Edição 1910 . 22 de junho de 2005

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Dois negócios agitam o
mercado editorial brasileiro


Leonardo Aversa/Ag. O Globo
Feith: 20 milhões de reais mais rico – e ainda no controle


Nas últimas duas semanas, grandes mudanças foram anunciadas no mercado editorial brasileiro. A editora carioca Objetiva teve 75% de seu capital vendido para a Santillana, pertencente a um dos maiores conglomerados do setor na Espanha, o grupo Prisa. E, na semana passada, metade da Nova Fronteira, uma das editoras mais tradicionais do país, foi adquirida pela Ediouro. Essas fusões revelam duas tendências do mercado de livros: a internacionalização e a absorção de pequenas e médias editoras pelas gigantes do ramo. Com faturamento anual de 1,4 bilhão de euros e presença em 21 países, a Santillana já tinha um braço no Brasil desde 2001, quando comprou a Moderna, do segmento de didáticos. O negócio com a Objetiva, de 20,4 milhões de reais, marca sua entrada no mercado de livros de interesse geral. Não é a primeira gigante espanhola a investir nessa área. Há dois anos, sua concorrente Planeta abriu suas portas no país. Um terceiro grupo espanhol, o Oceano, que já atua na área dos livros de referência e paradidáticos, pretende se dedicar às obras de interesse geral em dois anos. "Associar-se a parceiros estrangeiros é uma tendência inevitável para os grupos editoriais brasileiros", diz Roberto Feith, fundador da Objetiva. Mesmo depois da venda, ele continua à frente da editora. O flerte entre Santillana e Objetiva começou há cerca de três anos. O aporte do sócio espanhol permitirá à editora se recuperar da descapitalização sofrida com o investimento no Dicionário Houaiss, lançado em 2001.

As mudanças na Nova Fronteira têm menos impacto. A compra de 50% da empresa fundada por Carlos Lacerda foi quase que uma troca de guarda entre sócios. A Ediouro adquiriu a parte do negócio que desde 1999 pertencia a um fundo de investimentos liderado pelo economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central. Na época, sua associação foi decisiva para sanear as finanças da empresa. Fraga dizia que, uma vez deixando o governo, pretendia acompanhar a editora mais de perto. Nunca o fez: mesmo depois de sair do BC, tinha outros negócios. Preferiu, assim, vender sua parte. Empresas nacionais e estrangeiras disputavam o negócio. Como a Record, outra grande editora que tem absorvido casas menores, como a Civilização Brasileira, a José Olympio e a Best Seller. Mas a ela só interessava uma aquisição completa. A Nova Fronteira continuará operando com independência administrativa. Embora em 2003 a editora tenha sofrido um baque ao perder o dicionário Aurélio, que editava desde 1975, ela ainda tem autores como João Ubaldo Ribeiro e Guimarães Rosa. "O maior ativo da Nova Fronteira é o seu catálogo", diz Jorge Rodrigues Carneiro, diretor-presidente da Ediouro, que, recentemente, já havia adquirido a Agir e 80% da Relume-Dumará. "Queremos crescer", diz o editor.

 
 
 
 
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