Separou-se da
fonoaudióloga cansado de ouvir poucas e
boas
SEIS NOHTAS DE QUEM,
COMO TODOS VOCÊS,
NÃO AGÜENTA MAIS OUVIR FALAR BEM DO LULA
I
Você já leu algum livro que seja tão bom
quanto a orelha diz que ele é?
II Sempre que você
lê um livro ou um dicionário tem sempre um índice
remissivo.
Por que remissivo?
Todo índice não é remissivo, remete a
alguma coisa? Até aquela seta que você vê
na rua, apontando a mão, não é
remissiva?
III Outra coisa: a definição
do alfabeto português no Vocabulário Ortográfico
da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira
de Letras (Esta é a glória que fica, eleva,
honra e consola), é:
"1. O alfabeto
português consta fundamentalmente de vinte e três
letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q,
r, s, t, u, v, x, z.
2. Além
dessas, há três letras que só se podem
usar em casos especiais: k, w, y".
Nada contra (quem
sou eu?). Mas por que fazer vinte e três letras de primeira
classe e três de segunda? Não seria melhor botar
todas as letras juntas e acrescentar: Sendo que k, w e
y só podem ser usadas em casos especiais?
IV Nunca ninguém
conseguiu me explicar como é que um cinto de segurança,
esse merchandising maldito, faz com que uma criança
tenha morte bárbara, arrastada por um carro durante
sete quilômetros.
V Tenho uma certa birra com a crase, essa "fusão
de duas vogais". No meu tempo (meu tempo é daqui a
10 anos) havia também crase com a fusão de dois
o, mas deixa pra lá. A regra da fusão
é simples, qualquer professorinha aprende. Mas, como
se transformou a crase num paradigma da cultura humana, a
professorinha se acha um gênio, e, a qualquer aluno
que erre no uso da crase, ela dá uma nota baixa, que
humilha o aluno. Embora o poeta Ferreira Gullar tenha, sabiamente,
legislado: "A crase não foi feita pra humilhar ninguém".
É curioso,
num país de 50 milhões de alfabetizados, todo
mundo errar no uso da crase. Proponho até transformar
isso num problema social: se todo mundo erra, quem está
errada é a regra. Já vi painel de mármore
em ministério com a crase grafada erradamente. E já
mostrei aos distraídos: "Nas placas de obra da prefeitura
a 200 metros tem crase, a 500 quinhentos metros
não tem". Os lingüistas da prefeitura acham, com
toda a razão, que o uso da crase se mede a metro.
Falar em crase,
de uns tempos pra cá decidiu-se (quem?) que à
bessa deveria ser escrito à beça.
Acontece que à bessa/à beça, essa
coisa tão volúvel, antigamente nem usava o sinal
da crase. A palavra era uma só abessa.
Abonação:
"Bessa, na locução adverbial abessa, em grande
porção, em abundância. Cf. Manuel Viotti,
Dicionário da Gíria Brasileira, s.v.".
Não tem
de quê.
VI É preciso mudanças.
Muita gente acha que o melhor é deixar como está
pra ver como é que fica. Mas basta observar algum tempo
qualquer pessoa sentada pra perceber que a mudança
é fundamental ao ser humano. Nem que seja apenas pra
descansar a outra parte da bunda.
O famoso arquiteto Sérgio
Rodrigues, sentado em sua famosa Poltrona Mole,
demonstrando nossa tese