa
Ter boa oferta de livros na biblioteca de casa e dispor de
um espaço onde a criança possa dedicar-se aos
estudos (de preferência livre do som da televisão)
são dois fatores que ajudam nas notas
Se a criança der sinais de exaustão, incentive-a
a fazer uma pausa antes da conclusão da lição
LEITORA VORAZ
Roberto Setton
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A estudante Beatriz Salles, 11 anos, da 7ª série
do ensino fundamental, faz aulas de inglês, alemão,
balé e artes: apesar dos dias lotados, ela reserva
um tempo para um dos hábitos que melhoram o desempenho
escolar. "Leio um livro atrás do outro", diz a menina
2. LEITURA
O que dizem as pesquisas:
os melhores alunos lêem seis livros por ano, além
dos indicados pela escola, e cultivam o hábito de comprar
jornais e revistas os maus estudantes afirmam não
ter lido um único livro no ano anterior
Comentário: a leitura
não obrigatória aquela sem nenhum vínculo
com as tarefas escolares é a que as pesquisas
indicam surtir mais efeito positivo à formação
dos estudantes: o hábito estimula a capacidade de compreensão
de textos e a expressão oral, o que se reflete em todas
as disciplinas
Práticas que funcionam,
segundo os especialistas:
Comprar livros adequados à idade dos filhos, para que
lhes despertem interesse genuíno, e de bom nível
literário
Deixar os livros ao alcance das crianças, de modo que
tenham fácil acesso a eles
Ter sempre em casa jornais e revistas e puxar assunto
sobre algumas das notícias do dia
Incluir uma visita a livrarias no roteiro do fim de semana
Blend Images/Getty Images/RoyaltyFree
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3. ATIVIDADES FORA DA ESCOLA
O que dizem as pesquisas:
os melhores alunos fazem pelo menos um curso extracurricular
Comentário: não
há dúvida de que esse tipo de atividade
esportiva ou intelectual contribui para a formação
dos estudantes, mas o excesso delas sempre atrapalha
Práticas que funcionam,
segundo os especialistas:
Limitar as aulas extras a duas horas por dia com um
intervalo entre elas
Alternar na agenda atividades físicas e intelectuais.
O rendimento será melhor nos dois casos
4. USO DO COMPUTADOR
Peter Cade/Iconica/Getty
Images
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O que dizem as pesquisas:
nas escolas brasileiras, até agora os computadores
não ajudaram, mas seu uso em casa tem claro impacto
positivo no aprendizado os melhores estudantes recorrem
ao computador quase diariamente
Comentário: com
a internet, os estudantes estão diante de uma inesgotável
fonte de informações algumas delas úteis,
outras não. Cabe aos pais orientá-los a fazer
o melhor uso da tecnologia
Práticas que funcionam,
segundo os especialistas:
Iniciar as crianças no uso da internet: é dos
pais a tarefa de lhes apresentar as melhores ferramentas para
pesquisa
Delimitar o tempo de lazer em frente ao computador: até
uma hora por dia é o ideal, segundo estudos
5. PARTICIPAÇÃO
DOS PAIS
O que dizem as pesquisas: esse
é um dos fatores que mais têm influência
sobre o desempenho dos estudantes as notas melhoram
cerca de 10% quando os pais estão atentos à
rotina escolar dos filhos
Comentário: embora a família
deva ser mais ativa durante a infância, fase fundamental
à criação de bons hábitos de estudo,
sua participação na vida escolar ainda continua
a fazer diferença mais tarde
Práticas que funcionam,
segundo os especialistas:
Tentar estar sempre por perto na hora da lição.
Caso seja acionado, dê sugestões para a resolução
da questão nunca a resposta pronta
Procurar saber um pouco de tudo: do que a criança aprendeu
naquele dia à organização de sua mochila.
É uma maneira de dar sinais de que está atento
ao que se passa na escola
Conversar na mesa de jantar sobre alguns dos temas das aulas
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