Edição 1910 . 22 de junho de 2005

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VEJA Recomenda

CINEMA

Fotos divulgação
Os bichos da animação Madagascar: do zoológico para a África


Madagascar
(Madagascar, Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta em circuito nacional) – Atração do zoológico do Central Park, em Nova York, a zebra Marty morre de vontade de conhecer a natureza. Para saciar seu desejo, ela dá um jeito de fugir, acompanhada de três amigos: o leão Alex, a girafa Melman e a hipopótama Glória. Numa viagem cheia de confusões à África, o quarteto descobre que a vida na selva não é tão moleza assim. Perto de Shrek, a produção mais bem-sucedida do estúdio americano Dreamworks, Madagascar é uma animação menor. Mas, embora seu roteiro não seja perfeito (falta um vilão, por exemplo), o desenho tem suas qualidades. A reconstituição de Nova York é impecável. E não faltam bichos engraçados, como o trio de pingüins terroristas que ajudam Marty a escapar do zoológico. Veja cenas.

 

DVDs


Valentín: por que o cinema argentino é o melhor do continente

Valentín (Argentina/Holanda/Espanha, 2002. Buena Vista) – O pequeno Valentín, de 8 anos, diz que não tem queixas de sua visão perfeita – o que o incomoda é o ângulo dela. Interpretado pelo irresistível Rodrigo Noya, Valentín é, além de estrábico, espirituoso e precoce. Não demora para que ator e personagem ganhem o espectador para essa narrativa escrita pelo diretor Alejandro Agresti sobre um menino que mora só com a avó (Carmen Maura) na Buenos Aires dos anos 60 e vê o mundo de maneira mais nítida que os adultos que o cercam. Valentín mostra por que a produção argentina é hoje a melhor da América Latina. Esse não é um cinema nascido de idéias isoladas ou oportunidades de mercado: é um cinema enraizado na observação, na inteligência e no interesse genuíno pelos personagens que retrata. Veja cenas.


Agonia: clássico recuperado

Agonia e Glória – A Reconstrução (The Big Red One, Estados Unidos, 1980. Warner) – Ex-repórter policial, ex-escritor de mistérios baratos e ex-soldado, o diretor Samuel Fuller (1912-1997) nunca se dobrou às regras do cinema americano. Pagou caro pela independência: quando rodou essa saga sobre quatro praças e um sargento que atravessam juntos algumas das piores campanhas da II Guerra, já não tinha cacife para negociar com seus produtores. O resultado é que Agonia e Glória chegou mutilado aos cinemas – e assim permaneceu até este ano, quando o crítico Richard Schickel conseguiu reunir os rolos de filme jogados fora e reconstruir a obra de Fuller, que chega agora ao DVD. Como diria o sargento soberbamente interpretado por Lee Marvin: a única glória é sobreviver.

 

LIVROS

No Bunker de Hitler, de Joachim Fest (tradução de Jens e Patricia Lehmann; Objetiva; 190 páginas; 29,90 reais) – Autor de uma apurada biografia de Adolf Hitler, o jornalista e historiador alemão Joachim Fest volta-se, nesse livro, para os últimos dias do regime nazista. A obra, que inspirou o filme A Queda, reconstitui o cotidiano do alto-comando alemão quando a tomada de Berlim pelas tropas soviéticas era iminente. Fest mostra sobretudo a disposição de Hitler de não se render: mesmo quando já estava claro que a derrota era irreversível, ele preferiu ver o país arrasado a buscar um acordo de paz. Os últimos dias do ditador, refugiado num bunker 10 metros abaixo do solo, alternaram momentos de depressão e delírio maníaco. Leia trecho.

Alguém para Correr Comigo, de David Grossman (tradução de George Schlesinger; Companhia das Letras; 440 páginas; 49 reais) – Nome consagrado da literatura israelense contemporânea, Grossman – conhecido no Brasil por Ver: Amor – apresenta nesse romance um ângulo inusitado de Jerusalém. A cidade sagrada de judeus, cristãos e muçulmanos é vista do seu submundo, no qual se abrigam jovens drogados e moradores de rua. Assaf, um rapaz de 16 anos que nas férias trabalha para a prefeitura de Jerusalém, é encarregado de encontrar o dono de um cachorro. Depois de muita correria atrás do animal fujão, Assaf acaba se juntando a Tamar, uma menina que busca libertar seu irmão de uma organização criminosa que escraviza artistas de rua. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Foo Fighters: rock e baladas  

In Your Honour, Foo Fighters (Sony/BMG) – Ex-baterista do Nirvana, o roqueiro Dave Grohl não se abateu com o fim da banda, em 1994, depois do suicídio do vocalista Kurt Cobain. Ele fundou o Foo Fighters, como guitarrista e cantor – e deu-se bem. Nesse álbum duplo, o quinto de sua carreira, o grupo entrega o de sempre: rock honesto e energético. Aliás, a energia de Grohl está mais à flor da pele que nunca. Seu vozeirão atinge altos decibéis no primeiro CD, que presta reverência aos sons pesados dos anos 70 – inclusive com a participação de John Paul Jones, ex-baixista do Led Zeppelin. O outro disco tem só canções acústicas, como uma bossa nova em que Grohl faz dueto com Norah Jones.

 
Van Morrison: no auge da forma  

Magic Time, Van Morrison (Universal) – Quando um artista completa quarenta anos de carreira, é normal que ele coloque o pé no freio e lance trabalhos menores. Pois com Van Morrison está acontecendo o contrário. Magic Time, disco que marca a quinta década de atividade do cantor irlandês, é um disco digno de figurar ao lado de Astral Weeks (1968) e Moondance (1970), dois dos melhores trabalhos da sua carreira. Morrison equilibra jazz e rhythm'n'blues com ingredientes de sua terra natal – como a flauta tocada por Paddy Moloney, um dos ícones da música folclórica irlandesa. Os melhores momentos são baladas como Stranded e Celtic New Year. Mas o cantor também faz bonito no jazz This Love of Mine, de Frank Sinatra.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Sodiler, Nobel, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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