Carta ao Leitor
Acerto no melhor cenário
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A capa de VEJA de março
passado
parecia risonha demais para a gravidade
da crise, mas a visão da
revista
mostrou-se correta |
Na
sua edição de 4 de março deste ano, VEJA ofereceu aos leitores
uma reportagem de capa em que listava dez razões para otimismo em relação
à crise econômica mundial e suas consequências sobre o Brasil.
Estava então entrando no seu sexto mês o encalacramento econômico
planetário iniciado com o estouro da bolha imobiliária americana
e a quebra de tradicionais bancos de investimento em Wall Street. As ondas de
choque da crise causavam estragos na poupança, no patrimônio e nos
investimentos de países, empresas e bilhões de pessoas em todos
os continentes. A visão discordante da revista provocou, previsivelmente,
reações que variaram do ceticismo contido à total incredulidade.
Passados
quatro meses, VEJA tem a satisfação de registrar que a análise
positiva da revista se mostrou plenamente justificada. Igualmente recompensador
é verificar que também estavam corretas as evidências apontadas
no texto daquela reportagem para justificar os motivos de nossa confiança
na capacidade de resistência da economia brasileira. O alto volume de reservas
em dólares, um sistema bancário saneado e competente, a ausência
de bolhas de crédito, tudo isso se combinou com a inabalável opção
democrática e a estabilidade na política econômica para afastar
o Brasil do vórtice provocado pelo caos planetário.
Como
mostra uma reportagem desta edição, essas mesmas forças positivas
estão atuando agora na fase de recuperação acelerada da economia
brasileira. Os dados são convincentes. O Brasil criou 300 000 empregos
no primeiro semestre, os bancos cobram o menor juro para empréstimos pessoais
desde 2007, a Bovespa recuperou a maior parte de seu valor pré-crise e
a indústria automobilística pode terminar o ano com crescimento
de 6,4%, depois de fechar o melhor junho de sua história.
Os
sinais vindos de fora também são animadores. O FMI, o banco central
e o Tesouro americanos fazem eco a alguns dos mais tarimbados economistas ao garantir
que a recessão nos Estados Unidos acaba até o fim do ano. Com eles
concorda até Nouriel Roubini, economista de Nova York que, por ter espalhado
o pânico no auge da crise, se celebrizou com o apelido de "Dr. Apocalipse".
Acertar na mosca é bom. Acertar prevendo o melhor cenário, como
fez VEJA, é melhor ainda. |