Zôo da morte
No Bwana
Park, fome dos
animais era a maior atração

Marcelo Carneiro
Em todo o
mundo, zoológicos são uma celebração da vida
selvagem. Na última quarta-feira, o Bwana Park, um zôo do
Rio de Janeiro, subverteu esse conceito. Uma blitz da Delegacia de Repressão
a Crimes contra o Meio Ambiente trouxe à tona um cenário
de horror. Em dois freezers, jaziam 103 cadáveres de animais, entre
eles uma onça-pintada, um jacaré e macacos-prego. Nas jaulas,
felinos de grande porte como os tigres não passavam de gatos esquálidos.
Mal alimentados, alguns tinham menos da metade do peso ideal. Famintas,
duas onças devoraram um animal da mesma espécie com o qual
dividiam a jaula. A chegada da polícia ao Bwana Park foi o desfecho
de um drama que teve início em dezembro do ano passado. Na época,
fiscais do Ibama realizaram uma inspeção no zoológico,
a partir de denúncias de um veterinário que havia trabalhado
no parque. A falta de alimentação e os maus-tratos já
eram a tônica. O zôo foi interditado, mas acabou reaberto
em fevereiro deste ano, após reformas. Em maio, após a morte
do proprietário do parque, técnicos do instituto voltaram
ao local. O cenário era devastador, com carcaças de animais
em putrefação. Os técnicos decidiram, então,
enviar um relatório à direção do Ibama em
Brasília, para que fosse decidido o cancelamento do registro do
parque. O documento peregrinou por três meses nos escaninhos da
burocracia. Só na semana passada, quando o caso já havia
ganho as manchetes dos jornais, a direção do Ibama finalmente
decidiu pelo cancelamento.
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