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Edição 1 714 - 22 de agosto de 2001
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O ministro e o social

Ana Araújo
Malan no depoimento ao Senado: não existem atalhos

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, fez na semana passada uma longa e bem fundamentada defesa da política econômica do governo. Malan foi ao Senado explicar o novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional e encontrou a ocasião propícia para desafiar os candidatos oposicionistas que consideram um fracasso a gestão econômica do governo. Malan lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal e a que obriga o Congresso a só criar despesas quando apontar de onde sairá o dinheiro são conquistas da sociedade brasileira. Não são bandeiras dos tucanos. Não ouviu ali nenhuma contestação de porte, nem quando insistiu que é falsa a noção de que se vivia melhor no Brasil antes do governo Fernando Henrique Cardoso.

Mais cedo do que tarde a opinião pública cobrará dos candidatos de oposição com chance de chegar ao Planalto uma definição sobre os avanços econômicos do período FHC. Não bastará mais aos candidatos expor vagamente sua vontade de ver implantado no país um regime de justiça social e de independência em relação a entidades como o FMI. Será preciso mostrar como farão para melhorar o Brasil.

Seja qual for o presidente eleito, o país que acordará no dia da posse será tão complexo, injusto, endividado, burocratizado e arcaico quanto o da noite anterior. Será preciso reconhecer que o Brasil é um projeto em andamento e que o desafio é continuar a construção, não recomeçá-la em outro molde. Se há alguma coisa que o governo tucano teve a ocasião de ensinar a seus adversários é que, no mundo atual, não há mais espaço para países que atentem contra a seriedade orçamentária e o equilíbrio fiscal. E, como lembrou Pedro Malan, não existem fórmulas alternativas para chegar à prosperidade.

 
 
   
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