|
|
| Foto: Raul Junior |
![]() |
| Aparelho de DVD |
A revolução do DVD (disco de vídeo digital) está prestes a se propagar no Brasil. O DVD é um disquinho semelhante em tudo aos CDs que tocam música, mas foi criado para substituir as fitas de vídeo, com várias vantagens. Um único disco pode guardar até oito horas de filmes, com imagem duas vezes mais nítida do que a das fitas de vídeo. A qualidade do som, tanto do disquinho como do aparelho que o reproduz, também é superior à das fitas e à dos melhores videocassetes estéreo existentes no mercado. Os novos aparelhos de DVD, que estão chegando às lojas neste mês, custam em torno de 1.200 reais. Cada filme será vendido por algo entre 30 e 40 reais. Nos Estados Unidos, o DVD já é uma novidade de sucesso. Desde que foi lançado, em março do ano passado, foram vendidas 1 milhão de unidades. No Brasil, embora estivesse disponível desde dezembro passado, o DVD chegou a ser rotulado como uma invenção fracassada. Incluindo máquinas importadas e aparelhos de fabricação nacional, não foram vendidos mais do que 5.000 até agora.
O que emperrava as vendas de aparelhos de DVD no Brasil não era tanto o preço ainda salgado, mas a falta de filmes. Havia apenas um único título disponível: Era uma Vez na América, de Sergio Leone, um clássico dos filmes de gângster. Sem filmes não havia como convencer alguém a comprar o aparelho. A situação vai mudar porque oito títulos chegam às lojas na semana que vem, com legendas e dublagem em português. O pacote inclui Lobo, O Último Grande Herói, Matilda, Jovens Bruxas, Inimigo Íntimo, Sintonia de Amor e Questão de Honra. A promessa das distribuidoras é de que pelo menos doze novos filmes sejam lançados por mês. No entender dos fabricantes, esse é o empurrão que faltava para as vendas deslancharem. "Vai ser difícil resistir", diz José Roberto da Fonte, gerente de DVD da Sharp. "Quem assiste pela primeira vez a um filme em DVD tem uma sensação igual à de uma pessoa míope que usa óculos pela primeira vez."
Os grandes estúdios do cinema americano apostam alto no DVD. Eles aproveitam uma característica da tecnologia para preparar inovações. Em uma fita de vídeo normal cabem duas horas de ação. A capacidade extra do DVD está sendo usada para lançar versões especiais de filmes clássicos, como Cantando na chuva, Um Bonde Chamado Desejo e Cabaré, ou de sucessos recentes, como Los Angeles, Cidade Proibida, JFK ou Boogie Nights. As edições especiais incluem cenas que foram cortadas na versão que foi aos cinemas, entrevistas com atores, videoclipes exclusivos e documentários sobre o filme original. Essas novidades não aportaram até hoje no Brasil por causa de um artifício antipirataria criado pelos produtores de filmes e de equipamentos. Eles dividiram o mundo em seis áreas, cada uma com um código eletrônico específico. Filmes feitos para a área 1 (Estados Unidos e Canadá) só podem passar em máquinas fabricadas para essa região. O Brasil ficou na área 4, com o restante da América Latina, a Austrália e a Nova Zelândia.
Os fabricantes de DVD acreditam que, em cinco ou seis anos, os preços de aparelhos e discos cairão pela metade. Nesse prazo, muitas empresas suspenderão definitivamente a produção de videocassetes. Para elas, a substituição de uma máquina pela outra é questão de sobrevivência porque o mercado está saturado. Para se ter uma idéia, o videocassete já está presente em 80% das residências brasileiras de classe média. Quando a saturação surge, a indústria precisa investir em inovações para criar novos interesses no consumidor. Foi assim quando apareceram os CDs. As antigas vitrolas começaram a sumir das prateleiras até se tornar artigos de museu. É isso que acontecerá com as fitas de vídeo.
Copyright © 1998, Abril
S.A. |