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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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TELEVISÃO

Madonna: Drowned World Tour (dia 26, às 22h na HBO) – Os fãs de Madonna já podem ir aquecendo as turbinas: no próximo domingo a HBO traz com exclusividade, direto de Detroit, Estados Unidos, um show ao vivo da nova turnê da cantora. Aos 43 anos, casada com o cineasta inglês Guy Ritchie e mãe de um casal de filhos, Madonna pode até não chocar mais ninguém. Mas ainda conhece como poucos a receita de um grande show. Em Drowned World Tour, sua primeira turnê em oito anos, ela troca de roupa diversas vezes (vai de saia escocesa à moda caubói moderna) e canta os sucessos mais recentes de sua carreira, como Music e Ray of Light – da antiga fase, rende-se apenas a Holiday. O principal momento do espetáculo é quando Madonna e seus dançarinos, trajando quimonos, saltam pelos ares como os lutadores do filme O Tigre e o Dragão.

 

LIVROS

A Conspiração de Papel, de David Liss (tradução de Roberto Muggiati; Record; 526 páginas; 52 reais) – David Liss faz desse seu romance de estréia um metódico exercício de volta ao passado. Mais exatamente, à Inglaterra do século XVIII, nos dias que antecederam uma das primeiras quebradeiras financeiras da história: o estouro da bolha provocada pela especulação com ações da Companhia do Mar do Sul. Mas não há nada de economês: trata-se, antes de tudo, de uma história policial. Alertado por um figurão de que seu pai fora assassinado por causa de negócios escusos na Exchange Alley, a ruela que concentrava os corretores de Londres, um ex-pugilista judeu sai a campo para investigar o caso e descobre a sujeira do mundo empresarial da época. O resultado é delicioso.

História do Cristianismo, de Paul Johnson (tradução de Cristiana de Assis Serra; Imago; 678 páginas; 85 reais) – Quando foi lançado, em meados dos anos 70, o livro fez grande sucesso em língua inglesa. Católico papista num país protestante, Paul Johnson, o polêmico historiador e jornalista inglês, compôs uma narrativa instigante, mostrando a evolução do cristianismo ao longo de 2.000 anos. Como obra de referência, o livro ficou um pouco datado. Não inclui considerações sobre o polêmico papado de João Paulo II, que se desenrolou depois de seu lançamento, e também não pode valer-se dos inúmeros e importantes estudos sobre os primórdios do cristianismo que vieram à luz nas últimas décadas. Mas esses detalhes não comprometem, de modo algum, o prazer da leitura. História do Cristianismo mostra, antes de tudo, um ensaísta no melhor de sua forma.

 

DISCOS

Ana Paula Oliveira
O Rappa, ainda com Yuka: bons de palco

Instinto Coletivo – Ao Vivo, O Rappa (WEA) – O quinteto carioca é um dos poucos grupos no cenário pop nacional que justificam o lançamento de um disco ao vivo. Eles são ótimos no palco: possuem um cantor carismático e incrementam suas composições com solos caprichados. Gravado no ano passado, o CD traz uma das últimas participações do baterista Marcelo Yuka à frente da banda. Pouco depois, ele foi baleado numa tentativa de assalto e ainda luta para recuperar-se. O CD contém os principais sucessos da banda, como Hey Joe e Vapor Barato, e ainda cinco faixas bônus gravadas em estúdio, com participações do Sepultura e do grupo inglês Asian Dub Foundation.

Come Dream with Me, Jane Monheit (Abril Music) – Aos 23 anos de idade, essa cantora americana desponta como um dos novos talentos do jazz. Monheit ganhou o direito de estudar em uma das principais escolas de música dos Estados Unidos, depois de vencer um concurso de calouros (isso mesmo). Desde então tem participado de discos e apresentações de grandes nomes do jazz, como a pianista Diana Krall e o trompetista Terence Blanchard. Come Dream with Me é seu segundo disco e combina standards e canções populares. Entre as faixas mais curiosas estão a releitura para Over the Rainbow, tema de O Mágico de Oz, e uma boa versão de Águas de Março, de Tom Jobim.

 

DVD

Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, Estados Unidos, 1960. Fox) – O japonês Akira Kurosawa inspirou-se nos faroestes de John Ford para fazer Os Sete Samurais, um dos maiores filmes da história. E o americano John Sturges, por sua vez, baseou-se no clássico de Kurosawa para rodar esse western enxuto e cheio de humor, que lançaria nomes como Steve McQueen e Charles Bronson. Sob a liderança de Yul Brynner, um grupo de pistoleiros de aluguel se instala num vilarejo mexicano para enfrentar um malfeitor. Entre um tiro e outro, dissipam a aura de glamour dos justiceiros do cinema com reflexões sobre seu modo de vida solitário. É um dos últimos grandes faroestes americanos. E o documentário contido no DVD traz fofocas saborosas – por exemplo, sobre a determinação de McQueen em roubar do astro Brynner tantas cenas quantas pudesse.


OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

A médium paulistana Zibia Gasparetto, de 74 anos, é um caso único entre os autores que aparecem na lista de mais vendidos. Ela começou escrevendo romances policiais na adolescência, mas logo percebeu que teria um rendimento melhor se fizesse dobradinha com o pessoal do Além. De seus 23 livros, 22 são psicografias ditadas por espíritos. No caso de Ninguém É de Ninguém (Vida & Consciência Editora; 374 páginas; 22 reais), quinto colocado na categoria de esoterismo e auto-ajuda, a escritora divide os créditos com o luminoso Lucius. A receita, à primeira vista, é a de um romance convencional. Ninguém É de Ninguém conta a história de um casal dos tempos atuais, Roberto e Gabriela, imersos na rotina desgastante do trabalho e das preocupações com os filhos. É o ciúme, no entanto, o assunto principal. Corroída pela desconfiança e pelo adultério, a relação desmorona e culmina numa tragédia.


Ciete Silverio
Zibia: espírita, mas sem descuidar da matéria


Fácil de ler, pois é narrado quase que só à base de diálogos, o livro não demora muito a sair do campo das relações amorosas e revelar sua verdadeira intenção: ser uma alegoria contra o materialismo que assola a sociedade. Logo a literatura cede espaço à doutrinação. E dá-lhe temas como reencarnação e comunicação com outras esferas espirituais. Com tal mistura de ficção e espiritismo, Zibia já vendeu 4 milhões de livros e montou um "império" que inclui, entre outras coisas, editora e gráfica. Ela está perto da luz, mas não descuida da matéria.


Marcelo Marthe

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Maceió: Sodiler; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura.
   
 
   
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