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Espaço
Um primo distante
Astrônomos encontram o primeiro planeta
parecido com a Terra fora do sistema solar

Tiago Cordeiro
Os astrônomos tornaram-se capazes de
identificar planetas a um ritmo acelerado. Até o fim da década
passada, só era possível prever matematicamente a
existência desses corpos espaciais. Nos últimos anos,
telescópios mais potentes permitiram a identificação
de 150 planetas fora do sistema solar. Todos eles são gigantescas
bolas de gases, bem diferentes da Terra. Isso mudou na semana passada.
Astrônomos americanos anunciaram a descoberta de Gliese 876d,
o menor planeta já encontrado. O anúncio aumenta a
expectativa de que os pesquisadores possam identificar corpos celestes
cada vez mais parecidos com a Terra e com maiores probabilidades
de abrigar alguma forma de vida.
Composto de rochas de níquel e ferro,
semelhantes às que formam a Terra, o planeta recém-descoberto
mantém uma órbita estável em torno da Gliese,
uma estrela menor e menos luminosa que o Sol. Esse primo da Terra
tem o dobro do tamanho de nosso planeta. Localizado na constelação
de Aquário, a 15 anos-luz de distância, está
relativamente perto em termos astronômicos. Os especialistas
acreditam que o Gliese 876d tem atmosfera. Mesmo assim, a existência
de vida da forma como a conhecemos é improvável, porque
a temperatura na superfície atinge 400 graus durante o dia.
Isso ocorre porque a distância entre Gliese 876d e sua estrela
é de apenas 2% da existente entre a Terra e o Sol. Seria
preciso que o planeta estivesse pelo menos três vezes mais
distante da estrela para haver água líquida na superfície.
"Para abrigar vida, ele precisaria ser um pouco menor e ter temperaturas
bem mais baixas", disse a VEJA o astrônomo da Universidade
da Califórnia Gregory Laughlin, um dos autores do estudo.
A existência do Gliese 876d foi comprovada
pelos telescópios sediados na base da Nasa, a agência
espacial americana, em Keck, no Havaí. O método utilizado
foi a identificação por meio da sombra do planeta
durante sua passagem em frente à estrela. Esse sistema não
permite que os astrônomos identifiquem planetas menores e
mais distantes de suas estrelas. Os especialistas apostam que a
solução para esse problema está em dois telescópios
espaciais, o Corot e o Kepler, que serão lançados
até 2008. "Nos próximos dez anos nós encontraremos
uma série de planetas parecidos com a Terra", disse a VEJA
o pesquisador da Nasa Jack Lissauer, outro responsável pela
descoberta.
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