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Celebridade Absolvido,
mas enrascado Michael Jackson se livra
das acusações de pedofilia. Mas terá de suar para
recuperar a carreira  Sérgio
Martins
Michael Jackson foi absolvido. Na
última segunda-feira, os jurados do tribunal de Santa Maria, na Califórnia,
isentaram o cantor de dez acusações relacionadas ao suposto abuso
sexual de um menor. O júri de oito mulheres e quatro homens deliberou durante
sete dias, estudando mais de 130 depoimentos e 600 provas apresentadas pela promotoria
e pelos advogados de defesa. Ao receber a notícia de que estava livre,
Jackson saiu rapidamente do tribunal, acompanhado de seus familiares. Ele acenou
para os fãs que defendiam sua inocência e partiu para o rancho Neverland.
O cantor sabe que tem outra missão espinhosa pela frente: tirar sua carreira
da lama. Há muito tempo Jackson deixou de fazer jus ao epíteto de
"rei do pop" dos tempos de Thriller (1982), disco mais vendido no
mundo até hoje, com 59 milhões de cópias. Mas o declínio
se acentuou nos últimos anos. A produção de seu álbum
mais recente, Invincible, de 2001, consumiu 30 milhões de dólares.
Apesar disso, as vendagens foram irrisórias. Jackson veio a público
acusar sua gravadora, a Sony, de não divulgar o disco como deveria e, por
isso, há dúvidas se a companhia manterá o contrato com ele.
Por causa de seu estilo de vida perdulário, o cantor está atolado
em dívidas de 400 milhões de dólares. Especula-se que, para
se safar dos débitos, não terá outra opção
senão entregar a jóia maior de seu patrimônio: os direitos
das canções dos Beatles, avaliados em 500 milhões de dólares.
Para a nova geração
americana, que ouve estilos como o rap e o rock pesado, Michael Jackson atrai
curiosidade, no máximo, pelo visual e comportamento bizarros como
chegar ao tribunal com calça de pijama, alegando dores nas costas. Boa
parte dos fãs de primeira hora também debandou. Nesse cenário,
a absolvição no julgamento não oferece muito alento. Perante
a opinião pública dos Estados Unidos, o resultado está longe
de significar um atestado de idoneidade. Uma pesquisa do Instituto Gallup revelou
que 48% dos americanos discordam do veredicto, contra 34% que o consideram justo.
Para 60%, o fato de ser uma celebridade influiu a favor de Jackson.
Apesar da decisão do juiz Rodney Melville de impedir a entrada da imprensa
na sala de julgamento, o processo não foi diferente de outros protagonizados
por celebridades e figuras públicas americanas (veja quadro). Uma
enorme quantidade de histórias sórdidas foi posta em circulação,
e promete pesar sobre a reputação de Jackson. O cantor, no entanto,
foi beneficiado por um princípio de direito levado a ferro e fogo pelos
júris americanos na hora de decidir o futuro de um réu: quando há
"dúvida razoável" quanto à culpa, não deve haver condenação.
É certo que Jackson levava crianças a seu quarto e até dormia
com elas, mas a peça de acusação do promotor Tom Sneddon
não foi conclusiva em demonstrar que ele cometeu abuso sexual ou incidiu
em outros crimes, como entorpecer um menor. Também pesou a favor do artista
o fato de que os pais do adolescente supostamente abusado mal disfarçavam
seu oportunismo. A defesa explorou isso muito bem para desqualificar Janet Arvizo,
mãe do garoto. "Num documentário feito por Michael Jackson, ela
aparecia atraente, de maquiagem. Quando veio testemunhar, estava com o cabelo
desgrenhado, como madre Teresa de Calcutá depois da chuva. Queria que tivéssemos
dó dela", declarou a jurada Eleanor Cook.
Depois que o resultado do julgamento foi conhecido, gurus do mercado musical sugeriram
que a melhor forma de Jackson recuperar parte do prestígio seria sacudir
a poeira e rodar o mundo numa megaturnê. A eficácia seria duvidosa
até porque ele parece já não ter disposição
para cair na estrada, coisa que fez pela última vez há dez anos.
"É uma batalha árdua. Culturalmente, ele jamais voltará a
ser o Michael Jackson que um dia conhecemos", declarou Londell McMillan, veterano
advogado da indústria musical, ao New York Times. Os projetos oferecidos
ao cantor até o momento primam pelo sensacionalismo. Várias redes
de TV bolaram reality shows com a família Jackson. O bilionário
Donald Trump teria oferecido 80 milhões de dólares para que o cantor
se apresentasse num cassino em Las Vegas. Por enquanto, a única intenção
de Jackson foi revelada por seu advogado, Thomas Mesereau. "Ele foi amável
com as pessoas, permitiu que elas entrassem livremente em sua vida e em sua casa.
Isso vai mudar daqui para a frente", declarou. Ah, sim. Mesereau avisa que Michael
não dormirá mais com crianças.
Roupa suja se lava nos tribunais
As bizarrices que vieram à tona em processos
contra celebridades Michael Jackson
Caso: julgamento por suposto assédio
sexual a um menor de idade O adolescente
que acusava Jackson disse que foi masturbado pelo cantor duas vezes
A mãe da suposta vítima teria visto Jackson
lambendo a cabeça de seu filho
Uma ex-empregada revelou que as paredes de seu quarto eram manchadas de fezes
de seu chimpanzé Testemunha
de defesa de Jackson, o ator Macaulay Culkin declarou: "Tanto quanto eu saiba,
ele nunca me molestou" Bill
Clinton Caso: o
ex-presidente americano foi processado por se envolver com uma estagiária
da Casa Branca, Monica Lewinsky
Clinton teria usado um charuto de modo nada ortodoxo. Na investigação,
questionou-se até sua marca era cubano
Um vestido com vestígios do esperma de Clinton foi uma prova importante
Um debate central foi se sexo oral
é sexo ou não Woody
Allen Caso: disputa da guarda dos
filhos entre Woody Allen e sua ex-mulher Mia Farrow, depois que o cineasta se
apaixonou pela enteada, Soon-Yi
Mia ameaçou revelar fotos que Allen tirou de Soon-Yi em posições
para lá de ousadas Ao ser
desmascarado, Allen se jogou no chão e simulou uma dor de barriga, disse
Mia A ex acusou Allen ainda de ser
hipocondríaco e tomar banho com um tapete especial que o protegeria de
germes | | |