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Insuportável
O musical Moulin Rouge
é mesmo
inovador. Mas só na histeria
Isabela
Boscov
Twentieth Century Fox
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| Nicole
e sua trupe: o problema é que eles não param de se mexer |
O
australiano Baz Luhrmann, de 38 anos, só rodou três filmes
desde sua estréia como diretor. Mas é do tipo que sabe fazer
barulho a cada passo que dá. Seu primeiro trabalho, o simpático
Vem Dançar Comigo, de 1992, passava-se no mundo brega dos
concursos de dança e rapidamente virou um favorito no circuito
de festivais. Romeu + Julieta combinava Shakespeare à linguagem
dos videoclipes (para alguns, uma coisa "nova") e pavimentou o caminho
da adoração juvenil para Leonardo DiCaprio. E Moulin
Rouge Amor em Vermelho (Moulin Rouge, Estados Unidos/Austrália,
2001), que estréia nesta sexta-feira no país, vem sendo
vendido com surpreendente sucesso como o musical mais singular
e inovador de todos os tempos.
O motivo para tal entusiasmo é que o filme se passa no final do
século XIX, mas os protagonistas entoam canções que
só seriam escritas muitas décadas mais tarde, de The
Sound of Music (da trilha de A Noviça Rebelde) a Like
a Virgin, de Madonna. Até para I Will Always Love You,
com que Whitney Houston azucrinava a pobre platéia de O Guarda-Costas,
o diretor achou uma brechinha, já que o objetivo é que as
letras das músicas façam as vezes de diálogos entre
os atores. Luhrmann se pretende radical também no visual: corta
a cada milissegundo, usa todo tipo de truque e película conhecido
no universo e cria cenários tão apinhados que dariam para
pelo menos uma dúzia de filmes. Moulin Rouge, é certo,
já tem uma legião de defensores fervorosos. Mas é
realmente insuportável.
O título é uma referência ao famoso cabaré/bordel
que animava as noites parisienses. Lá, o escritor pobretão
interpretado por Ewan McGregor conhece a cortesã Satine (Nicole
Kidman), por quem se apaixona perdidamente e para quem decide compor um
espetáculo espetacular (sim, é isso mesmo). Satine, porém,
está prometida a um duque rico, untuoso e vingativo. Para completar
o amontoado de clichês, a cortesã padece com uma tosse insistente.
Vez por outra, suja de sangue um lencinho ou desmaia. A vacuidade desse
roteiro não é obstáculo para a histeria de Luhrmann,
que empilha músicas e imagens de forma atordoante e incoerente.
Daria para compará-lo ao pai de todos os frenéticos, o inglês
Ken Russell. Mas seria injusto, já que filmes como Mulheres
Apaixonadas e Tommy provam que Russell era acometido não
só de desvarios, mas também de idéias (e mesmo assim
anda esquecido). De Moulin Rouge salvam-se só a beleza de
Nicole Kidman e a atuação de Ewan McGregor que, além
de ser a única presença razoavelmente humana do filme, tem
uma voz muito agradável.
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