O vice-presidente
de segurança de vôo da TAM, Marco Aurélio
de Castro, anunciou na CPI do Apagão Aéreo que
a companhia vai comprar um dispositivo que adverte os pilotos
da posição incorreta dos manetes durante o pouso.
Esse novo alarme está disponível desde novembro
de 2006, quando a Airbus informou sua existência em
um boletim de serviço enviado aos operadores desse
tipo de aeronave. O A320 da tragédia em Congonhas que
matou 199 pessoas não tinha essa atualização.
Como revelou VEJA, a causa inicial do desastre foi a posição
equivocada de um dos manetes. A TAM decidiu não fazer
a atualização antes porque a melhoria estava
classificada no boletim como "desejável", a terceira
na ordem dos quatro graus de recomendações feitas
pelo fabricante.
Na prática,
o novo alerta, que custa 5 000 dólares, é uma
atualização de um programa do computador do
avião, o Sistema de Alerta de Vôo FWC,
na sigla em inglês. O atual alerta sonoro de duração
curta passou a ser acompanhado de uma luz de advertência
e de uma mensagem de texto no painel de comando. Esse aviso
sonoro tocou durante três segundos no acidente em Congonhas
("retard, retard, retard") e depois parou. Isso porque o computador
pressupõe que, se o piloto não atende ao aviso,
existe uma razão um obstáculo na pista
ou a tentativa de arremeter, por exemplo.
Depois do acidente
com o A320 da TransAsia, em Taipei um manete se encontrava
na posição errada e um reversor estava inoperante,
situação igual à da tragédia de
Congonhas , o Conselho de Segurança de Aviação
de Taiwan sugeriu que o alarme continuasse a soar mesmo depois
de o avião tocar o solo. A Airbus respondeu que tinha
criado um novo sistema de alerta e que emitiria um boletim
a respeito "muito em breve". Isso foi em outubro de 2004,
ou seja, 25 meses antes da nota de atualização
enviada às operadoras. Além de gerar mensagem
de texto e acender luzes vermelhas no painel, o alarme emitiria
um continuous repetitive chime (CRC) alarme
sonoro ensurdecedor que adverte da existência de problema
grave. Isso exigiria reforma radical na programação
do FWC. A Airbus preferiu só atualizar o sistema. Para
justificar, Yannick Malinge, diretor de segurança de
vôo da Airbus, diz que o alerta não ajudaria
o piloto a corrigir o erro durante os segundos cruciais de
uma tomada de decisão radical.
O AVISO QUE FALTOU
Durante o pouso, quando os manetes
estão em posição errada, luzes
de advertência se acendem no painel, soa um
alarme e aparece uma mensagem escrita numa tela.
O equipamento é desejável, e a TAM anunciou
que a partir de agora vai instalá-lo