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TELEVISÃO
Madonna:
Drowned World Tour (dia 26, às 22h na HBO) Os fãs
de Madonna já podem ir aquecendo as turbinas: no próximo
domingo a HBO traz com exclusividade, direto de Detroit, Estados Unidos,
um show ao vivo da nova turnê da cantora. Aos 43 anos, casada com
o cineasta inglês Guy Ritchie e mãe de um casal de filhos,
Madonna pode até não chocar mais ninguém. Mas ainda
conhece como poucos a receita de um grande show. Em Drowned World Tour,
sua primeira turnê em oito anos, ela troca de roupa diversas vezes
(vai de saia escocesa à moda caubói moderna) e canta os
sucessos mais recentes de sua carreira, como Music e Ray of
Light da antiga fase, rende-se apenas a Holiday. O principal
momento do espetáculo é quando Madonna e seus dançarinos,
trajando quimonos, saltam pelos ares como os lutadores do filme O Tigre
e o Dragão.
LIVROS
A
Conspiração de Papel, de David Liss (tradução
de Roberto Muggiati; Record; 526 páginas; 52 reais) David
Liss faz desse seu romance de estréia um metódico exercício
de volta ao passado. Mais exatamente, à Inglaterra do século
XVIII, nos dias que antecederam uma das primeiras quebradeiras financeiras
da história: o estouro da bolha provocada pela especulação
com ações da Companhia do Mar do Sul. Mas não há
nada de economês: trata-se, antes de tudo, de uma história
policial. Alertado por um figurão de que seu pai fora assassinado
por causa de negócios escusos na Exchange Alley, a ruela que concentrava
os corretores de Londres, um ex-pugilista judeu sai a campo para investigar
o caso e descobre a sujeira do mundo empresarial da época. O resultado
é delicioso.
História
do Cristianismo, de Paul Johnson (tradução de Cristiana
de Assis Serra; Imago; 678 páginas; 85 reais) Quando foi
lançado, em meados dos anos 70, o livro fez grande sucesso em língua
inglesa. Católico papista num país protestante, Paul Johnson,
o polêmico historiador e jornalista inglês, compôs uma
narrativa instigante, mostrando a evolução do cristianismo
ao longo de 2.000 anos. Como obra de referência, o livro ficou um
pouco datado. Não inclui considerações sobre o polêmico
papado de João Paulo II, que se desenrolou depois de seu lançamento,
e também não pode valer-se dos inúmeros e importantes
estudos sobre os primórdios do cristianismo que vieram à
luz nas últimas décadas. Mas esses detalhes não comprometem,
de modo algum, o prazer da leitura. História do Cristianismo
mostra, antes de tudo, um ensaísta no melhor de sua forma.
DISCOS
Ana Paula Oliveira
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| O
Rappa, ainda com Yuka: bons de palco |
Instinto
Coletivo Ao Vivo, O Rappa (WEA) O quinteto carioca
é um dos poucos grupos no cenário pop nacional que justificam
o lançamento de um disco ao vivo. Eles são ótimos
no palco: possuem um cantor carismático e incrementam suas composições
com solos caprichados. Gravado no ano passado, o CD traz uma das últimas
participações do baterista Marcelo Yuka à frente
da banda. Pouco depois, ele foi baleado numa tentativa de assalto e ainda
luta para recuperar-se. O CD contém os principais sucessos da banda,
como Hey Joe e Vapor Barato, e ainda cinco faixas bônus
gravadas em estúdio, com participações do Sepultura
e do grupo inglês Asian Dub Foundation.
Come
Dream with Me, Jane Monheit (Abril Music) Aos 23 anos de
idade, essa cantora americana desponta como um dos novos talentos do jazz.
Monheit ganhou o direito de estudar em uma das principais escolas de música
dos Estados Unidos, depois de vencer um concurso de calouros (isso mesmo).
Desde então tem participado de discos e apresentações
de grandes nomes do jazz, como a pianista Diana Krall e o trompetista
Terence Blanchard. Come Dream with Me é seu segundo disco
e combina standards e canções populares. Entre as faixas
mais curiosas estão a releitura para Over the Rainbow, tema
de O Mágico de Oz, e uma boa versão de Águas
de Março, de Tom Jobim.
DVD
Sete
Homens e um Destino (The Magnificent Seven, Estados
Unidos, 1960. Fox) O japonês Akira Kurosawa inspirou-se nos
faroestes de John Ford para fazer Os Sete Samurais, um dos maiores
filmes da história. E o americano John Sturges, por sua vez, baseou-se
no clássico de Kurosawa para rodar esse western enxuto e cheio
de humor, que lançaria nomes como Steve McQueen e Charles Bronson.
Sob a liderança de Yul Brynner, um grupo de pistoleiros de aluguel
se instala num vilarejo mexicano para enfrentar um malfeitor. Entre um
tiro e outro, dissipam a aura de glamour dos justiceiros do cinema com
reflexões sobre seu modo de vida solitário. É um
dos últimos grandes faroestes americanos. E o documentário
contido no DVD traz fofocas saborosas por exemplo, sobre a determinação
de McQueen em roubar do astro Brynner tantas cenas quantas pudesse.
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OS
MAIS VENDIDOS - CRÍTICA
A
médium paulistana Zibia Gasparetto, de 74 anos, é
um caso único entre os autores que aparecem na lista de mais
vendidos. Ela começou escrevendo romances policiais na adolescência,
mas logo percebeu que teria um rendimento melhor se fizesse dobradinha
com o pessoal do Além. De seus 23 livros, 22 são psicografias
ditadas por espíritos. No caso de Ninguém É
de Ninguém (Vida & Consciência Editora;
374 páginas; 22 reais), quinto colocado na categoria de esoterismo
e auto-ajuda, a escritora divide os créditos com o luminoso
Lucius. A receita, à primeira vista, é a de um romance
convencional. Ninguém É de Ninguém conta
a história de um casal dos tempos atuais, Roberto e Gabriela,
imersos na rotina desgastante do trabalho e das preocupações
com os filhos. É o ciúme, no entanto, o assunto principal.
Corroída pela desconfiança e pelo adultério,
a relação desmorona e culmina numa tragédia.
Ciete Silverio
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| Zibia:
espírita, mas sem descuidar da matéria |
Fácil de ler, pois é narrado quase que só à
base de diálogos, o livro não demora muito a sair
do campo das relações amorosas e revelar sua verdadeira
intenção: ser uma alegoria contra o materialismo que
assola a sociedade. Logo a literatura cede espaço à
doutrinação. E dá-lhe temas como reencarnação
e comunicação com outras esferas espirituais. Com
tal mistura de ficção e espiritismo, Zibia já
vendeu 4 milhões de livros e montou um "império" que
inclui, entre outras coisas, editora e gráfica. Ela está
perto da luz, mas não descuida da matéria.
Marcelo
Marthe
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