Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
Brasil Infância

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
 

FHC incentiva todos os ministros presidenciáveis
Faxina e propaganda
Jader reaparece, se defende, mas não convence
PMDB continua dividido
Marta Suplicy atrasa o Bolsa-Escola
Infância: Balanço dos pequenos avanços da década de 90
Ipea faz o perfil socioeconômico dos ricos do país
Brasil rural é maior do que mostrou o censo

Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
VEJA on-line
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Digite uma ou mais palavras:

Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Reportagens de capa 2000 | 2001
Entrevistas
2000 | 2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Como El Salvador

Em dez anos, a criança brasileira passou
a viver mais e melhor – mas ainda é pouco

Lourenço Flores

 
Dário de Freitas
No meio do caminho

Em 1990, o Brasil se comprometeu a atingir 27 metas para melhorar a situação da criança brasileira, mas conseguiu cumprir apenas seis delas. Das cinco principais (veja quadro), nenhuma foi integralmente alcançada – e o melhor desempenho aconteceu na taxa de mortalidade infantil

Em 1990, a qualidade de vida das crianças brasileiras era semelhante à das de El Salvador. No próximo dia 19 de setembro, quando o governo brasileiro apresentar nas Nações Unidas um balanço sobre como evoluiu a situação da infância no país durante toda a década de 90, será possível constatar que houve avanços consideráveis, mas também se concluirá que o Brasil continua em pé de igualdade com El Salvador. Há onze anos, o Brasil e outros setenta países assinaram um acordo segundo o qual se comprometeram a atingir 27 metas diferentes para melhorar a vida das crianças. Agora, chegou a hora de mostrar o resultado. Lendo-se os indicadores, constata-se que o Brasil melhorou, mas das 27 metas o país só teve sucesso pleno em seis. "Houve avanços, sem dúvida, mas ainda estamos muito atrás. Enquanto a conta de juros receber mais que os setores de saúde e educação juntos, vamos continuar com alguns péssimos indicadores", avalia o empresário Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos, entidade que estimula ações sociais de empresas e trabalha com crianças e adolescentes.

Nas seis metas plenamente atingidas, aparecem ações nas quais o Brasil historicamente vem fazendo um bom trabalho. São objetivos como erradicação da poliomielite, redução de casos e de óbitos por sarampo e ampliação das campanhas de vacinação pública – um campo em que o Brasil é um exemplo mundial. Entre as 21 metas não cumpridas integralmente, há pelo menos duas, relevantes, que o país esteve muito perto de atingir. No caso da taxa de mortalidade infantil, área em que o país teve seu desempenho mais festejado, houve queda significativa na última década. A taxa de mortalidade, que era de 48,4, caiu para 33,6 crianças de até 1 ano para cada 100.000 nascidas vivas. A meta era reduzir para 32,3. Isso se deve a uma série de fatores. O país incentivou programas de atendimento pré-natal das gestantes e tem, hoje, um exército de agentes comunitários espalhado por todo o território nacional com a tarefa de acompanhar de perto os primeiros meses de vida dos bebês. A queda no índice de mortalidade infantil deve-se também à redução da taxa de fecundidade da mulher brasileira. Em quinze anos, a média de filhos caiu de 4,1 para 2,5. Outra razão do bom desempenho está no sucesso de campanhas de vacinação contra difteria, coqueluche, tétano, sarampo, pólio, tuberculose e tétano nas mulheres em idade fértil.

Na área da educação, o governo brasileiro também tem saldos positivos a apresentar. A delegação brasileira nas Nações Unidas vai bater na tecla de que praticamente universalizou o acesso à educação básica. Hoje, 96% das crianças estão na escola – contra 85% há dez anos – e 82,9% chegam à 5ª série. A meta era colocar todas as crianças nos bancos escolares, o que ainda não se conseguiu, mas o governo espera que a comunidade internacional reconheça que o avanço foi gigantesco. "A educação será o primeiro serviço público brasileiro realmente universal", festeja o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que chefiará a missão brasileira encarregada de apresentar o balanço nas Nações Unidas.

O número mais feio que o Brasil apresentará se refere à taxa de mortalidade materna. A meta era reduzir à metade o índice de gestantes mortas no parto. Ao invés de cair, esse índice, que já era alto, subiu. A explicação oficial para um desempenho tão ruim é que, em 1990, os números estavam "distorcidos" e "fora da realidade", pois havia um grande volume de subnotificações de mortes de gestantes. No início da década de 90, apenas 2 milhões de mulheres tinham acompanhamento pré-natal. Hoje, são 10 milhões. Assim, o crescimento do número de mortes de mulheres em partos pode ser resultado de um "ajuste" estatístico, levando-se em conta que o universo pesquisado aumentou cinco vezes de tamanho. Mas o balanço elaborado pelo governo brasileiro, e que será analisado nas Nações Unidas, traz uma confissão: "Apesar dos marcantes avanços encontrados nas coberturas de planejamento familiar, pré-natal e parto hospitalar, a qualidade dessa assistência ainda é questionável". Como se vê, ainda há muito trabalho pela frente.

 
 



   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS