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Pobres
bilionários
O sultão de Brunei, que já foi
o homem mais rico
do mundo,
faz leilão para pagar dívidas
Fotos AP
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Fotos AP
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| Lustre
e cestos de banheiro foleados
a ouro (á dir.): 7,8
milhões de dólares |
Hassanal
Bolkiah, sultão de Brunei, era o primeiro da lista entre os homens
mais ricos do mundo há três anos, mas hoje não está
nem entre os vinte. Sua fortuna não ultrapassa 10 bilhões
de dólares. É muito, mas a quantia fica menos impressionante
se comparada ao que ele tinha há dez anos: 40 bilhões de
dólares. Vários infortúnios contribuíram para
encolher sua riqueza: a crise asiática de 1997, a queda nos preços
do petróleo e, principalmente, a gastança da família.
O maior esbanjador foi seu irmão mais novo, o príncipe Jefri.
Há três anos, a falência das empresas do caçula
deixou dívidas de 15 bilhões de dólares, equivalente
ao triplo do PIB de Brunei. As dimensões de suas extravagâncias
puderam ser medidas no leilão de alguns bens embargados de suas
empresas, que terminou na quinta-feira passada. Entre as 10.000 peças
havia de tudo: canhões antigos, pianos de cauda, jóias,
lustres de cristal, mesas de sinuca e até cestos de lixo folhados
a ouro vindos diretamente do banheiro do príncipe.
Quase 1.000 pessoas, entre comerciantes e curiosos, pagaram pouco mais
de 500 dólares cada uma para ter acesso ao leilão num galpão
abandonado na capital de Brunei. Os lances renderam 7,8 milhões
de dólares, bem menos que os 17 milhões esperados. Entre
as peças que não foram arrematadas estão dois carros
de bombeiro, um simulador de vôo de um helicóptero Comanche,
um Airbus A-340 e um carro de Fórmula 1. Em abril, haviam sido
leiloados quarenta automóveis, entre eles um Jaguar, um Porsche
e vários BMW e Mercedes-Benz. Brunei é um pequeno país
asiático, com um quarto do tamanho do Estado de Sergipe, mas localizado
sobre fartas reservas de petróleo.
Uma das últimas monarquias absolutistas do planeta, Brunei é
um caso clássico de país no qual o dinheiro do monarca se
confunde com o Tesouro Nacional. A fartura era tamanha que os 330.000
habitantes que dispõem de assistência médica gratuita
e não pagam imposto de renda toleravam todas as excentricidades
da realeza, que não eram poucas. Ao completar 50 anos, o sultão
torrou 17 milhões de dólares numa festa de aniversário
que contou com show de Michael Jackson. Seu palácio tem 1.788 cômodos
e é maior que o Estado do Vaticano. Fascinado pela roleta, chega
a apostar 1 milhão de dólares por noite nos cassinos de
Las Vegas.
Nada se compara à gastança do caçula Jefri. Depois
da falência, soube-se que gastou nos últimos dez anos um
total de 2,8 bilhões de dólares, uma média de 750.000
dólares por dia. Ele chegou a ser dono de quatro hotéis
de luxo o Plaza Athénée em Paris, o Palace de Nova York,
o Bel-Air em Los Angeles e o Dorchester de Londres. Com dificuldade de
pagar as contas, o sultão decidiu apertar os cintos. A primeira
providência foi reduzir a mesada de Jefri. O irmão aceitou,
mas reclamou bastante, pois terá de viver com apenas 300.000 dólares
por mês
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