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Livros
Tempo de compras
Dois negócios agitam o
mercado editorial brasileiro
Leonardo Aversa/Ag. O Globo
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| Feith: 20 milhões de reais mais rico
e ainda no controle |
Nas últimas duas semanas, grandes mudanças foram anunciadas
no mercado editorial brasileiro. A editora carioca Objetiva teve
75% de seu capital vendido para a Santillana, pertencente a um dos
maiores conglomerados do setor na Espanha, o grupo Prisa. E, na
semana passada, metade da Nova Fronteira, uma das editoras mais
tradicionais do país, foi adquirida pela Ediouro. Essas fusões
revelam duas tendências do mercado de livros: a internacionalização
e a absorção de pequenas e médias editoras
pelas gigantes do ramo. Com faturamento anual de 1,4 bilhão
de euros e presença em 21 países, a Santillana já
tinha um braço no Brasil desde 2001, quando comprou a Moderna,
do segmento de didáticos. O negócio com a Objetiva,
de 20,4 milhões de reais, marca sua entrada no mercado de
livros de interesse geral. Não é a primeira gigante
espanhola a investir nessa área. Há dois anos, sua
concorrente Planeta abriu suas portas no país. Um terceiro
grupo espanhol, o Oceano, que já atua na área dos
livros de referência e paradidáticos, pretende se dedicar
às obras de interesse geral em dois anos. "Associar-se a
parceiros estrangeiros é uma tendência inevitável
para os grupos editoriais brasileiros", diz Roberto Feith, fundador
da Objetiva. Mesmo depois da venda, ele continua à frente
da editora. O flerte entre Santillana e Objetiva começou
há cerca de três anos. O aporte do sócio espanhol
permitirá à editora se recuperar da descapitalização
sofrida com o investimento no Dicionário Houaiss, lançado
em 2001.
As mudanças na Nova Fronteira têm
menos impacto. A compra de 50% da empresa fundada por Carlos Lacerda
foi quase que uma troca de guarda entre sócios. A Ediouro
adquiriu a parte do negócio que desde 1999 pertencia a um
fundo de investimentos liderado pelo economista Armínio Fraga,
ex-presidente do Banco Central. Na época, sua associação
foi decisiva para sanear as finanças da empresa. Fraga dizia
que, uma vez deixando o governo, pretendia acompanhar a editora
mais de perto. Nunca o fez: mesmo depois de sair do BC, tinha outros
negócios. Preferiu, assim, vender sua parte. Empresas nacionais
e estrangeiras disputavam o negócio. Como a Record, outra
grande editora que tem absorvido casas menores, como a Civilização
Brasileira, a José Olympio e a Best Seller. Mas a ela só
interessava uma aquisição completa. A Nova Fronteira
continuará operando com independência administrativa.
Embora em 2003 a editora tenha sofrido um baque ao perder o dicionário
Aurélio, que editava desde 1975, ela ainda tem autores
como João Ubaldo Ribeiro e Guimarães Rosa. "O maior
ativo da Nova Fronteira é o seu catálogo", diz Jorge
Rodrigues Carneiro, diretor-presidente da Ediouro, que, recentemente,
já havia adquirido a Agir e 80% da Relume-Dumará.
"Queremos crescer", diz o editor.
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