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Home  »  Revistas  »  Edição 2122 / 22 de julho de 2009


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Imagem da Semana

Viva el toro

Mas não adianta torcer: em Pamplona, de
manhã os bichos pegam e à tarde morrem


Vilma Gryzinski

AlvaroBarrientos/AP

 

Em termos sociais e políticos, a Espanha é um país tão à esquerda quanto possível na civilização contemporânea. Gays podem se casar e adotar filhos, todos os ministros da Defesa do governo Zapatero se declararam pacifistas ("Prefiro morrer a matar", disse um) e no ano passado o Parlamento aprovou uma lei que confere alguns direitos fundamentais aos grandes símios, como chimpanzés e gorilas. A proteção à privacidade é tanta que o nome do homem ferido na Festa de San Fermín foi mantido em sigilo. Já o touro, não só teve o nome divulgado – "Ermitaño" – como seguiu o destino reservado a todos os animais usados no festival: de manhã, correm pelas ruas de Pamplona, cercados por uma multidão de mozos vestidos de branco e vermelho; à tarde, são supliciados e mortos na arena. Do lado bípede, houve um morto e vários feridos graves. Nem é preciso ler O Sol Também Se Levanta, mas sempre ajuda, para imaginar o embriagante delírio coletivo dos participantes da corrida. No caso, embriagante mesmo: tal como os personagens de Ernest Hemingway, muita gente se acaba de beber durante o San Fermín. Na politicamente correta Espanha, as paixões insufladas pelas touradas são tão violentas quanto o espetáculo. Um resumo: é uma manifestação cultural que remonta à tauromaquia da Antiguidade (o Coliseu também), eleva-se ao nível de arte na dança mortal entre homem e animal (barbárie pura) e ambos têm uma chance (todos os touros saem mortos). Para dar o golpe final de espada no soberbo Ermitaño, o toureiro Jesús Millán teve de fazer cinco tentativas. Depois, confessou: "Ele me olhava nos olhos, dava medo".

 

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